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Automobilismo Fórmula 1

Lauda, Mansell e Hamilton: Piastri tem exemplos para se inspirar após perder título na F1

Oscar Piastri viveu em 2025 um daqueles enredos clássicos da Fórmula 1 em que talento, desempenho e frustração caminham lado a lado. O australiano liderou boa parte do Mundial de Pilotos, chegou a abrir mais de 100 pontos de vantagem sobre Max Verstappen, mas viu o companheiro de McLaren, Lando Norris, crescer na segunda metade da temporada e conquistar o título. Piastri terminou o campeonato na terceira posição, atrás de Norris e do holandês da Red Bull, em um desfecho que surpreendeu muitos no paddock.

Apesar do golpe esportivo, o jovem de 24 anos não adotou um discurso derrotista. Pelo contrário. Em entrevista recente, Piastri afirmou preferir olhar o “copo meio cheio” e disse estar orgulhoso do próprio desempenho em sua terceira temporada na Fórmula 1. A postura revela maturidade rara para um piloto tão jovem e ajuda a entender por que ele segue sendo tratado como um nome destinado a grandes conquistas no futuro.

Oscar Piastri está completamente correto em sua leitura. A história da Fórmula 1 mostra, repetidas vezes, que temporadas dolorosas podem servir como alicerce para títulos mundiais. Há, no mínimo, três exemplos emblemáticos de pilotos que triunfaram na categoria máxima após colecionar decepções marcantes: Niki Lauda, Nigel Mansell e Lewis Hamilton. Todos eles viveram frustrações profundas antes de alcançar o topo.

Niki Lauda: da tragédia ao topo

Niki Lauda talvez seja o exemplo mais impactante de superação na Fórmula 1. Em 1976, o austríaco dominava o campeonato quando sofreu um acidente quase fatal no Grande Prêmio da Alemanha, em Nürburgring. Preso às ferragens, Lauda teve queimaduras graves e inalou gases tóxicos, ficando à beira da morte. Contra qualquer prognóstico médico, retornou às pistas apenas seis semanas depois.

Mesmo assim, acabou perdendo o título daquele ano para James Hunt por apenas um ponto. A frustração poderia ter encerrado sua trajetória, mas aconteceu o oposto. Em 1977, Lauda voltou ainda mais forte e conquistou seu segundo campeonato mundial com a Ferrari. Anos depois, já em uma nova fase da carreira, provou novamente sua resiliência ao vencer o título de 1984 com a McLaren, consolidando-se como um dos maiores nomes da história da categoria.

Nigel Mansell: persistência recompensada

Nigel Mansell conheceu a crueldade da Fórmula 1 em 1986. O britânico precisava apenas de um terceiro lugar na última corrida da temporada para ser campeão, mas um estouro de pneu em alta velocidade destruiu suas chances e entregou o título a Alain Prost. A imagem do carro desgovernado simbolizou uma carreira marcada por quase-acertos.

Mesmo após novos vice-campeonatos e críticas constantes, Mansell persistiu. A recompensa veio em 1992, quando, com a Williams dominante, conquistou o título de forma avassaladora. O campeonato não apagou as frustrações anteriores, mas deu sentido a anos de luta e confirmou que o talento, aliado à perseverança, costuma ser recompensado na Fórmula 1.

Lewis Hamilton: resposta imediata

Lewis Hamilton também aprendeu cedo que a Fórmula 1 não perdoa erros. Em sua temporada de estreia, em 2007, ele chegou às duas últimas corridas com vantagem confortável no campeonato, mas falhas estratégicas e erros de pilotagem permitiram que Kimi Räikkönen conquistasse o título por apenas um ponto. Foi um choque para um novato que parecia imbatível.

A resposta, porém, foi imediata. Em 2008, Hamilton voltou mais forte mentalmente e venceu seu primeiro campeonato mundial em uma das finais mais dramáticas da história, ultrapassando Timo Glock na última volta do GP do Brasil e superando Felipe Massa por um ponto. A partir dali, construiu uma carreira lendária, com múltiplos títulos.

Oscar Piastri está com moral

À luz desses exemplos, o momento de Oscar Piastri ganha outra dimensão. Ele está com moral dentro do paddock. O CEO da McLaren, Zak Brown, afirmou que o australiano “não precisa se reerguer”, destacando que seu talento natural o credencia a ser campeão mundial em algum momento. Günther Steiner, ex-chefe da Haas, também seguiu a mesma linha ao tratar Piastri como um futuro campeão da Fórmula 1. A história mostra que perder um título pode ser apenas o primeiro passo para conquistar vários.

Foto: Motorsport Images