Roma x Napoli tem duelo entre Gasperini x Conte
Futebol Serie A

Roma x Napoli opõe trabalho de gala de Gasperini com “efeito Conte”

Roma e Napoli se enfrentam neste domingo (30), às 16h45 (horário de Brasília), no Estádio Olímpico, pela 13ª rodada do Campeonato Italiano — um confronto entre primeiro e terceiro colocados. Mas, embora a tabela aponte para equilíbrio, o momento vivido por ambos os clubes sugere que seus futuros podem seguir caminhos bastante distintos.

De um lado, uma Roma transformada, sob o comando de novo treinador Gian Piero Gasperini, exalando confiança e segurança. Do outro, um Napoli de Antonio Conte aparentemente dilacerado por tensões internas, com dúvidas pairando sobre o ambiente e a consistência do elenco.

Roma: com Gasperini, liderança consolidada

A Roma, sob o comando recente de Gasperini, vive seu melhor momento em muitos anos — e os números não mentem. Com apenas 17 jogos sob seu comando, Gasperini mostrou capacidade de reestruturar a equipe rapidamente: são seis vitórias nas últimas sete partidas.

Mais do que resultados imediatos, o que chama atenção é a sensação de que Gasperini chegou para fazer algo duradouro, assim como fez em sua passagem pela Atalanta, onde permaneceu entre 2016 e 2025. Durante esse período, transformou uma equipe modesta em figurante frequente nas competições europeias. Sob seu comando, a Atalanta conquistou a inédita UEFA Europa League em 2024, um título histórico para o clube e para o próprio treinador.

Além disso, a Atalanta, com Gasperini, disputou a Liga dos Campeões várias vezes, alcançando as quartas de final em 2019–2020 — feito impensável antes de sua chegada. O estilo de jogo empregado era sempre agressivo, ofensivo, com liberdade para os jogadores criarem e imprimirem velocidade.

Porém, o caminho não foi sem tropeços: episódios de conflito também marcaram sua trajetória em Bérgamo. O mais emblemático talvez tenha sido a conturbada saída do meia Papu Gómez — um ídolo do clube que chegou a acusar Gasperini de tentativa de agressão física após divergências táticas.

Apesar dessas turbulências, Gasperini mostrou resiliência — e sobretudo coerência de projeto. A reconciliação simbólica com Papu Gómez, momentos antes da final da Europa League, ilustrou bem sua capacidade de olhar além de rusgas pessoais para focar em objetivos maiores.

Esse histórico reforça a percepção atual: a Roma não parece apenas em boa fase — parece bem estruturada internamente, com convicção na identidade de jogo e com ambição de buscar algo maior, talvez até um Scudetto que não vem desde 2000/01.

Napoli: o “efeito Conte”

Se para a Roma Gasperini representa esperança e reconstrução, para o Napoli o momento é de inquietação. Apesar de ter recentemente conquistado o título italiano, o técnico Antonio Conte parece estar longe de viver sua melhor fase no clube. O que se desenha é um ambiente cada vez mais tenso, onde resultados importam — mas clima e coesão interna pesam ainda mais.

Segundo a imprensa italiana, os jogadores do Napoli estariam desmotivados e sem “química” com o treinador. A revelação ocorreu após os atletas serem comparados a “um cadáver” pelo treinador após uma derrota no torneio nacional.

Mas nada disso surpreende quem acompanha a carreira do treinador. Conte é, inegavelmente, um técnico vencedor: conquistou ligas nacionais com Juventus, Chelsea e Inter de Milão. Contudo, seu histórico mostra um padrão difícil de ignorar: seus trabalhos costumam ser intensos, explosivos e curtos.

A média de permanência de Conte em clubes é inferior a dois anos, marcada quase sempre por desgaste interno, fricções com dirigentes e divergências públicas com jogadores.

No Tottenham, por exemplo, apesar de ter levado a equipe à zona de Champions, sua passagem terminou de forma abrupta após críticas duras ao elenco, à direção e ao próprio ambiente do clube. Na Inter, mesmo campeão italiano, deixou o cargo em meio a conflitos sobre política de contratações. Até mesmo em seus títulos mais celebrados, o “pós-Conte” geralmente vinha acompanhado de turbulência.

O cenário parece ameaçar repetir-se no Napoli, onde ele já está em sua segunda temporada — justamente o ponto em que, historicamente, seus trabalhos costumam ruir. Em vez da consolidação esperada, o clube enfrenta incertezas. Jogadores relatam insatisfação, dirigentes pressionam e a torcida se divide entre cobrança e temor de uma implosão interna.

A situação se agrava quando se observa o desempenho dentro de campo. A equipe mostra sinais de desgaste físico e emocional, revelando dificuldade para implementar o futebol de alta intensidade que Conte exige. Além disso, o excesso de mudanças no elenco — muitas delas executadas para atender ao perfil rigoroso do treinador — deixou a equipe sem coesão.

A crise se reflete também na Liga dos Campeões, onde o Napoli tem apresentado atuações irregulares e abaixo das expectativas. O rendimento europeu, historicamente um termômetro do moral e da estabilidade de um clube italiano, expõe que o ambiente turbulento já afeta o desempenho competitivo.

Assim, o “efeito Conte”, antes associado a impacto imediato e mentalidade vencedora, hoje parece revelar sua face mais conhecida: intensidade que beira o insustentável, desgaste acelerado e a sombra de uma possível ruptura — tudo isso antes mesmo que o projeto alcance maturidade.

O confronto deste domingo

A Roma chega ao confronto com favorito e com a possibilidade de se distanciar de um concorrente direto. Com 27 pontos, a equipe de Gasperini soma dois a mais que Milan e Napoli – conjunto rossonero, segundo colocado, encara a Lazio neste sábado.

Já o Napoli sabe que, com uma vitória sobre a Roma, pode não apenas assumir a ponta da Serie A, como dar uma acalmada nos ânimos entre elenco e treinador.

Fotos: Montagem/Roma/Napoli