Futebol UEFA Champions League

De virada, Barcelona vence Frankfurt em retorno da Champions ao Camp Nou

Depois de uma longa espera, o Camp Nou, agora renovado, modernizado e reaberto ao torcedor do Barcelona, voltou a ser palco de uma noite de UEFA Champions League. O clima era de festa, expectativa e até certa nostalgia, mas o jogo contra o Frankfurt trouxe mais tensão do que o Barcelona imaginava.

Coube a Jules Koundé, um defensor pouco acostumado a decidir partidas, assumir o papel de herói improvável e comandar a virada por 2 a 1 sobre os alemães, resultado que evitou uma frustração significativa logo no reencontro do clube catalão com sua casa histórica.

A vitória teve peso importante na tabela. O Barcelona, que vinha oscilando e ainda buscava afirmação no torneio, ganhou posições e encurtou a distância para a zona de classificação direta às oitavas de final. A equipe saltou para o 13º lugar, alcançando dez pontos, enquanto o Frankfurt permaneceu com quatro pontos e caiu para a 30ª posição.

Embora o caminho ainda seja longo, o triunfo devolveu confiança ao time de Hans-Dieter Flick e recolocou o ambiente em sintonia com a torcida, que lotou o estádio e vibrou intensamente nos minutos finais.

Primeiro tempo traz Barcelona travado e Frankfurt perigoso

No primeiro tempo, porém, o Barcelona teve dificuldade para impor seu estilo. Flick escalou seu trio ofensivo titular, composto por Lamine Yamal, Raphinha e Lewandowski, esperando velocidade, triangulações e agressividade pelos lados. Entretanto, o que se viu foi uma equipe com muita posse de bola, mas pouca clareza para transformar controle em infiltrações. A estrutura defensiva do Eintracht Frankfurt, com uma linha de cinco bem compacta, bloqueou os espaços centrais e obrigou o Barcelona a circular o jogo de forma mais lenta do que o ideal.

Aos poucos, a frustração foi tomando conta do torcedor. Lewandowski até balançou as redes nos minutos iniciais, aproveitando sobra na área, mas o árbitro anulou o lance corretamente por impedimento. O polonês, marcado de perto e com poucos espaços, não conseguia participar com frequência, enquanto Raphinha e Yamal tentavam alternar de lado para confundir a marcação, sem grande sucesso. Os visitantes, por outro lado, não precisaram de volume para serem perigosos. Mostrando objetividade e transições rápidas, esperavam apenas o momento exato para contra-atacar.

E esse momento chegou. Após um lançamento longo de Brown, Ansgar Knauff acelerou pelo centro, tirou proveito da indecisão de Baldé e avançou em velocidade até a entrada da área. Com precisão, bateu no canto de Joan García, abrindo o placar e silenciando parte do Camp Nou.

O gol desestabilizou o Barcelona, que passou a errar passes simples e ofereceu mais transições ao Frankfurt. Antes do intervalo, os alemães quase ampliaram em chute forte de Skhiri, que raspou o travessão e deixou Flick preocupado.

Mudanças acontecem e Barcelona vira

Na volta para o segundo tempo, o técnico alemão decidiu mexer. Sacou Fermín López e colocou Marcus Rashford, em busca de mais presença física, velocidade e profundidade pela esquerda. A mudança se mostrou decisiva para transformar o ataque do Barcelona, que até então tinha insistido muito pelo lado direito, sem repertório. Rashford entrou ligado, procurando tabelas, infiltrando na diagonal e chamando a marcação.

Aos cinco minutos, o impacto do inglês já era evidente. Ele recebeu aberto pela esquerda, encarou o defensor, observou o posicionamento da área e fez um cruzamento preciso. Entre os zagueiros alemães, surgiu Koundé, que atacou a bola com convicção e testou firme para empatar a partida. O Camp Nou explodiu, e a energia mudou de lado. A pressão que antes pesava contra o Barcelona passou a impulsionar o time, que percebeu a fragilidade momentânea do adversário.

Apenas três minutos depois, o cenário se repetiu, mas dessa vez pelo lado oposto. Lamine Yamal, mais participativo e confiante no segundo tempo, recebeu na ponta direita, ajeitou o corpo e levantou a bola em direção à área. Koundé, novamente, atacou o espaço entre os defensores, subiu mais alto que a zaga e escorou para o fundo da rede, decretando a virada. Em apenas oito minutos, o Barcelona reescreveu completamente a narrativa da noite.

Com a vantagem construída, a equipe catalã passou a ditar o ritmo e explorar os espaços deixados pelo Frankfurt, que se viu obrigado a abandonar o bloco baixo e tentar pressionar mais alto. Raphinha teve oportunidades em contra-ataques, Yamal buscou jogadas individuais e Rashford quase marcou o terceiro em chute cruzado, mas o goleiro Zetterer evitou um placar mais amplo. Ainda assim, o Barcelona não sofreu riscos significativos na reta final e administrou o resultado com inteligência.

Quando o árbitro apitou o fim da partida, a sensação no Camp Nou era de alívio, orgulho e reconciliação. O Barcelona voltou a vencer na sua verdadeira casa, reencontrou o apoio de sua torcida e viu surgir, no rosto sorridente de Koundé, um herói inesperado para uma noite europeia que tinha tudo para se transformar em drama.

(Foto: Getty Images)