A divisão dos meio-médios do UFC vive um momento de transição e tensão constante. Com mudanças recentes no topo, lesões importantes e disputas de narrativa fora do octógono, nomes relevantes tentam se posicionar estrategicamente para não perder espaço.
Nesse cenário, Joaquin Buckley, Belal Muhammad, Jack Della Maddalena e Shavkat Rakhmonov surgem como protagonistas de um jogo que mistura desempenho esportivo, provocações públicas e cálculo político dentro da organização.
Buckley tenta retomar o caminho das vitórias e quer ex-campeão
Joaquin Buckley talvez seja o nome mais barulhento desse grupo no momento. Após se estabelecer definitivamente na categoria dos meio-médios, Buckley construiu uma sequência de vitórias que o colocou no top 10 da divisão. Seu estilo agressivo, focado em nocautes e pressão constante, o transformou em um lutador vendável para eventos principais. No entanto, sua derrota por decisão unânime para Kamaru Usman em uma luta de cinco rounds esfriou momentaneamente sua ascensão direta ao topo.
Desde então, Buckley passou a usar outra arma para se manter relevante: o microfone. Ele tem sido vocal nas redes sociais e em entrevistas, chamando adversários que ocupam posições estratégicas no ranking. Primeiro, direcionou sua atenção a Shavkat Rakhmonov, um dos nomes mais temidos da divisão. Mais recentemente, voltou seus ataques para Belal Muhammad, ex-campeão dos meio-médios.
O chamado a Belal Muhammad não foi genérico. Buckley mencionou evento, data e local, sugerindo um confronto específico em Las Vegas no primeiro trimestre de 2026. A mensagem foi clara: Buckley quer uma luta grande, contra um nome estabelecido, e está disposto a pular a fila tradicional para isso. Para ele, vencer Belal significaria um atalho direto de volta à elite da divisão e possivelmente à conversa por disputa de cinturão.
Belal Muhammad, por sua vez, ocupa uma posição peculiar. Mesmo após conquistar o título e se firmar como um lutador extremamente consistente, sempre enfrentou resistência do público em termos de popularidade. Recentemente, ele perdeu a segunda seguida, dessa vez para Ian Machado Garry, e se viu sobrando na divisão, o que pode ser um problema.
Seu estilo baseado em volume, controle e estratégia raramente empolga as massas, mas produz resultados. Por isso, um confronto contra Buckley poderia ser interessante para ambos: Buckley ganha um ex-campeão no currículo, e Belal enfrenta um nome explosivo que pode reforçar sua relevância comercial.
Jack Della Maddalena diz que Rakhmonov é o “adversário ideal” para retornar ao topo do UFC
Enquanto Buckley tenta se projetar por meio de desafios públicos, Jack Della Maddalena segue uma abordagem mais cautelosa. O australiano, conhecido por seu boxe técnico e precisão, já esteve no topo da divisão e entende como poucas pessoas o funcionamento interno do UFC. Após perder o cinturão em um confronto difícil, ele deixou claro que sua intenção é retornar rapidamente à disputa de título, mas de forma estratégica.
Nesse contexto, Shavkat Rakhmonov surge como o adversário ideal para retorno ao UFC aos olhos de Della Maddalena. Rakhmonov é visto por muitos como o lutador mais completo da categoria, com um cartel impressionante e alto índice de finalizações. Ao mesmo tempo, vem de um período de inatividade devido a lesões e cirurgia, o que cria uma janela de oportunidade. Enfrentá-lo agora, segundo a lógica de Della Maddalena, permitiria unir risco esportivo com grande recompensa competitiva.
O interesse de Jack em lutar contra Rakhmonov não é apenas técnico. Existe também um fator narrativo no UFC. Vencer alguém com o status de “invencível” e “futuro campeão” é uma das formas mais rápidas de se recolocar no topo da divisão. Além disso, é uma luta que interessa ao UFC, pois ajuda a destravar a fila de contenders em um momento em que o cinturão e os principais desafiantes passam por indefinições.
Shavkat Rakhmonov, no entanto, não parece apressado. Apesar de responder às provocações de Buckley de forma direta e até desdenhosa, deixando claro que não o vê como prioridade, Rakhmonov mantém uma postura mais silenciosa em relação a Della Maddalena. Seu foco principal continua sendo a recuperação física completa e uma luta que o coloque, de forma clara, na rota do cinturão. Para ele, cada retorno ao UFC precisa fazer sentido esportivo e estratégico.
Esse emaranhado de interesses revela muito sobre o momento atual dos meio-médios. Buckley tenta subir rapidamente usando confrontos de alto impacto. Belal busca se manter relevante após o título, mesmo enfrentando críticas ao seu estilo. Della Maddalena procura uma rota inteligente de retorno ao topo. Rakhmonov, por sua vez, representa o fator incógnita: um lutador temido, respeitado e aguardado, cuja simples volta ao octógono já reorganiza toda a divisão.
O UFC observa tudo com atenção. Provocações públicas, chamados diretos e disputas verbais não são apenas ruído. São ferramentas de negociação. Quem gera engajamento, quem oferece lutas que “vendem” e quem aceita riscos calculados tende a ganhar vantagem na hora das marcações oficiais.
Independentemente de quais desses confrontos se concretizem primeiro, uma coisa é certa: a divisão dos meio-médios do UFC está longe de ser previsível. E enquanto alguns lutadores falam alto para garantir espaço, outros trabalham silenciosamente para transformar o momento certo em uma chance real de ouro.