O cenário do peso-pena no UFC vem se reorganizando rápido, com Alexander Volkanovski novamente no topo, Movsar Evloev consolidado como um dos principais nomes da fila e Lerone Murphy ascendendo com um cartel impecável. Entretanto, parece que o Ultimate trabalha para promover uma revanche imediata de Volkanovski com Diego Lopes, algo que vem sendo motivo de críticas sob o ponto de vista esportivo.
Um duelo contra Evloev (ou, alternativamente, Murphy) seria mais lógico, levando em conta méritos dentro do ranking, precedentes de confrontos entre os protagonistas e o que os fãs e analistas vêm pedindo. Vamos abordar os pontos que tornam a luta entre Volkanovski e Diego Lopes, pouco atrativa para o momento.
Movsar Evloev é um desafiante legitimamente mais “merecedor”. O russo tem histórico consistente no top da categoria, inclusive com vitórias de alto nível que o colocaram no radar como desafiante óbvio.
E mais importante ainda, Evloev já venceu Diego Lopes. Quando Lopes fez sua estreia no UFC, aceitando uma luta de última hora, enfrentou Evloev e saiu derrotado por decisão unânime. Um resultado que não pode ser ignorado quando se fala em reclamar prioridade por uma revanche com o campeão.
Recompensar um lutador com outra chance imediata quando ele já perdeu para outro candidato direto do topo fragiliza o critério competitivo das nomeações para o cinturão. Algo que por si só, já firma o lugar de Movsar Evloev na frente de Diego Lopes.
Do ponto de vista do tempo de merecimento, Lerone Murphy também é um caso que merece menção séria. Murphy está invicto como profissional e construiu um percurso no UFC que chama atenção com vitórias consecutivas de nível e uma crescente pressão por uma oportunidade.
Dada a combinação de invencibilidade, performance recente (incluindo nocautes que chamaram a atenção do público) e sua posição nos rankings, Murphy tem argumento esportivo forte para disputar o cinturão contra Volkanovski. Ignorar um atleta invicto em prol de uma revanche pode gerar frustração entre fãs e lutadores.
Há também um argumento prático de história e narrativa: Diego Lopes, apesar do nocaute impressionante sobre Jean Silva no Noche UFC, venceu um adversário que estava mais abaixo no ranking. Uma vitória espetacular não transforma imediatamente o vencedor no candidato de maior merecimento, especialmente quando há lutadores com trajetória mais consistente no topo que esperam por sua chance.
Além disso, a comunidade e parte da mídia estão atentas a essa incoerência: analistas e torcedores vêm apontando que a organização estaria abrindo mão do critério esportivo ao considerar uma revanche direta com Diego em vez de confrontar o campeão com quem teve trajetória mais robusta (Evloev) ou com um nome novo e aguardado (Murphy).
Há matérias e reações apontando que fãs ficaram furiosos por ver um “caso óbvio” sendo ignorado. Isso importa e o UFC também precisa preservar a credibilidade do processo de escolha dos desafiantes para manter legitimidade junto a base de fãs.
Análise tática dos possíveis desafios para Alexander Volkanovski

Do ponto técnico-tático, a proposta de combate entre Volkanovski e Evloev é intrigante e justa: Evloev oferece um jogo de wrestling de alto nível, ritmo controlado e cardio excelente, um teste clássico ao arsenal completo de Volkanovski (que já mostrou adaptação tática, mas também vulnerabilidades em combates contra grapplers e punchers de elite).
Já Murphy, com seu striking explosivo e invencibilidade, oferece um teste de velocidade e potência que poderia renovar o interesse do público por um duelo de estilos. Ambos os confrontos (Evloev ou Murphy) têm justificativas esportivas claras; a revanche com Diego Lopes tem mais apelo de narrativa imediata, mas menos respaldo pelo critério de “quem merece agora”.
Por fim, o esporte precisa equilibrar entretenimento e mérito, e aqui o mérito pesa mais quando falamos em disputas de cinturão que definem o legado de um campeão. Volkanovski mereceria, do ponto de vista competitivo e de construção lógica da divisão, enfrentar um nome que tenha superado consistentemente adversários do top ou que construa uma trilha invicta dentro do top 10.
Evloev e Murphy cumprem esses requisitos com muito mais clareza do que a revanche automática contra Diego, cujo triunfo espetacular (mas contra o 11º do ranking) não apaga o fato de que ele já havia sido derrotado por Evloev.
Em resumo, se o UFC realmente quer fortalecer a narrativa competitiva do peso-pena, deve priorizar quem já provou, no octógono e no ranking, que merece uma chance ao cinturão. Isso não significa que Diego Lopes não mereça, mas o ideal é que ele tenha mais uma vitória importante.
Se o Ultimate colocar Volkanovski contra Evloev, uma eliminatória pelo “title shot” entre Diego Lopes e Lerone Murphy, faria total sentido. Seria uma luta de grande apelo e, em caso de vitória do brasileiro, tornaria incontestável para ele um duelo seguinte pelo cinturão.
(Imagem de capa: Sean M. Haffey/Getty Images)