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PSG teria pagado mais de um milhão de euros a Mbappé por ‘bônus ético’; entenda

Recentemente, Kylian Mbappé ficou 60 milhões de euros mais rico. O francês, do Real Madrid, venceu uma batalha judicial contra o seu ex-time, o PSG, por salários e bônus não pagos. No meio dessa polêmica judicial, foi revelado que Mbappé deveria receber cerca de 1,5 milhão de euros em “bônus ético”.

Para muitos fãs de futebol, esse chamado “bônus ético” é uma novidade. Mas, ao que parece, na França é bem comum quando se trata de um contrato profissional com um jogador de futebol.

O “bônus ético” já foi notícia antes, principalmente quando detalhes do contrato de Neymar com o PSG foram revelados pelo jornal espanhol El Mundo. O contrato do atacante brasileiro previa um pagamento mensal de 541.680 euros. Para Mbappé, o bônus era de 500.000 euros por mês.

Reportagens destacaram cláusulas que exigiam que Neymar demonstrasse “cortesia, simpatia e disponibilidade aos torcedores”. Esperava-se também que ele “cumprimentasse os fãs antes e depois de cada jogo”.

Kylian Mbappé (Foto: Getty Images)
Kylian Mbappé (Foto: Getty Images)

O que é um “bônus ético” que Mbappé recebeu do PSG?

No futebol inglês, os clubes podem multar um jogador em até duas semanas de salário por uma infração menor. A legislação francesa proíbe qualquer dedução do salário de um trabalhador. Por isso, as equipes esportivas destinam uma pequena parte desse valor a um bônus ético. O salário base e o bônus ético constituem, na prática, o salário total do jogador.

Há alguns anos, Neymar foi protagonista de uma polêmica ao ter, supostamente, recebido dinheiro extra do PSG por aplaudir os torcedores.

Esperava-se que Neymar se comportasse de forma responsável perante os patrocinadores e os árbitros. Ele tinha que chegar aos treinos na hora certa e estava proibido de fazer apostas. Na prática, era um código de ética.

“Os clubes estão muito interessados ​​em proteger sua imagem”, disse Kieran Maguire, especialista em finanças do futebol, em entrevista à BBC Sport.

“Eles não querem que ninguém se exalte e critique o clube, por isso chamam isso de cláusulas de bom comportamento. Vimos algo semelhante com Tiger Woods e Lance Armstrong [que tinham cláusulas morais com os patrocinadores]. Portanto, cláusulas comportamentais são bastante comuns no esporte.”

No PSG, existem casos no qual o bônus ético foi retido pelo clube. Em 2018, Marco Verratti não recebeu o bônus após ser flagrado dirigindo embriagado. Em 2023, Lionel Messi foi punido pelo PSG após realizar uma viagem não autorizada à Arábia Saudita.

Para Neymar, o brasileiro tinha lista do que não fazer para receber o bônus ético: Sem comentários negativos sobre os clubes, em comentários adversos sobre as escolhas táticas, ausência de qualquer propaganda política ou religiosa, cortesia, cordialidade e disponibilidade para os torcedores, dentre outros quesitos.

Bônus é o novo normal do futebol

Os bônus agora representam uma parte importante do contrato de um jogador. Eles abrangem pagamentos de fidelidade, recebidos anualmente no aniversário de entrada do jogador no clube, além de direitos de imagem e bônus por gols marcados.

“O contrato que antes era redigido no verso de um guardanapo agora é um investimento de uma série de partes interessadas”, disse Maguire.

“Você tem o clube, o agente, a empresa de gestão, o jogador. E, muitas vezes, também a empresa que detém os direitos de propriedade intelectual do jogador. Vi alguns dos contratos dos seis grandes clubes, e há aumentos de 25% para quem participa da Liga dos Campeões.”

“Os melhores jogadores do mundo são tão requisitados que podem ganhar bônus enormes com seus direitos de imagem, chegando a ‘60% de base e mais 40% além disso’”, acrescentou Maguire.