Bruno Guimarães Newcastle
Futebol Premier League

Por que o Newcastle não consegue vencer em Bruno Guimarães

A ausência de Bruno Guimaraes voltou a escancarar um problema que o Newcastle ainda não conseguiu resolver. Sem o seu principal líder técnico em campo, o time mais uma vez teve dificuldades para competir em alto nível e acabou derrotado pelo Aston Villa por 2 a 0, em pleno St James’ Park.

Dessa vez, a experiência foi ainda mais dura para o brasileiro. Lesionado no tornozelo, Bruno acompanhou a partida das arquibancadas, ao lado da família, sem poder ajudar os companheiros. Um cenário bem diferente do habitual, já que ele costuma ser o centro nervoso da equipe dentro de campo.

O resultado reforça um dado impressionante e preocupante. Desde a estreia de Bruno Guimaraes na Premier League, há quase quatro anos, o Newcastle não venceu nenhuma das nove partidas da liga em que ele esteve ausente. Foram apenas cinco pontos conquistados em 27 possíveis, um número que diz muito sobre o peso do camisa 39.

Dependência que preocupa Eddie Howe

Após a partida, Eddie Howe tentou afastar a ideia de que o time depende exclusivamente de um jogador, mas reconheceu o impacto da ausência. Segundo o treinador, perder um atleta com as características de Bruno faz o Newcastle perder intensidade, criatividade e personalidade.

O problema é que essa dependência não é algo pontual. Ela vem sendo exposta sempre que o brasileiro não está disponível. Mesmo em jogos teoricamente acessíveis, o Newcastle costuma sofrer para controlar o meio-campo, acelerar a troca de passes e criar chances claras.

Howe deixou claro que não adianta buscar soluções externas agora. Sem janela de transferências aberta, a missão é extrair o máximo do elenco atual. Ainda assim, o desempenho coletivo mostra que substituir Bruno Guimaraes vai muito além de uma simples troca de peças.

Um jogo que pedia mais criatividade

A derrota para o Aston Villa não era um resultado inevitável. O Newcastle vinha embalado por uma grande vitória sobre o PSV Eindhoven na Champions League e mantinha uma sequência forte em casa pela Premier League, com gols marcados em todos os últimos jogos no St James’ Park.

Além disso, o Villa chegava desgastado, após uma longa viagem desde a Turquia, onde havia enfrentado o Fenerbahce pela Liga Europa. O contexto favorecia o Newcastle, que começou o jogo pressionando e criando boas oportunidades.

Sandro Tonali quase abriu o placar logo no início, em jogada individual, mas parou em Emiliano Martinez. Lewis Miley também teve boa chance de cabeça, mas o goleiro argentino apareceu novamente. Faltou, porém, alguém que organizasse o time no último terço do campo.

O que Bruno entrega que ninguém mais entrega no Newcastle

Após o apito final, Eddie Howe foi direto ao ponto ao explicar o que sentiu falta. Segundo ele, não se tratou de uma crítica aos jogadores que atuaram no meio-campo, mas sim da ausência de um perfil específico que só Bruno Guimaraes oferece.

O brasileiro é o jogador que pensa o jogo para frente. Ele pede a bola, acelera a circulação, quebra linhas e tenta passes que desorganizam defesas. Além disso, sua atitude competitiva contagia o time, principalmente nos momentos de dificuldade.

Os números e os episódios decisivos não deixam dúvidas. Bruno marcou gols importantes contra Leeds United, Crystal Palace, Burnley, Tottenham, Nottingham Forest e Fulham. Em vários desses jogos, o Newcastle destravou partidas complicadas justamente por causa dele.

Sem esse fator, o time fica previsível. Contra o Aston Villa, os atacantes Yoane Wissa e Nick Woltemade praticamente não finalizaram. Faltou ligação entre meio e ataque, algo que se repetiu também na rodada anterior, contra o Wolverhampton.

Villa mostra que é possível se adaptar

Curiosamente, o Aston Villa também entrou em campo desfalcado. Unai Emery não contou com John McGinn e Boubacar Kamara, dois jogadores fundamentais no meio-campo da equipe. Mesmo assim, o time conseguiu competir, se organizar e vencer fora de casa.

A diferença esteve na estrutura coletiva. O Villa soube ajustar seu sistema, venceu disputas no meio e protegeu bem a defesa. Mesmo sem Kamara, manteve intensidade e equilíbrio, algo que o Newcastle não conseguiu repetir sem Bruno Guimaraes.

Unai Emery destacou exatamente isso após o jogo. Para ele, uma equipe forte precisa estar preparada para lidar com ausências importantes, mantendo confiança nos jogadores disponíveis. Foi exatamente o que o Villa fez no St James’ Park.

Bruno Guimarães faz falta dentro e fora de campo

O Newcastle, por outro lado, não está acostumado a jogar sem Bruno. O brasileiro é extremamente regular e raramente fica fora. Na temporada passada, não perdeu nenhum jogo da Premier League. Na anterior, ficou de fora de apenas dois.

Essa durabilidade ajudou a construir um time moldado em torno de suas características. Quando ele não joga, o sistema perde referência, liderança e fluidez. Não é apenas uma questão técnica, mas também emocional.

Mesmo machucado, Bruno fez questão de se manifestar após a derrota. Em tom positivo, mostrou vontade de voltar o quanto antes e já projetou o duelo decisivo contra o Paris St-Germain, pela Champions League, como objetivo principal de recuperação.

Um problema que precisa de solução

A pergunta que fica é clara: até quando o Newcastle vai sofrer sempre que Bruno Guimaraes não estiver em campo? A resposta não é simples, mas passa por ajustes táticos, amadurecimento do elenco e, possivelmente, reforços no futuro.

Por enquanto, Eddie Howe terá que encontrar soluções internas. O calendário não vai aliviar, e a equipe seguirá disputando Premier League e Champions League em alto nível. Jogar sem Bruno não pode ser sinônimo automático de derrota.

Enquanto isso, o torcedor do Newcastle só pode torcer para que seu capitão volte o mais rápido possível. Porque, pelos números e pelo desempenho, fica cada vez mais evidente que o time ainda não aprendeu a vencer sem ele.