O São Paulo teve possivelmente o seu melhor desempenho técnico e tático durante esse início de temporada no clássico disputado contra o Palmeiras na Arena Barueri, em duelo válido pela 5ª rodada do Paulistão. Foram criadas muitas oportunidades de gol (sobretudo no primeiro tempo) e uma boa competitividade que deixou o torcedor surpreso positivamente considerando todas as dificuldades dentro e fora das quatro linhas. A decepção veio na etapa complementar com o segundo tempo e o placar de 3 a 1 que definiu o placar, mas o que realmente preocupou foi o desânimo do técnico Hernán Crespo restando poucos dias antes do início do Brasileirão.
Hernán Crespo parece estar desistindo do São Paulo
Antes da bola rolar, Crespo já havia sinalizado que estava impaciente com a situação atual do Tricolor ao afirmar que o clube está precisando de mudanças significativas, além de apontar mais uma vez os dedos para a direção em relação à falta de profundidade do elenco. O argentino chegou a desabafar ao afirmar que o São Paulo está enfrentando o seu “pior momento da história” ao apontar essa situação em entrevista para a TNT Sports.
Depois que a bola rolou e mais uma derrota veio, Crespo realimentou o seu pessimismo e disse claramente que o objetivo do Tricolor Paulista no Brasilierão será apenas escapar do rebaixamento, fugindo totalmente das expectativas que o torcedor coloca em relação à possibilidade de disputar vagas para competições europeias.
Dessa forma, Crespo tenta de eximir da culpa em relação aos problemas em que está ao seu alcance dentro das quatro linhas: a falta de desempenho suficiente para superar seus adversários na maior parte dos jogos. Houve uma expectativa criada com sua chegada depois da saída de Zubeldía, mas a comissão técnica atual parece ainda estar preso psicologicamente com a traumática eliminação para a LDU. Desta forma, fica difícil imaginar uma reação convincente.
Palmeiras foi muito mais assertivo que o São Paulo
O São Paulo, montado em um esquema que alternava entre o 4-3-3 e o 4-4-2, mostrou problemas crônicos na recomposição defensiva. A subida de Khellven (lateral-direito do Palmeiras) foi um pesadelo para o lado esquerdo tricolor, e o terceiro gol palmeirense ilustrou bem isso, quando o jovem das categorias de base apareceu livre na área para completar um cruzamento de Piquerez escorado por López.
Sem a presença de Lucas Moura (poupado pelo gramado sintético) e com falta de alternativas significativas tecnicamente, o Tricolor dependeu excessivamente de bolas paradas e cruzamentos de Enzo Díaz. O gol de Bobadilla surgiu dessa forma , em uma jogada de escanteio com desvio de Arboleda, mas foram poucas as jogadas criadas com qualidade.
Por outro lado, Flaco López dominou bastante as ações do Palmeiras e passeou pelos espaços que foram cedidos pelo São Paulo, flutuando para as pontas e recuando para atrair os zagueiros Alan Franco e Arboleda, criando espaços para as infiltrações de Mauricio e Khellven. Com dez gols sofridos em cinco partidas disputadas (e a pior defesa do Paulistão), o Tricolor iniciará o Brasileirão preocupado com a possibilidade de rebaixamento no estadual, não podendo focar 100% na disputa do principal campeonato da temporada.
Imagem: Gazeta Press



