Christian Horner, ex-chefe da Red Bull Racing (RBR), vem sendo especulado em diversas equipes da Fórmula 1 antes do início da temporada 2026. Além da Alpine, o nome do britânico chegou a ser oferecido para Lawrence Stroll, dono da Aston Martin, que preferiu rejeitar a contratação. A decisão contou com apoio direto do bicampeão mundial Fernando Alonso. Além de se manifestar contra a chegada de Christian Horner internamente, o espanhol também deixou claro publicamente que não via necessidade de a equipe britânica contratar o experiente executivo.
Esse posicionamento de Alonso ganhou ainda mais peso no momento em que a Aston Martin passa por uma reorganização profunda em sua estrutura. Recentemente, Adrian Newey foi promovido à chefia geral da equipe, deixando o comando direto do departamento de design, agora sob responsabilidade de Andy Cowell. Para Alonso, esse novo organograma já oferece liderança técnica e administrativa suficiente para sustentar o projeto a médio e longo prazo.
“Acho que com o Adrian assumindo o cargo agora, o Andy também assumindo diferentes responsabilidades e sendo muito capaz de fazer um bom trabalho, o Lawrence é um ótimo líder, determinado, sempre com o máximo comprometimento, coisas assim, não acho que precisamos de mais ninguém na gestão. Mas, obviamente, não é uma decisão minha”, afirmou o espanhol, em declaração que sintetiza bem o clima interno na Aston Martin.
Christian Horner precisa de autonomia
Christian Horner construiu praticamente toda a sua carreira na Fórmula 1 dentro da Red Bull Racing. Entre 2005 e 2025, foram duas décadas à frente da equipe, período em que acumulou títulos, poder e autonomia. Durante boa parte desses 20 anos, Christian Horner atuou com liberdade quase total para gerenciar operações, definir estratégias, contratar pessoal e conduzir o projeto esportivo da maneira que julgava mais adequada. Esse histórico moldou um perfil de gestor acostumado a comandar estruturas nas quais sua palavra tinha peso decisivo.
Por isso, para retornar à Fórmula 1, Horner precisaria encontrar um ambiente que lhe oferecesse margem para moldar um projeto praticamente do zero, sem herdar uma estrutura rígida e, sobretudo, sem precisar responder a um CEO ou proprietário com poder absoluto sobre as decisões finais. Esse cenário, no entanto, está longe de ser a realidade da Aston Martin.
A equipe de Silverstone tem um dono extremamente presente. Lawrence Stroll é conhecido por acompanhar de perto o dia a dia do time e não abre mão da palavra final. Um exemplo recorrente citado nos bastidores é a permanência de Lance Stroll, seu filho, como piloto titular. Independentemente de críticas externas, essa é uma decisão estratégica do proprietário, que dificilmente seria questionada ou revertida por um chefe de equipe, mesmo alguém do calibre de Horner. Na prática, o britânico teria que acatar diretrizes impostas pelo dono, algo bem diferente do modelo que desfrutou na RBR.
Fernando Alonso, o piloto mais experiente do grid, entende como poucos a importância da harmonia interna e da clareza hierárquica dentro de uma equipe de Fórmula 1. Ao longo de sua carreira, o espanhol vivenciou ambientes vencedores, como na Renault, mas também contextos marcados por disputas de poder e falta de alinhamento, que acabaram comprometendo resultados. Essa bagagem faz com que Alonso valorize projetos bem definidos, nos quais cada liderança tem funções claras e complementares.
Aos 44 anos, Alonso sabe que o tempo não joga a seu favor. Seu foco é ter um carro competitivo no curto e médio prazo, especialmente em um momento decisivo para a categoria, com a chegada de um novo regulamento técnico em 2026. Historicamente, equipes bem organizadas e com estruturas estáveis tendem a sair na frente em grandes mudanças de regras. Introduzir mais uma figura de poder, como Christian Horner, poderia gerar conflitos internos, atrasos decisórios e até disputas políticas desnecessárias.
Nesse contexto, o apoio de Alonso à decisão de Lawrence Stroll faz sentido. Para o espanhol, a Aston Martin já tem líderes suficientes para conduzir o projeto, e preservar a estabilidade pode ser mais valioso do que apostar em um nome de peso que exigiria autonomia e espaço dificilmente compatíveis com a filosofia atual da equipe.
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