Eduardo Baptista Inter
Futebol Brasileirão

O que Eduardo Baptista precisa fazer para evitar o rebaixamento do Inter?

Eduardo Baptista não chega ao Inter para fazer uma revolução

Eduardo Baptista chega ao Internacional em um momento em que o clube não precisa de uma grande ideia. Precisa de respostas.

A demissão de Paulo Pezzolano aconteceu depois da derrota para o São Paulo, no Morumbis, e encerrou um trabalho que já não conseguia tirar o Colorado da parte mais perigosa da tabela. Depois de especular diferentes nomes, o Inter escolheu o treinador que estava no Criciúma para assumir a missão de evitar o rebaixamento.

Não será uma tarefa simples.

O Inter ocupa a 18ª colocação do Campeonato Brasileiro, com 28 pontos, três atrás do Vasco, primeiro time fora do Z-4.

Ainda existe espaço para reagir. Mas o número de oportunidades está diminuindo.

Eduardo Baptista terá apenas 10 jogos para tentar mudar a trajetória de uma equipe que precisa, antes de qualquer coisa, voltar a ser competitiva.

A primeira mudança precisa acontecer sem a bola

O ponto de partida do novo treinador provavelmente estará na defesa.

O Inter precisa sofrer menos, mas isso não significa simplesmente colocar mais jogadores atrás da linha da bola. A questão é construir uma equipe compacta, capaz de proteger melhor os espaços e, principalmente, de não perder o controle das partidas quando o adversário aumenta a pressão.

Em uma situação como a do Colorado, a organização defensiva ganha ainda mais importância porque cada gol sofrido altera completamente o contexto.

Uma equipe pressionada pelo rebaixamento passa a jogar com mais ansiedade quando está atrás no placar. O adversário cresce, a torcida se impacienta e os espaços aparecem.

Eduardo Baptista terá de interromper esse ciclo.

Para isso, o Inter precisa defender melhor desde o primeiro momento em que perde a bola, diminuir a distância entre os setores e encontrar uma estrutura que os jogadores consigam executar com segurança.

Não é hora de inventar. É hora de tornar o time confiável.

O novo treinador também precisa devolver confiança ao elenco

A parte tática, porém, é apenas metade do problema.

O Inter chega à reta final do campeonato carregando o desgaste de uma campanha que não entregou os resultados esperados. Quando uma equipe passa muitas rodadas convivendo com a ameaça do Z-4, a pressão deixa de estar apenas na arquibancada e passa a aparecer dentro de campo.

Um passe simples vira uma decisão difícil. Uma chance perdida ganha peso maior. Um gol sofrido pode transformar rapidamente uma atuação equilibrada em uma partida de desespero.

Eduardo Baptista terá de reconstruir essa confiança. E isso não será feito apenas com discursos.

O jogador precisa voltar a acreditar na própria capacidade de disputar uma bola, pedir o jogo, arriscar um passe e reagir depois de cometer um erro.

O Inter não precisa entrar em campo acreditando que virou uma grande equipe de uma semana para outra.

Precisa acreditar que consegue vencer o próximo adversário. É uma diferença pequena na aparência, mas enorme no momento atual.

A bola parada pode oferecer uma resposta mais rápida

Outro ponto importante será o trabalho nas bolas paradas, tanto defensivas quanto ofensivas.

Em uma temporada inteira, esse tipo de jogada pode parecer apenas uma parte do jogo. Para uma equipe com 10 partidas restantes e uma diferença tão pequena para os concorrentes diretos, pode representar pontos decisivos.

O Inter precisa aproveitar melhor escanteios e faltas laterais, mas também precisa deixar de conceder situações perigosas com tanta facilidade.

É uma área em que o treinador pode trabalhar rapidamente.

Não exige que a equipe assimile dezenas de novos movimentos ofensivos ou passe meses desenvolvendo mecanismos de jogo. Exige organização, repetição e atenção aos detalhes.

Quando a margem de erro é pequena, os detalhes passam a ter um peso enorme.

