O início do século 21 colocava o Internacional como um dos clubes mais estruturados do Brasil. Conquistas como as duas taças da Copa Libertadores da América (2006 e 2010) e o título do Mundial de Clubes em 2006 criaram a reputação de um gigante capaz de competir no mais alto nível — dentro e fora de campo. Para muitos, o Inter parecia ter a base financeira, a torcida e o porte institucional para sustentar esse protagonismo por muito tempo.
Quase 15 anos depois, porém, a realidade é muito diferente. Se neste domingo (7), no Beira-Rio, a equipe gaúcha não derrotar o Red Bull Bragantino — e dependendo de combinações de resultados — o clube pode amargar o segundo rebaixamento no Brasileirão de sua história, o primeiro desde 2016.
Uma trajetória de erros e equívocos
Nos últimos anos, o Internacional viveu um ciclo de má gestão que se reflete em dívidas elevadas, contratações caras que não renderam e desempenho ruim dentro de campo. A ambição por montar elencos competitivos se traduziu em gastos altos com salários e aquisições de jogadores caros — sem o retorno esportivo esperado.
Em um futebol cada vez mais inflacionado, o clube não soube calibrar custos e investimentos, e os resultados ficaram aquém. Ao mesmo tempo, a falta de títulos relevantes não só fez o clube arrecadar menos, servindo também como reflexo desse declínio. O Internacional deixou de vencer competições importantes, perdendo força no cenário nacional e continental.
A aposta desesperada
Na última semana, a diretoria apostou na volta de Abel Braga, tirando o técnico da aposentadoria, numa tentativa clara de acalmar os ânimos e resgatar o prestígio. A iniciativa, no entanto, se apresenta como um ato de desespero — sobretudo após a derrota vexatória para o São Paulo, que acentuou o drama colorada. O desempenho segue abaixo do mínimo necessário, e a mudança de comando não surtiu o efeito esperado. O time continua sem consistência e sem perspectivas de reação convincente. Não seria melhor continuar com Ramon Díaz?
O custo de um rebaixamento: queda brutal nas receitas
A queda para a segunda divisão extrapola o prejuízo esportivo: o impacto financeiro pode ser devastador. Estudos de consultorias especializadas apontam que um clube grande pode perder até R$ 100 milhões em receitas com direitos de transmissão ao cair para a Série B.
Esse valor alto se soma à diminuição da receita de bilheteria, sócios-torcedores e contratos de patrocínio — áreas que também sofrem com a menor visibilidade e a perda de apelo comercial. Além disso, exemplos de clubes rebaixados mostram reduções drásticas: o Juventude, por exemplo, estima queda de até 75% no orçamento após a queda.
Para o Inter, tal cenário poderia significar retração de quase metade das receitas, comprometendo o futebol profissional, as categorias de base e toda a estrutura de clube grande.
Consequências além das finanças: identidade e futuro incertos
Se a queda se confirmar, não será apenas o caixa que será atingido. A confiança da torcida, a atratividade para investidores, o moral do elenco e a ambição de disputar títulos estarão profundamente abalados. A reconstrução será longa e custosa — muitos atletas provavelmente sairão, investimentos serão adiados e o planejamento de curto e médio prazo precisará ser refeito. O clube, que por muito tempo navegou entre elites, se verá na necessidade de se reinventar.
O Internacional, outrora símbolo de estrutura e sucesso, hoje vive seu momento mais delicado em anos. A queda para a Série B não seria apenas uma página negativa na história — seria o ponto culminante de um ciclo de erros, desperdícios e falhas de gestão. E a pergunta que paira no ar não é mais “pode cair?”, mas “se vai cair, como vai se reerguer?”.
Foto: Reprodução/ Ricardo Duarte /Sport Club Internacional