Morgan Rogers comemora. O jogador novamente foi protagonista do triunfo do Aston Villa. Foto: Reprodução/ Premier League
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Morgan Rogers vive estrelato no Aston Villa e sonha com Copa do Mundo

Se tem uma palavra que define Morgan Rogers hoje, ela é a mesma que o próprio escolheu para se apresentar: “único”. O ponto principal desta história, é que não é algo bizarro considerar esse ponto uma realidade, ele simplesmente está dizendo o que todos andam observando. Aos 23 anos, o jogador do Aston Villa deixou de ser uma promessa para virar protagonista de um dos projetos mais interessantes da Premier League e, de quebra, ganhou espaço na seleção inglesa, superando até um certo Jude Bellingham em convocações recentes.

Rogers vive a melhor temporada da carreira justamente no momento em que o Aston Villa resolve desafiar a lógica. O time de Unai Emery aparece entre os primeiros colocados da Premier League, flertando com algo que, meses atrás, soaria quase como um sonho distante: uma briga real pelo título. Na Europa League, o cenário é parecido. Terceiro colocado na fase de liga, com cinco vitórias em seis jogos, o Villa chega forte para a reta decisiva e encara o Fenerbahçe fora de casa com moral elevada.

No centro disso tudo está Morgan Rogers. O principal artilheiro do time na competição, o jogador que mais finaliza, aquele que sempre aparece para pedir a bola quando o jogo aperta. Chegou a ser muito procurado antes da temporada começar, tendo seu nome vinculado ao Tottenham, mas as altas cifras pedidas pelos Villains, espantaram essa possibilidade, o que com certeza, a diretoria lembra com um sorriso no rosto, o mesmo que os torcedores também devem ter.

Rogers se recusa a caber numa caixa

Em tempos de rótulos rápidos, Morgan Rogers faz questão de fugir deles. Meia, ponta, atacante, falso 9, camisa 10, escolha o número que quiser, no final das costas, apenas vestirá e fará seu trabalho. Ele se vê como alguém capaz de cumprir diferentes funções, desde que receba instruções claras e diretas. E esse é justamente um dos pontos que mais encantam Unai Emery e Thomas Tuchel.

“Posso ser o 10, o ponta ou o atacante. Se pedirem, eu faço”, resumiu o jogador, com uma confiança que nem passa perto de ser arrogante, mas sim consciente. Rogers entende o próprio jogo e sabe que sua diferença está na mistura rara de físico, mobilidade e capacidade técnica. Ele não é o clássico meia cerebral nem o ponta colado à linha. É um híbrido.

Talvez por isso tenha ganhado espaço no English Team mesmo competindo com nomes de peso. Em uma convocação recente, apareceu à frente de Jude Bellingham, decisão que causou burburinho, mas foi defendida por Tuchel com argumentos táticos. O treinador alemão deixou claro que não iria desmontar a estrutura da equipe para encaixar estrelas e Rogers, com sua versatilidade, encaixa em quase qualquer plano.

Do quase anonimato ao sonho da Copa do Mundo

Hoje, Morgan Rogers fala em Copa do Mundo com brilho nos olhos. Inglaterra no grupo com Croácia, Gana e Panamá, nos Estados Unidos, e ele já se vê como parte desse caminho, e não é bizarra essa realidade, é simplesmente real e com grandes chances de ocorrer. Não como titular absoluto, mas como alguém que sabe que pode ser útil, e muito, em diferentes cenários.

Ele já deu o primeiro passo: marcou seu primeiro gol pela seleção principal contra o País de Gales, em outubro. Um jogo simbólico, inclusive, porque Bellingham ficou fora daquela convocação. Coincidência ou não, foi ali que Rogers começou a deixar de ser “aposta” para virar realidade no radar da seleção, resolveu começar a dar as cartas, mostrar seu potencial, dar o próximo passo.

Mesmo assim, o discurso segue pé no chão. Rogers evita dizer que a Copa é obsessão, mas admite que o pensamento está ali, rondando. E como não estaria? É o auge do futebol, o ponto mais alto da carreira de um profissional. O sonho de qualquer criança que cresce chutando bola na rua.

Uma carreira nada linear e talvez por isso tão sólida

A história de Morgan Rogers não é de explosão precoce. Pelo contrário. Formado nas categorias de base do West Brom, ele passou pelo Manchester City ainda jovem, mas nunca conseguiu espaço no time principal. Rodou por empréstimos em Lincoln, Bournemouth e Blackpool, sempre tentando encontrar um lugar onde pudesse, finalmente, ser ele mesmo.

Foi no Middlesbrough que começou a ganhar mais minutos, mas a passagem durou pouco. Em fevereiro de 2024, o Aston Villa apareceu com uma proposta de 16 milhões de libras, valor que hoje já parece pechincha, com todas as cláusulas de desempenho batidas.

Curiosamente, uma das maiores inspirações de Rogers não veio do “lado azul” de Manchester. Cristiano Ronaldo, em sua primeira passagem pelo United, foi a grande referência. A liberdade, a ousadia, a coragem de tentar de novo mesmo errando. Ele também cita Pogba e Yaya Touré, jogadores altos, fortes e tecnicamente refinados. A diferença é que o inglês faz questão de reconhecer: ainda não chegou perto do nível deles. Mas está no caminho.

De vaias a aplausos: o dedo de Unai Emery

Nem tudo foi fácil nesta temporada. O próprio Rogers admitiu que começou mal. O Villa não venceu nas cinco primeiras rodadas da Premier League, e ele sofreu com críticas, até vaias dos próprios torcedores, especialmente em um jogo contra o Bologna, pela Europa League, que com certeza, ficará marcado em sua memória.

Foi ali que Unai Emery mostrou por que é tão respeitado. Em vez de tirar o jogador, o técnico deixou Rogers em campo. Queria ver como ele reagiria à pressão. No dia seguinte, chamou-o para conversar e deixou claro: estava orgulhoso da forma como ele não desistiu.

Segundo o Morgan Rogers, aquele foi um ponto de virada. Mudou sua mentalidade, sua relação com o erro e com a pressão. Desde então, os números dispararam: 45 finalizações na Premier League, desempenho quase três gols acima do esperado em xG e uma presença constante nas jogadas decisivas.

O presente é forte e o futuro parece ainda melhor

Morgan Rogers chegou aos 100 jogos pelo Aston Villa recentemente, justamente em uma derrota. Um detalhe quase irônico para alguém que simboliza tanto o crescimento do clube. Ele não é apenas um bom momento. É parte estrutural de um projeto que funciona, e tem seguido um ótimo caminho, dando espaço para os torcedores sonharem com todas as possibilidades possíveis.

Versátil, confiante, resiliente e cada vez mais decisivo, Rogers deixou de ser apenas “mais um” no elenco. Hoje, é diferencial. Para o Villa, para Emery e, ao que tudo indica, para a Inglaterra também.

Foto: Divulgação / Premier League