Corinthians e Grêmio podem definir o início da reação

O calendário oferece a Eduardo Baptista uma oportunidade que precisa ser aproveitada.

Depois da Data Fifa, o Inter volta a campo em 7 de outubro contra o Corinthians. Quatro dias depois, no domingo (11), encara o Grêmio na Arena.

Os dois jogos têm algo em comum: os adversários também estão próximos da zona de rebaixamento.

O Corinthians soma 32 pontos. O Grêmio tem 29. O Inter, 28.

Por isso, essas partidas não podem ser tratadas apenas como mais dois compromissos da tabela. Elas podem estabelecer o tom da reação colorada.

Uma vitória contra o Corinthians reduziria a distância para um concorrente direto. Um bom desempenho no Gre-Nal poderia recuperar parte da confiança perdida e mudar o ambiente em torno do clube.

Ao mesmo tempo, resultados ruins nesses dois jogos aumentariam ainda mais a pressão sobre Eduardo Baptista antes mesmo de ele ter tempo para consolidar seu trabalho.

O treinador não precisa necessariamente sair dessa sequência com seis pontos.

Mas precisa sair dela mostrando que o Inter mudou.

A rejeição ao nome torna a resposta ainda mais urgente

A escolha de Eduardo Baptista não foi recebida com entusiasmo por boa parte da torcida.

O momento recente do treinador no Criciúma alimenta parte dessa desconfiança. Depois de um bom início na Série B, a equipe catarinense perdeu força no segundo turno e chegou a figurar entre os piores desempenhos da competição nessa fase.

Isso criou um cenário particularmente delicado para o novo comandante. Eduardo Baptista não terá muito tempo para construir crédito. Ou seja, precisará conquistar espaço por meio dos resultados.

Essa rejeição não necessariamente determina o que acontecerá com o trabalho. O futebol oferece inúmeros exemplos de treinadores que chegaram questionados e mudaram rapidamente a percepção ao conseguirem organizar uma equipe.

Mas, no caso do Inter, a margem para esse processo é menor. A torcida não está esperando uma promessa de futuro. Está esperando sinais de que o time pode permanecer na Série A.

O Inter precisa encontrar um time antes de encontrar um grande futebol

Talvez essa seja a principal tarefa de Eduardo Baptista.

O Internacional não precisa, neste momento, apresentar um futebol brilhante. Precisa encontrar uma identidade mínima que permita disputar os jogos sem depender de circunstâncias.

Uma equipe que saiba defender quando for necessário. Que consiga atacar sem se desorganizar. Que tenha capacidade de reagir depois de sofrer um gol. Que consiga proteger uma vantagem sem transformar os minutos finais em sofrimento.

O futebol pode evoluir depois. Primeiro, é preciso criar uma base.

Os 28 pontos atuais mostram que o Inter ainda está perto dos concorrentes diretos. A diferença para o Vasco é de apenas três pontos, enquanto o Grêmio está um ponto à frente.

Isso significa que uma sequência curta pode alterar bastante o cenário.

Mas também significa que outra sequência negativa pode deixar o Colorado ainda mais distante da permanência.

Eduardo Baptista terá de transformar urgência em competitividade

O novo treinador chega ao Inter com uma missão que vai muito além de escolher os 11 titulares.

Terá de reorganizar a defesa, corrigir a bola parada, recuperar jogadores emocionalmente e encontrar uma maneira de fazer o time sustentar seu desempenho durante os 90 minutos.

Também terá de lidar com uma torcida desconfiada e com uma tabela em que cada rodada pode aproximar ou afastar o clube da permanência.

Não será necessário resolver todos os problemas em outubro. Mas será necessário começar a resolvê-los imediatamente.

O Inter tem 10 jogos para transformar uma temporada de instabilidade em uma reação. E o primeiro passo não precisa ser jogar melhor do que todos os adversários.

Precisa ser jogar melhor do que vinha jogando. Porque, para Eduardo Baptista, a missão não é construir um novo Inter pensando no próximo ano.

É encontrar, em poucas semanas, um Inter capaz de permanecer na Série A.

Foto: Ricardo Duarte/Internacional/Divulgação