O Manchester City está muito perto de fechar a contratação de Marc Guehi, do Crystal Palace, por cerca de £20 milhões. Caso o acordo seja concluído, o zagueiro inglês se tornará o 25º defensor contratado pelo clube desde a chegada de Pep Guardiola, em julho de 2016, um número que por si só já diz muito sobre a forma como o treinador espanhol enxerga o jogo.
Segundo dados do Transfermarkt, esse possível negócio levará o investimento total do City em defensores para aproximadamente £1,379 bilhão ao longo da era Guardiola. É um valor impressionante, que coloca o clube bem à frente dos demais integrantes do chamado “top 6” da Premier League no quesito reforços defensivos.
Para efeito de comparação, nesse mesmo período o Liverpool contratou de forma permanente 10 defensores, o Arsenal 19, o Chelsea 20, o Manchester United 15 e o Tottenham 17. Nenhum outro clube investiu tanto, em quantidade e qualidade, quanto o City no setor mais estratégico do time de Guardiola.
Resultados dentro de campo justificam o investimento
Os números ajudam a explicar essa obsessão por reforçar a defesa. Desde que Guardiola assumiu o comando técnico, o Manchester City conquistou seis títulos da Premier League, uma Champions League, duas FA Cups, quatro Copas da Liga Inglesa e ainda o Mundial de Clubes. É uma das sequências mais dominantes da história recente do futebol europeu.
Mesmo com algumas apostas que não chegaram a entrar em campo, o saldo segue extremamente positivo. Jogadores como Yan Couto, Pedro Porro e Pablo Marí, por exemplo, foram contratados, não se firmaram no elenco principal, mas acabaram vendidos com lucro, mostrando que o City também sabe transformar ativos defensivos em retorno financeiro.
A tentativa de fechar com Guehi se explica muito pelo momento atual. As lesões de Ruben Dias, John Stones e Josko Gvardiol deixaram Guardiola com poucas opções experientes para uma sequência pesada de jogos envolvendo Premier League, Champions League e copas nacionais. Hoje, Abdulkodir Khusanov, Nathan Aké e Max Alleyne são as principais alternativas para o miolo de zaga.
Gvardiol, Dias e Stones: pilares recentes da defesa do City
Entre todas as contratações defensivas, Josko Gvardiol é uma das mais emblemáticas. O croata custou £77 milhões e se tornou o segundo reforço mais caro da história do clube, atrás apenas de Jack Grealish. Versátil, atua tanto como zagueiro quanto como lateral-esquerdo e virou peça fundamental logo em sua primeira temporada completa.
Além da solidez defensiva, Gvardiol ainda mostrou faro de gol, marcando 11 vezes na Premier League. No entanto, uma grave fratura na tíbia, sofrida em janeiro, o deixará afastado por um longo período, o que acelerou a busca por mais reforços no setor.
Ruben Dias também merece destaque. Contratado junto ao Benfica por £65 milhões, o português mudou o patamar da defesa do City imediatamente. Em sua temporada de estreia, liderou o time rumo ao título da Premier League sofrendo apenas 32 gols e ainda foi eleito o melhor jogador da competição.
John Stones, por sua vez, é o defensor mais longevo da era Guardiola. Contratado em 2016 por £47,5 milhões, ele passou por altos e baixos, mas teve papel decisivo na campanha da Champions League, especialmente quando foi utilizado como zagueiro híbrido, avançando para o meio-campo. As constantes lesões, porém, colocam em dúvida sua permanência após o fim do contrato.

Laterais que marcaram época no Etihad
Kyle Walker é outro nome que simboliza o sucesso dessa política de investimentos. Comprado do Tottenham por £45 milhões, o lateral-direito se tornou referência defensiva e física na Premier League. Com sua velocidade, foi peça-chave para neutralizar alguns dos principais atacantes do continente ao longo dos anos.
Walker conquistou 17 títulos com a camisa do City antes de deixar o clube, inicialmente emprestado ao Milan e depois vendido ao Burnley. Sua saída marcou uma mudança de perfil, com Guardiola passando a apostar mais em jogadores técnicos e versáteis, como Rico Lewis e Matheus Nunes.
Nathan Aké também se encaixa nesse grupo. Contratado do Bournemouth por £40 milhões, nunca foi unanimidade, mas sempre entregou consistência quando acionado. Teve papel importante na campanha da Champions League e mostrou capacidade de atuar tanto como zagueiro quanto como lateral-esquerdo.

Outros investimentos e negócios inteligentes
Aymeric Laporte é mais um exemplo de aposta pesada que deu retorno esportivo. O espanhol custou £57 milhões em 2018 e formou grandes parcerias defensivas ao longo de sua passagem, conquistando cinco Premier Leagues. Foi vendido ao Al-Nassr por £23,6 milhões após a chegada de Gvardiol.
João Cancelo teve uma trajetória mais turbulenta. Comprado por £60 milhões, demorou a engrenar, mas viveu grande fase como lateral construtor, participando ativamente da criação ofensiva. Um conflito interno com Guardiola, porém, culminou em empréstimos e na venda definitiva ao Al Hilal.
Além desses nomes mais conhecidos, a lista é extensa. O City investiu em laterais-direitos como Pedro Porro, Yan Couto e Issa Kabore; zagueiros como Akanji, Khusanov e Victor Reis; e laterais-esquerdos como Benjamin Mendy, Zinchenko e Angeliño. Muitos não se firmaram, mas ajudaram a manter o ciclo de renovação constante.
Guehi como continuação de um modelo consolidado
Se confirmada, a chegada de Marc Guehi não será um movimento isolado, mas a continuidade de um projeto que Guardiola construiu ao longo de quase uma década. O City prefere errar por excesso de opções do que ficar vulnerável em momentos decisivos da temporada.
Com um investimento bilionário, inúmeros títulos e uma defesa que se reinventa constantemente, o Manchester City mostra que, para Guardiola, o caminho para o sucesso começa de trás para frente. E tudo indica que essa filosofia ainda está longe de mudar.
