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Automobilismo Fórmula 1

Piastri vê Monza como “outro nível” e admite preocupação com queda de ritmo da McLaren

Oscar Piastri sabe que a McLaren terá um teste completamente diferente no Grande Prêmio da Itália. Depois de duas corridas em que a equipe mostrou força e viu Lando Norris conquistar vitórias consecutivas, o australiano chega a Monza sem saber se o bom momento da escuderia será suficiente para superar as características de um dos circuitos mais particulares da Fórmula 1.

Norris venceu na Hungria e repetiu o resultado na Holanda, em duas pistas marcadas por retas relativamente curtas e curvas longas. O desempenho da McLaren nesses circuitos aumentou as expectativas em relação a uma possível reação da equipe na disputa pelo campeonato.

Monza, porém, apresenta um desafio completamente diferente. Conhecido como o “Templo da Velocidade”, o circuito italiano é o mais rápido do calendário da Fórmula 1. As equipes precisam reduzir drasticamente o nível de pressão aerodinâmica para conseguir atingir velocidades elevadas nas longas retas, enquanto ainda precisam encontrar equilíbrio suficiente para manter o carro competitivo nas frenagens e nas curvas.

O MCL40 é conhecido por apresentar um nível de arrasto relativamente alto, característica que pode prejudicar seu desempenho em um circuito como Monza. Depois de duas etapas em que o carro conseguiu explorar suas principais qualidades, a equipe agora terá de descobrir se a evolução recente realmente representa uma mudança de patamar ou se foi favorecida pelas características específicas dos circuitos anteriores.

Piastri sabe que Monza será um teste completamente diferente

Piastri não escondeu a cautela ao falar sobre as chances da McLaren na Itália. Para o australiano, não é possível simplesmente utilizar os resultados da Hungria e da Holanda como referência para prever o desempenho em Monza. “Monza vai ser um desafio completamente diferente por vários motivos. Teremos que esperar para ver se esse ritmo se traduz para outros circuitos”, explicou Piastri.

O piloto também destacou que os dois últimos circuitos tinham características que ajudavam a McLaren a explorar melhor seu pacote. Apesar de serem pistas bastante distintas em alguns aspectos, tanto Hungaroring quanto Zandvoort possuem muitas curvas e trechos em que o desempenho aerodinâmico e a capacidade de manter velocidade em curvas longas são fundamentais.

Monza exige outra abordagem. Com grandes retas separando as principais zonas de frenagem, cada equipe precisa encontrar o equilíbrio ideal entre velocidade máxima e desempenho nas curvas. Um carro rápido nas curvas, mas com muito arrasto, pode perder uma quantidade significativa de tempo nos trechos de aceleração.

Por isso, a etapa italiana deve servir como uma espécie de diagnóstico para a McLaren. Se Norris e Piastri conseguirem manter a competitividade mesmo em um circuito que teoricamente expõe uma das principais fraquezas do carro, a equipe poderá deixar Monza ainda mais confiante para o restante da temporada.

Piastri ainda tenta encontrar o ritmo ideal

Além da preocupação coletiva da McLaren, Piastri também chega à Itália tentando solucionar seus próprios problemas. O australiano reconheceu que vem enfrentando dificuldades para extrair o máximo do carro, especialmente durante as corridas. Segundo ele, o comportamento da traseira do MCL40 tem sido complicado e prejudicado sua confiança. “Nas corridas, a traseira do carro é muito difícil de conduzir. Até mesmo na classificação, nas últimas corridas, tem sido complicado”, explicou.

Em Zandvoort, porém, Piastri sentiu uma melhora. O piloto afirmou que se sentiu mais confortável durante o fim de semana holandês, especialmente na classificação, quando conseguiu encontrar um equilíbrio melhor com o carro. “Foi muito mais agradável na classificação e eu me senti muito mais confiante”, disse.

Ainda assim, a melhora não foi suficiente para resolver completamente o problema. Piastri admitiu que, em determinados momentos da corrida, conseguiu se sentir melhor ao volante, mas que a velocidade geral ainda não estava onde precisava estar. “Em alguns momentos da corrida, senti que estava muito melhor, mas o ritmo simplesmente não estava lá”, afirmou.

E esse é justamente o ponto que mais preocupa. Segundo o australiano, não se trata de um problema isolado de uma única etapa. Em algumas corridas, ele conseguiu apresentar um desempenho muito forte, mas em outras ficou muito distante do ritmo necessário. “Não é a primeira corrida neste ano em que isso aconteceu. Algumas foram boas, algumas foram muito fortes, mas já foram muitas em que ficamos muito longe”, reconheceu.

Monza pode revelar a verdadeira força da McLaren

O Grande Prêmio da Itália, portanto, chega em um momento importante para a McLaren. A equipe conseguiu se recuperar de um início de temporada mais complicado e, com as atualizações recentes, voltou a demonstrar um ritmo capaz de incomodar Mercedes e as demais equipes da frente.

Norris é o principal exemplo dessa evolução. O britânico chega a Monza embalado por duas vitórias consecutivas e voltou a colocar pressão na disputa pelo campeonato. A diferença para a liderança ainda é considerável, mas o cenário é muito mais favorável do que algumas semanas atrás.

Piastri, por outro lado, precisa encontrar uma resposta rapidamente. Enquanto o companheiro de equipe ganhou confiança e passou a acumular vitórias, o australiano vem tentando entender por que não consegue extrair o mesmo desempenho do carro.

Monza poderá ajudar a responder algumas dessas perguntas. Se a McLaren for competitiva mesmo com as longas retas e a necessidade de baixo arrasto, o resultado poderá confirmar que a equipe realmente deu um passo importante no desenvolvimento do MCL40.

Se o desempenho cair drasticamente, porém, as vitórias recentes de Norris poderão ser vistas mais como resultado de uma combinação entre características do carro e circuitos favoráveis. Para Piastri, o desafio é ainda maior.

O australiano não precisa apenas ajudar a McLaren a entender o comportamento do carro. Ele também precisa recuperar a velocidade que demonstrou em outros momentos da temporada e reduzir a diferença para Norris.

A expectativa, portanto, é de que Monza ofereça respostas importantes para ambos. Para a McLaren, será a chance de provar que sua evolução é real e pode funcionar em diferentes tipos de circuito.

 Para Piastri, será uma oportunidade de mostrar que suas dificuldades recentes são apenas uma fase e que ele ainda pode acompanhar Norris quando a disputa apertar. Em um campeonato no qual cada detalhe pode fazer diferença, o “outro nível” de desafio de Monza chega no momento certo.

Foto: (Reprodução/ Fórmula 1)