Doku, Cherki, Ndiaye Manchester City
Futebol Premier League

Doku, Cherki e agora Ndiaye? Por que o Manchester City aposta cada vez mais em dribladores? Entenda

O Manchester City está montando um ataque cada vez mais marcado pela habilidade individual. Nos últimos anos, o clube inglês passou a investir em jogadores conhecidos pela capacidade de driblar e superar adversários no um contra um, e Iliman Ndiaye pode ser o próximo nome a entrar nessa lista.

Durante muito tempo, existiu uma teoria de que o Manchester City de Pep Guardiola priorizava tanto o futebol posicional e o sistema que acabava limitando a criatividade individual dos jogadores. A ideia de que Guardiola não valorizava dribladores, porém, nunca foi tão simples quanto parecia.

A chegada de Jérémy Doku, em 2023, foi um dos exemplos que ajudaram a colocar essa percepção em dúvida. O belga não tinha exatamente o perfil de ponta que muitos associavam ao treinador, principalmente porque sua principal característica era justamente partir para cima dos defensores e acumular dribles.

Doku mudou a percepção sobre o City

Quando chegou ao Manchester City, Doku ainda levantava algumas dúvidas. O atacante não apresentava números de gols tão altos, enquanto seu poder de decisão no último terço do campo também era questionado.

Além disso, havia dúvidas sobre como um jogador tão individual poderia se encaixar em uma equipe construída ao redor da troca de passes, da posse de bola e da retenção da posse.

Com o tempo, porém, Doku evoluiu e se transformou em um dos pontas mais eficientes da Premier League no jogo individual. A temporada 2025/26 reforçou a impressão de que seu nível continuava subindo.

A trajetória do belga também mostra que o Manchester City pode aproveitar jogadores com características mais individualistas dentro de sua estrutura. Em vez de eliminar esse tipo de talento, o clube parece ter encontrado uma maneira de incorporá-lo ao seu modelo.

Cherki e Semenyo seguiram o caminho

Depois de Doku, o Manchester City contratou Rayan Cherki no ano passado. O francês chegou com um perfil ainda mais individual e imprevisível que o belga e teve uma excelente primeira temporada na Premier League.

Cherki passou a fazer parte de um grupo de jogadores capazes de quebrar linhas através da condução da bola e dos dribles. Outro nome que se juntou ao projeto foi Antoine Semenyo, contratado em janeiro após se destacar pelo Bournemouth.

Agora, o City parece estar interessado em adicionar Iliman Ndiaye à equação. Caso a transferência do atacante do Everton seja concluída, o clube terá um quarteto formado por Doku, Cherki, Semenyo e Ndiaye, todos conhecidos pela capacidade de partir para cima dos adversários.

E esse grupo ainda não inclui Phil Foden, que também possui qualidade para conduzir a bola, nem Allan, novo reforço bastante valorizado justamente por sua capacidade de carregar a posse.

Os números mostram uma tendência

A mudança fica ainda mais clara quando os números da temporada 2025/26 são analisados. Caso a contratação de Ndiaye por £ 65 milhões seja concluída, o Manchester City terá os três jogadores que mais tentaram dribles na Premier League naquela temporada.

Doku liderou a estatística com 162 tentativas, enquanto Semenyo apareceu logo atrás, com 144. Ndiaye completou o grupo com 136 tentativas de drible.

O domínio também aparece quando o critério é o número de dribles concluídos. O City teria quatro dos oito jogadores que mais conseguiram completar esse tipo de ação na última temporada: Doku, com 84; Ndiaye, com 65; Semenyo, com 59; e Cherki, com 51.

Elliot Anderson, outra contratação do Manchester City neste verão, ficou logo atrás de Cherki, com 50 dribles concluídos. Ele, porém, alcançou esse número tendo disputado quase o dobro de minutos.

É difícil olhar para essa concentração de jogadores e tratar tudo como uma simples coincidência. Mesmo com a saída de Guardiola e a chegada de Enzo Maresca, o pensamento do clube parece continuar apontando para a diversificação de suas armas ofensivas.

Por que o City quer tantos dribladores?

Os dribladores podem oferecer algo diferente a uma equipe acostumada a enfrentar defesas extremamente fechadas. O Manchester City frequentemente precisa encontrar espaços contra adversários que recuam e formam blocos compactos.

Na temporada passada, o City passou 23,4% de seu tempo de construção enfrentando um bloco baixo, terceira maior proporção da Premier League.

Nessas situações, trocar mais cinco ou dez passes pode ser suficiente para encontrar uma brecha. Mas um jogador como Ndiaye pode criar essa oportunidade de maneira muito mais rápida, utilizando uma mudança de direção ou um drible para romper a organização defensiva.

É justamente aí que entra o fator imprevisibilidade. Jogadores capazes de superar um adversário individualmente acrescentam uma dose de caos ao jogo, algo que pode ser valioso para uma equipe que precisa constantemente encontrar soluções contra defesas bem posicionadas.

Isso não significa que o Manchester City esteja abandonando os princípios de posse de bola associados à era Guardiola. A tendência parece ser outra: manter a estrutura e, ao mesmo tempo, adicionar novas formas de atacar.

Guardiola também gostava de dribladores

Curiosamente, a própria história de Guardiola no Manchester City ajuda a desmontar a ideia de que o treinador não gostava de jogadores que partiam para cima dos adversários.

Segundo o relato, quando chegou ao clube, uma das primeiras instruções de Guardiola para a equipe de recrutamento teria sido justamente encontrar jogadores capazes de driblar.

Além disso, algumas das equipes campeãs comandadas pelo espanhol tinham vários jogadores dispostos a tentar superar seus marcadores individualmente.

Em 2021/22, o Manchester City registrou 782 tentativas de drible na Premier League. Em 2020/21, foram 845. Já em 2018/19 foram 801, enquanto em 2017/18 o número chegou a 797.

Em todas essas temporadas, o City terminou entre os seis times que mais tentaram dribles na Premier League e também conquistou o título. Ainda assim, fora esses anos, a relação entre as duas estatísticas não foi tão direta.

Ndiaye pode completar o ataque do City

O Manchester City não é o único clube que valoriza jogadores capazes de carregar a bola e superar adversários. No entanto, caso Ndiaye seja realmente contratado, será difícil encontrar outro elenco da Premier League com uma concentração tão grande de dribladores.

Doku, Cherki, Semenyo e Ndiaye possuem características que podem tornar o ataque do City menos previsível. Em vez de depender exclusivamente da circulação da bola para encontrar espaços, a equipe terá cada vez mais jogadores capazes de criá-los individualmente.

Essa parece ser a principal mudança. O Manchester City não precisa abandonar seu futebol baseado em posse para se tornar mais agressivo no um contra um. Pelo contrário, pode utilizar os dribles como mais uma ferramenta dentro de sua estrutura.

A possível chegada de Ndiaye, portanto, seria mais do que uma contratação isolada. Ela reforçaria uma tendência que vem sendo construída pelo clube há algumas temporadas.

Doku abriu esse caminho, Cherki e Semenyo ampliaram as opções, e Ndiaye pode ser o próximo nome de um ataque cada vez mais preparado para criar o caos. Para o Manchester City, ter tantos dribladores no elenco pode ser justamente a maneira de encontrar novas respostas para um problema antigo: como desmontar as defesas mais fechadas da Premier League.

Foto: Reprodução