É cedo para cravar que se trata de uma virada definitiva no Manchester United, mas Joshua Zirkzee merece destaque pela participação decisiva no triunfo de virada dos Red Devils sobre o Crystal Palace por 2 a 1, fora de casa, no último domingo, na Premier League. A confiança no atacante — alvo de tantas críticas — já havia se desgastado muito antes dessa atuação. Depois de desperdiçar oportunidades contra o Everton, em Old Trafford, na segunda-feira, o holandês voltou a ter dificuldades nos primeiros 45 minutos no Selhurst Park. O contraste entre seu rendimento e o de Jean-Philippe Mateta parecia, inclusive, apontar para uma vantagem clara do Palace.
Contudo, Joshua Zirkzee mudou o rumo da partida ao marcar um belo gol de empate para o Manchester United, finalizando de ângulo fechado, e depois ao vencer o duelo aéreo que resultou na falta convertida por Mason Mount para selar a virada. Seu desempenho rendeu elogios de Rúben Amorim após o apito final. As estatísticas reforçam a narrativa: o atacante venceu o dobro de disputas pelo alto — como a que originou o segundo gol — nos últimos 30 minutos em comparação com a primeira hora de jogo.
A precisão nos passes também cresceu: saltou de 57% para 77% no período final. Impulsionado pelo primeiro gol na Premier League em quase um ano, Zirkzee terminou com seis passes para finalização, o maior número registrado por qualquer jogador no fim de semana da liga. Embora não tenha igualado seu próprio recorde de sete passes para gol — feito contra o Everton na temporada anterior — vale contextualizar: fazia sete anos, desde a era Romelu Lukaku, que um atacante do Manchester United não produzia tantos passes decisivos em um único jogo.
Pode parecer um dado específico, mas Zirkzee foi o terceiro maior fornecedor de passes desse tipo na Série A, em sua última temporada pelo Bologna. Não é um detalhe ocasional do seu repertório; para o plano de jogo de Amorim, ter um atacante capaz de tabelar, dar apoio e criar é fundamental. Com o resultado do domingo, o Manchester United subiu para o sétimo lugar da Premier League, agora com 21 pontos na tabela de classificação — três atrás do Aston Villa, que fecha o G4.
Para que tudo isso fosse possível, Zirkzee precisava apresentar mais força física — e, mesmo que tardiamente, conseguiu. Um ano e meio depois de sua chegada ao Manchester Unired, ainda se recorda de uma conversa com Willem Weijs, seu ex-treinador no Anderlecht, que já apontava essa necessidade de evolução. O próximo compromisso do holandês com a camisa dos Red Devils será contra o West Ham, nesta quinta-feira (4), às 17h (horário de Brasília), encerrando a 14ª rodada da Premier League 2025/26, em Old Trafford.

Zirkzee decide e se consolida como opção no Manchester United
No domingo (30), em uma tarde intensa em Selhurst Park, Joshua Zirkzee foi protagonista da virada do Manchester United sobre o Crystal Palace — e pode estar reconstruindo seu espaço no elenco comandado por Rúben Amorim.
Atrás no placar por 1 a 0 ao fim do primeiro tempo — pênalti convertido por Jean-Philippe Mateta — e há 24 jogos sem marcar na Premier League, Zirkzee reacendeu a esperança dos torcedores. Na etapa complementar, dominou no peito um lançamento vindo de cobrança de falta, girou com rapidez e bateu com precisão de ângulo reduzido para empatar.
Pouco depois, o Manchester United virou com Mason Mount, mas foi Zirkzee quem iniciou a jogada-chave da reviravolta. A finalização firme, técnica e inesperada do holandês mudou o clima da partida, e o time tomou conta dos minutos finais.
Além do gol, a recuperação de Zirkzee se refletiu em mobilidade, presença física e maior intensidade — aspectos que Amorim ressaltou na coletiva como determinantes para a virada.
Contexto: lesões abriram espaço para Zirkzee
A chance de Zirkzee se destacar surgiu em meio a uma onda de lesões no setor ofensivo do Manchester United. Com a ausência de nomes como Benjamin Sesko e Matheus Cunha, ele voltou ao time titular — e respondeu com sua melhor exibição em muito tempo.
O gol no Selhurst Park, o primeiro desde dezembro de 2024, colocou fim a uma longa seca e reacendeu discussões sobre sua importância no elenco.
Fator emocional e técnico: confiança, ritmo e timing
O impacto psicológico do gol parece ter sido tão grande quanto o técnico. Após meses sem marcar, torcedores e comissão voltam a enxergar seu potencial — especialmente em jogos em que o Manchester United precisa buscar o resultado.
Amorim destacou, ainda, a melhora coletiva no segundo tempo: mais intensidade, mais presença entre linhas e uma postura ofensiva mais agressiva. Isso evidenciou o diferencial de Zirkzee, que soube explorar o desgaste do Palace na reta final.
O que vem pela frente: retomada de espaço e credibilidade
Com Sesko lesionado e outras opções de ataque oscilando, Zirkzee surge como uma alternativa no Manchester United cada vez mais sólida. A atuação contra o Palace — decisiva e madura — pode ser o ponto de virada para recuperar a confiança da torcida e ganhar sequência entre os titulares.
Se mantiver esse nível, e com as necessidades do elenco, tem chances reais de transformar a antiga dúvida em aposta firme ao longo de 2026 pelo Manchester United.

Zirkzee busca afirmação no Manchester United enquanto mira vaga na Copa do Mundo de 2026
A carreira de Zirkzee vive um momento-chave. Depois de um início irregular no Manchester United, o atacante começa a conquistar terreno com Rúben Amorim e busca transformar boas atuações em continuidade — essencial para seus objetivos no clube e na seleção holandesa, que se prepara para o Mundial de 2026.
Sua recente sequência de oportunidades, favorecida pela lesão de Sesko, abriu o espaço que ele vinha aguardando desde que chegou. Em campo, respondeu com maior presença física, mais participação na construção e capacidade de decidir, características valiosas para o estilo do United sob Amorim.
No clube, o entendimento é de que Zirkzee está finalmente unindo talento e consistência — ponto de maior cobrança em sua trajetória. Amorim, que exige agressividade sem a bola e intensidade constante, passou a enxergar no holandês um jogador capaz de suprir essas demandas sem perder a criatividade que o distingue.
A briga por espaço, porém, vai além do Manchester. Para Zirkzee, a temporada na Premier League pode definir seu destino na seleção. A disputa por vagas no ataque da Holanda inclui Cody Gakpo, Brian Brobbey e Memphis Depay. Para ser chamado, o atacante precisa de duas coisas: regularidade e impacto nos grandes jogos.
Internamente, na seleção, ele é visto como um perfil raro — técnico, versátil e apto a atuar como referência ou segundo atacante. Faltavam justamente minutos, ritmo e confiança, elementos que agora começam a surgir. A comissão holandesa acompanha de perto sua ascensão em Old Trafford, especialmente após seu recente crescimento.
Com a temporada entrando na fase decisiva e o Mundial se aproximando, Zirkzee tem diante de si uma oportunidade rara: consolidar-se no Manchester United e, ao mesmo tempo, garantir lugar no maior palco do futebol mundial. Se mantiver o desempenho atual, pode enfim transformar potencial em afirmação — tanto no clube quanto na seleção.
(Foto: Getty Images)



