O São Paulo parecia muito próximo de um fracasso retumbante depois de uma sequência muito negativa de resultados antes do início do Brasileirão, com o técnico Hernán Crespo tendo afirmado que o objetivo central consistiria em fugir do rebaixamento no “pior momento da história” do clube.
No entanto, a chegada de Rafinha para assumir o departamento de futebol parece ter modificado todo a ambiente interno, dando a confiança necessária para os jogadores terem maior confiança novamente em suas capacidades e principalmente na possibilidade de deixar os problemas mais concentrados para o extracampo.
Desta forma, o Tricolor Paulista iniciou o Brasileirão com uma surpreendente vitória por 2 a 1 sobre o Flamengo e levou toda essa confiança para um clássico fundamental no Paulistão, onde a vitória por 2 a 0 sobre o São Paulo no Morumbis praticamente sacramentaram as chances do Tricolor ser rebaixado, dando ainda uma nova esperança para alcançar uma vaga nas finais do estadual.
São Paulo se impôs sobre o Santos no Morumbis
Crespo mais um vez se mostrou disponível à uma mudança tática fixa e escalou o São Paulo com formação 3-5-2 flexível, que se transformava em um 3-4-3 em momentos ofensivos. A partir disso, o time focou na saída com três, tendo Arboleda, Alan Franco e Sabino dando segurança para que os alas, Maik e Enzo Díaz, jogassem quase como pontas.
No entanto, o grande destaque tático consistiu em Marcos Antônio, atuando como o organizador recuado, distribuindo passes longos que quebraram as linhas do Santos. Na linha de frente, Luciano e o jovem chileno Gonzalo Tapia flutuavam constantemente, tirando os zagueiros adversários de suas posições fixas
Enquanto isso, o Santos de Juan Pablo Vojvoda começou com um 4-3-3 agressivo, tentando pressionar a saída de bola tricolor. No entanto, o plano ruiu aos 35 minutos do primeiro tempo, quando Gabriel Menino recebeu segundo cartão amarelo após falta dura em Marcos Antônio, exigindo que o Peixe sacrificasse o meia Rollheiser para recompor o meio com Zé Rafael, isolando Gabigol na frente e perdendo a capacidade de transição rápida.
Com um homem a mais, o São Paulo voltou do intervalo com Lucas Moura no lugar de Enzo Díaz, tornando o time extremamente vertical, tendo como estratégia “alargar” o campo para cansar o bloco defensivo do Santos. A estratégia acabou sendo bem efetiva, e o primeiro gol nasceu de uma pressão pós-perda onde Lucas participou ativamente, resultando em um chute desviado do chileno.
Enquanto isso, o segundo gol veio através da visão de jogo de Marcos Antônio, em um lançamento longo que encontrou Luciano nas costas de Vinícius Lira, sendo este um lance validado pelo VAR após dúvida de impedimento, sacramentando o triunfo do Tricolor Paulista.
O São Paulo foi superior porque soube adaptar sua superioridade numérica em superioridade posicional. Enquanto o Santos se retraiu excessivamente, o Tricolor usou a largura do campo e a precisão de seus meio-campistas para sufocar o rival. Esse novo comportamento pode ser muito fundamental para embalar o Tricolor neste início de temporada, deixando o torcedor um pouco mais aliviado em relação à projeção desanimada e pessimista que estava tomando conta do ambiente.
Imagem: Gazeta Press

