A Batalha dos Sexos terminou em derrota de Aryna Sabalenka. Nick Kyrgios venceu por duplo 6/3, resultado que gerou uma série de comentários machistas sobre o confronto. No entanto, vivendo em um mundo paralelo, a número 1 da WTA apontou que se sentiu bem durante o jogo:
“Me senti muito bem. Acho que fiz uma grande luta. Ele teve dificuldades em alguns momentos e ficou bastante tenso. Acredito que o nível foi alto. Fiz muitos bons golpes, fui bastante à rede e consegui variar. Houve muitas bolas curtas, bons saques e pontos interessantes. Eu realmente aproveitei o jogo.”
Já o tenista de 30 anos também focou no ‘grande espetáculo’: “Foi um jogo realmente difícil. Ela é uma competidora incrível, uma grande campeã, vencedora de vários Grand Slam. Eu não sabia exatamente o que esperar. Houve quebras de saque, momentos de pressão dos dois lados. Ver alguém como a Aryna aqui comigo é um grande espetáculo.”
Ao continuar, o australiano ainda diz que o impacto do confronto irá além: “Não me considero exatamente um campeão esta noite. Acho que este evento representa um grande passo adiante para o tênis.” Mas seria essa impacto negativo ou positivo?
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Batalha dos Sexos foi mais um desserviço
Nas redes sociais, a maioria dos comentários sobre a Batalha dos Sexos eram machistas. Após o confronto, isso continuou e, nas publicações de Aryna Sabalenka, há diversas lembranças sobre o resultado do jogo. Se isso ficasse apenas na bielorrussa, seria mais um problema apenas para a própria tenista.
Mas não, são atitudes que irão respingar no tênis feminino como um todo. A WTA já é desvalorizada por diversos fãs de tênis, exatamente por essa ideia de que o esporte das mulheres é ‘inferior’ ao dos homens. Ainda há torneios que ainda oferecem prêmios menos para as tenistas, por exemplo.
Nas últimas décadas, as atletas vem lutando contra o machismo no esporte. No século passado, a Batalha dos Sexos entre Billie Jean King e Bobby Riggs foi uma virada de chave. Contudo, já se sabe, há muito tempo, que não é possível repetir o feito daquela partida.
E isso vem pela própria evolução que houve no esporte nos últimos anos. Tentar replicar o que aconteceu só faz com que tudo vire palhaçada. E fingir que a tentativa funcionou, só piora a situação, como no caso atual. O duelo entre Sabalenka e Kyrgios na Batalha dos Sexos não provou nada, mas deu gasolina para machistas aparecerem mais.
Os argumentos de que o tênis feminino é mais fraco e, por isso, menos atraente, ganharam mais força. A derrota de Aryna para um quase ex-jogador, que passou as últimas temporadas mais lesionado do que jogando, sequer está dentro do top 600, será usado para justificar o desprezo pelo esporte feminino.
E, de novo, se isso afetasse apenas a líder do ranking da WTA, seria um problema, mas ao menos seria só dela. Algo que a mesma cavou e se enterrou. Só que não será assim, ‘já que a n.º 1 do mundo não conseguiu superar um 671º da ATP, o que esperar das outras?’
Ou comentários como: ‘claramente o nível é mais baixo e, assim, não merece a mesma atenção e investimento que o tênis masculino.’ Como se a WTA e os torneios femininos já não sofressem com a falta de investimento. Como se as tenistas, principalmente as que não estão no topo, já não tivessem dificuldade o suficiente para ter patrocínios, por exemplo.
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Foto: Getty Images