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Salah: depois da dor no Marrocos, o que vem pela frente para o egípicio no clube e na seleção

Mohamed Salah saiu do gramado em Tânger sem lágrimas, mas isso não significa que a eliminação do Egito tenha doído menos. O pequeno sorriso após o apito final escondia uma frustração antiga, quase recorrente. Mais uma vez, o sonho da Copa Africana de Nações terminou antes da final. Mais uma vez, o carrasco foi o Senegal. E, como se o roteiro gostasse de crueldade, com Sadio Mané do outro lado.

Dentro de campo, Salah fez tudo o que estava ao seu alcance. Em cinco jogos como titular no Marrocos, marcou quatro gols e foi o grande motor de um Egito que chegou até a semifinal na base da insistência, da liderança e do talento individual. Não à toa, depois da vitória sobre a Costa do Marfim nas quartas, o camisa 10 definiu aquela concentração como a melhor que já viveu com a seleção.

O problema é que, quando o assunto é Afcon, o final quase nunca é feliz para Salah. O peso emocional parece crescer a cada edição, especialmente para um jogador que já venceu praticamente tudo no futebol europeu, mas ainda não conseguiu colocar esse troféu na prateleira.

O retorno a Liverpool em meio a incertezas

Assim que terminar a disputa do terceiro lugar contra a Nigéria, em Casablanca, Salah deve voltar para Merseyside. E esse retorno acontece num momento delicado, tanto para o jogador quanto para o Liverpool. Ele não entra em campo pelo clube desde 26 de novembro, quando foi titular na derrota por 4 a 1 para o PSV, pela Champions League.

Desde então, os Reds não perderam mais. São 11 jogos de invencibilidade, com seis vitórias e cinco empates. O detalhe é que o desempenho tem deixado a desejar. O próprio Arne Slot admitiu recentemente que não discorda totalmente das críticas de que o time tem jogado um futebol pouco empolgante nesse período.

A ausência de Salah coincidiu também com um momento turbulento fora de campo. Há pouco mais de um mês, o egípcio deu uma entrevista forte após um jogo em Leeds, acusando o clube de tê-lo “jogado aos leões” depois de ficar três partidas seguidas no banco. Ele ainda afirmou que sua relação com Slot havia se desgastado.

Bastidores quentes e clima amenizado

Depois daquele episódio, Salah chegou a ser cortado de um jogo contra a Inter de Milão, mas curiosamente não foi multado. Voltou ao elenco dias depois, contra o Brighton, e entrou ainda no primeiro tempo por causa da lesão de Joe Gomez. Deu uma assistência, foi aplaudido pela torcida e, ao fim da partida, fez questão de agradecer os quatro lados de Anfield, embalado pelo tradicional canto do “Egyptian King”.

Nos bastidores, a crise foi sendo abafada. Slot afirmou que não havia mais nenhum problema a resolver, enquanto Curtis Jones revelou que Salah pediu desculpas aos companheiros pelo impacto da entrevista. A sensação interna é de que o assunto ficou para trás, ao menos por enquanto.

Mesmo sem Salah, o Liverpool seguiu pontuando, mas perdeu peças importantes. Alexander Isak sofreu uma lesão na perna e só deve voltar em março, enquanto Conor Bradley está fora do restante da temporada por conta do joelho. O elenco, que já não é tão profundo, começa a sentir o peso do calendário.

Quando Salah volta a jogar pelos Reds

Salah não estará disponível para o jogo contra o Burnley neste sábado. As regras da Fifa determinam que o jogador só pode deixar a seleção na manhã seguinte ao último compromisso oficial, e o Egito ainda entra em campo no mesmo dia pela disputa do terceiro lugar da Afcon.

A tendência é que ele retorne à Inglaterra no domingo. O Liverpool não confirma oficialmente quando ele volta a ficar à disposição, mas a expectativa é que seja relacionado para o duelo contra o Marseille, fora de casa, pela Champions League, na próxima semana. Depois disso, os Reds ainda enfrentam o Bournemouth pela Premier League.

Com tantos desfalques, Salah deve ser opção importante desde o início. A dúvida está em onde ele será utilizado. Com Bradley fora, Jeremie Frimpong deve assumir a lateral direita, o que abre espaço para Salah voltar ao seu corredor preferido. Outra alternativa é Slot mantê-lo mais centralizado, dependendo do desenho tático.

O sonho africano que insiste em escapar

Antes da semifinal, Salah foi direto ao falar sobre seu maior objetivo. Disse que ninguém queria mais aquele título do que ele e que convive com essa pressão há anos. Não é exagero. Em 2021, viu Mané marcar o pênalti decisivo da final enquanto ele aguardava como quinto cobrador. Em 2023, foi criticado por deixar o torneio ainda na fase de grupos por causa de uma lesão.

A próxima chance real de conquistar a Afcon será em 2027, no torneio que acontecerá no Quênia, Uganda e Tanzânia. Salah terá 35 anos naquela altura, mas segue em excelente condição física. Coincidentemente, seu contrato com o Liverpool também termina naquele verão.

No curto prazo, tudo indica que ele seguirá nos Reds pelo menos até o fim da temporada. A ideia é que lidere o Egito também na Copa do Mundo. O que acontece depois disso ainda é um grande ponto de interrogação.

Futuro indefinido e novas possibilidades

Salah é um jogador que não aceita ser coadjuvante. Quer jogar, quer ser protagonista. Se perceber que não terá esse papel em Liverpool, outras opções vão surgir naturalmente. O exemplo de Mané, que segue rendendo bem no futebol saudita, mostra que uma mudança para o Oriente Médio pode ser viável, tanto esportiva quanto financeiramente.

Por ora, porém, o foco está no presente. O Liverpool precisa dele. Slot precisa reintegrá-lo ao time sem reacender antigas tensões. E Salah precisa mostrar, mais uma vez, que ainda é capaz de decidir jogos grandes, seja na Premier League, seja na Champions.

Depois da dor no Marrocos, a resposta de Salah não virá em palavras. Virá em campo. E esse próximo capítulo, tanto para o clube quanto para a seleção, promete ser decisivo para definir como essa história será lembrada.