O Atlético-MG parece que convive com um inferno sem fim numa temporada para esquecer. Depois de ter perdido a final da Sul-Americana para o Lanús e não ter conseguido dificultar a situação do Flamengo no Brasileirão cedendo empate nos acréscimos, o Galo fez um jogo de time rebaixado contra o Fortaleza em jogo atrasado e agora se vê apenas quatro pontos acima do Z-4 com dois jogos restantes para o final do campeonato. É improvável que o rebaixamento ocorra devido à quantidade de times envolvidos nessa indigesta disputa, mas chamou muita atenção a completa falta de desempenho diante do Leão do Pici.
Atlético-MG inexistiu diante do Fortaleza na Arena Castelão
Precisando do resultado e embalado num Castelão que finalmente voltou a lotar, o Fortaleza foi absolutamente dominante no primeiro tempo e o Atlético-MG do “ofensivo” Jorge Sampaoli acabou não saindo do campo defensivo sendo bastante pressionado, tanto que a primeira finalização ocorreu somente aos 21 minutos. E muito disso tem haver com a formatação tática que deixou Hulk muito isolado como centroavante e bem marcado pelo sistema defensivo adversário, enquanto Bernard praticamente não participou do jogo. Dudu foi bem acionado e até sofreu um pênalti (anulado por impedimento), mas não foi o suficiente para causar um impacto.
Sem a bola, o lado direito sofreu bastante e cedeu muitos espaços para que o Fortaleza trabalhasse bem com a posse, deixando Ruan bem sobrecarregado. Tudo indicava que o Atlético-MG teria ao menos a igualdade do placar assegurada depois da espetacular defesa de Everson no chute de Bareiro, mas Pochettino acabou marcando gol nos acréscimos depois de uma bela construção ofensiva de um time cada vez mais organizado por um experiente ex-jogador chamado Martín Palermo.
Mesmo com tantas dificuldades de movimentação tática, Sampaoli manteve o Atlético-MG com os mesmos jogadores e formação tática após o intervalo, mas diversas mudanças foram feitas durante o segundo tempo, com destaques para as entradas de Biel e Gustavo Scarpa, mas a saída de Alexsander causou muitas discussões pois o volante era um dos melhores dentro do gramado.
A intenção que era deixar o Atlético-MG mais ofensivo acabou deixando o time muito mais desorganizado e o meio-campo praticamente inexistiu até a reta final, e mesmo com a posse de bola dominante após mudança de estratégia do Fortaleza, faltou bastante infiltração, profundidade e principalmente criatividade. O Galo jamais esteve próximo do gol, e o Leão do Pici teve chance grande de ampliar e só não conseguiu deixar o Castelão com 2 a 0 depois que Alan Franco se jogou literalmente e evitou um resultado ainda mais adverso.
Alívio do Atlético-MG é o duelo em casa contra o Palmeiras
Surpreende muito que o Atlético-MG tenha repetido o mesmo cenário de 2024 (quando chegou à final de um torneio e foi derrotado), chegando à reta final da temporada com dois jogos restantes do Brasileirão ainda brigando contra o rebaixamento. A sorte do Galo é que o próximo duelo será diante de um abatido e fragilizado Palmeiras na Arena MRV, mas uma eventual (e improvável) derrota poderá colocar o clube em ebulição e nervosismo nos níveis de outros rebaixamentos muito surpreendentes.
Imagem: Gazeta Press