Após o fim do Australian Open 2026, Patrick Mouratoglou voltou a ser polêmico. Dessa vez, o treinador voltou a afirmar que a dupla Carlos Alcaraz e Jannik Sinner são melhores que o famoso Big 3. Entre os três, apenas Novak Djokovic está na ativa, mas, ao lado de Roger Federer e Rafael Nadal, fez história no tênis. Contudo, o francês acredita que o atual top 2 supera as três lendas:
“Para aqueles que acham que a vitória de Djokovic sobre Sinner na semifinal do Australian Open significa que o Big 3 jogou melhor do que Alcaraz e Sinner, isso é uma visão limitada. Não se pode pegar apenas uma partida como regra, inclusive Sinner venceu os cinco confrontos anteriores entre eles. Uma partida não vai me fazer mudar de opinião do que vi nos últimos 2 ou 3 anos.”
As falas foram feitas em um vídeo em suas redes sociais. E Mouratoglou fez uma análise do confronto Sinner e Djokovic em Melbourne: “Sinner se move mais rápido, bate na bola mais forte e mais cedo e saca melhor que Novak, mas Novak é o jogador mais forte no lado mental na história do tênis e isso que fez a diferença em sua carreira.”
Ao continuar, ainda afirmou: “Sinner venceu 12 pontos a mais que Djokovic na partida, mas ele perdeu porque Novak venceu os mais importantes, aqueles que contam mais. Novak não é um jogador melhor que Sinner, mas o maior competidor da história foi melhor que Sinner naquela partida.”

Patrick Mouratoglou está certo?
Ao defender seu argumento, Patrick Mouratoglou analisa não as conquistas, mas o que os tenistas mostram em quadra. O técnico está praticamente sozinho nisso, mas vem com essa afirmação desde o ano passado. Em junho o francês já havia dito que o nível apresentado por Carlos Alcaraz e Jannik Sinner era superou ao do Big 3.
Não há qualquer dúvida que ambos são os melhores tenistas da atualidade, e sim, acima de Djokovic também. O treinador não erra ao dizer que a vitória na semifinal foi algo isolado. Há um contexto por trás, com o sérvio tendo um inesperado tempo de descanso antes. Além disso, como muito bem apontado, seu mental é superior ao de qualquer outro.
Contudo, Sincaraz vive uma competição atual apenas entre si e essa é a grande diferença do Big 3. Nesse momento, não há qualquer outro competidor que consiga, de forma constante, enfrentar a dupla. A ‘briga’ entre Nole, Federer e Nadal, apesar de muito concentrada entre os três, também envolvia outros tenistas.
Não à toa houve também o ‘Big 4’, que incluia Andy Murray. O britânico, aliás, terminou o ano como n.º 1 do ranking em 2016, feito que não foi conquistado por nenhum outro tenista além do Big3 entre 2003 e 2021. Além disso, considerando desde o início da hegemonia de Novak, Roger e Rafael, outros atletas tiveram sucesso em conquistar um Grand Slam.
Em 2004, Federer dominou e só perdeu em Roland Garros, vencido por Gastón Gaudio. Em 2005, foi a vez de Marat Safin vencer o Australian Open, ainda antes da entrada de Djokovic na disputa. Os próximos três anos foram de vitórias apenas do Big 3 e só foi quebrado por Juan Martín del Potro, no US Open de 2009.
Murray ganhou nos Estados Unidos em 2012 e Wimbledon em 2013 e 2016. Ainda apareceu Stan Wawrinka, na Austrália em 2014, França em 2015 e Nova York em 2016. E Marin Cilic, no US Open de 2014. Ou seja, apesar do grande domínio apresentado pelo Big 3, alguns nomes conseguiram se destacar e ter seus momentos, derrotando as três lendas em algum momento.
Dominic Thiem e Daniil Medvedev ainda venceram a partir de 2020, quando começou o fim da hegemonia. A primeira vitória de Carlos Alcaraz veio em 2022 e Jannik Sinner ganhou pela primeira vez em 2024. A grande questão é: com o estado atual da ATP, nenhum outro tenista, além de Nole, foi capaz de vencer um Slam desde então.
A disputa que Alcaraz e Sinner travam é praticamente apenas entre eles, sem ninguém para realmente desafiar. Jovens, Sincaraz ainda pode crescer muito na carreira. Mas, por enquanto, o Big 3 ainda está em um patamar acima na história do esporte, exatamente pela disputas entre si e com outros grandes nomes do tênis.

Foto: Izhar Khan/AFP