A Aston Martin viveu um ano de 2025 discreto na Fórmula 1. Longe do protagonismo que chegou a flertar em temporadas anteriores, a equipe britânica terminou o campeonato apenas na sétima posição do Mundial de Construtores, com 89 pontos somados ao longo do ano. O desempenho modesto, porém, não representa necessariamente um sinal de estagnação. Pelo contrário: olhando para o horizonte de 2026, quando a categoria passará por uma profunda reformulação técnica, a Aston Martin tem motivos concretos para acreditar que pode voltar à briga pelo primeiro pelotão da F1.
A leitura interna é de que 2025 foi, em grande medida, um ano de transição. Enquanto rivais ainda insistiam em extrair o máximo de um regulamento próximo do fim, a equipe de Silverstone optou por antecipar decisões estratégicas e realocar recursos pensando no futuro. Essa escolha pode ter custado resultados imediatos, mas reforçou a convicção de que o novo ciclo pode recolocar a Aston Martin em posição mais competitiva.
Foco antecipado no novo regulamento
A preparação da Aston Martin para as mudanças nas regras da Fórmula 1 começou cedo. Segundo Fernando Alonso, o direcionamento do trabalho mudou já em abril de 2025, quando ficou claro que o teto de evolução do carro daquele ano era limitado. O bicampeão mundial destacou a importância desse planejamento antecipado ao falar com a imprensa.
“Mudamos o foco em abril, mais ou menos. Estou otimista, porque é um recomeço. Sabe, todos têm a chance de fazer um trabalho melhor do que os outros”, disse Alonso. “Começamos do zero, e isso é algo que sempre nos dá esperança. Nossas novas instalações já estão concluídas e temos nosso próprio túnel de vento”, continuou o espanhol.
A Fórmula 1 passará por uma reformulação significativa em 2026, com novos regulamentos aerodinâmicos e de unidades de potência. Os carros serão menores e mais leves, com maior ênfase na eficiência energética, no uso de combustíveis sustentáveis e em uma divisão diferente entre potência elétrica e do motor a combustão. A proposta da categoria é facilitar disputas, reduzir custos relativos e abrir espaço para que equipes que acertem no conceito inicial ganhem vantagem competitiva relevante.
A força da parceria com a Honda
Outro ponto central no otimismo da Aston Martin é a parceria exclusiva com a Honda a partir de 2026. A montadora japonesa deixará de fornecer motores para a Red Bull Racing e passará a concentrar todos os seus esforços na equipe britânica. Em um cenário de novas regras, ter um fornecedor totalmente alinhado e dedicado pode fazer enorme diferença.
Historicamente, mudanças profundas de regulamento costumam embaralhar forças, e o sucesso depende muito da integração entre chassi e unidade de potência. A Honda tem um histórico recente de competitividade e confiabilidade, além de já ter demonstrado capacidade de rápida adaptação a novos desafios técnicos. Para a Aston Martin, essa exclusividade significa acesso privilegiado a informações, desenvolvimento conjunto e menos concessões de compromisso, algo que pode se traduzir em vantagem real na pista.
Harmonia interna como trunfo
Além de estrutura e motor, a Aston Martin aposta no ambiente interno como um diferencial. A equipe optou por não trazer Christian Horner, ex-chefe da Red Bull Racing, justamente para preservar a harmonia entre dirigentes, engenheiros e pilotos. A decisão reforça a ideia de um projeto estável, sem rupturas bruscas de liderança.
“Aramco, Adrian Newey… então temos alguns bons motivos para sermos otimistas, mas este é um esporte muito competitivo e todos estão fazendo um ótimo trabalho. Então, veremos. Acho que muita coisa vai acontecer nos primeiros três ou quatro meses do ano, quando você descobre os carros e qual direção e filosofia cada um adotou, você aprende muita coisa nas duas ou três primeiras corridas.”
Se conseguir transformar planejamento, parceria técnica e estabilidade interna em desempenho, a Aston Martin pode voltar a realizar boas campanhas. Em 2023, a equipe terminou o campeonato em quinto lugar, com 280 pontos, enquanto Alonso foi quarto no Mundial de Pilotos, somando expressivos 206 pontos. Em 2024, veio novo quinto lugar, mas com apenas 94 pontos. O desafio agora é fazer de 2026 não apenas um recomeço, mas um retorno consistente ao grupo dos protagonistas da Fórmula 1.
Foto: Reprodução/Motorsport Images