Carlos Alcaraz
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Carlos Alcaraz revela solução pessoal para calendário insustentável da ATP; entenda

Carlos Alcaraz está de volta ao circuito após quatro meses sem jogar por conta de uma lesão no punho. Até o momento, o espanhol já entrou em quadra duas vezes no US Open, conquistando duas vitórias. Na noite desta quarta-feira (2), chegou a levar um susto contra o português Jaime Faria, perdendo o primeiro set.

Mesmo assim, o ex-número 1 da ATP aparenta estar em forma e segue como um dos favoritos para ser campeão do último Grand Slam do ano. Contudo, após o jogo e na entrevista coletiva, comentou sobre a pausa forçada, revelando que pretende parar mais vezes durante a temporada nos próximos anos.

O motivo é simples e já muito questionado por outros tenistas: o calendário da ATP.

Carlos Alcaraz celebrates after winning his Men's Singles match on Day Four of the 2026 US Open at USTA Billie Jean King National Tennis Center on Wednesday, September 2, 2026 in Flushing, NY. (Photo by Simon Bruty/USTA)
Carlos Alcaraz avançou para a terceira rodada do US Open. Foto: Simon Bruty/USTA

Carlos Alcaraz critica o calendário

Não é a primeira vez que Carlos Alcaraz critica o calendário da ATP, já tendo falado sobre o assunto no passado. O espanhol, assim como outros atletas, questiona a quantidade de torneios e a duração, especialmente dos Masters 1000. Durante a coletiva após a vitória sobre o Faria, sua pausa foi um dos assuntos comentados.

“Para ser sincero, tive uma pausa mais longa do que gostaria, obviamente não queria ter essa pausa por causa de uma lesão. No entanto, considerando o quão apertado está o calendário, no futuro, pretendo fazer algumas pausas, algumas mais longas.” E acrescentou:

“Talvez não quatro meses, mas um ou dois meses, perdendo alguns torneios, porque é impossível jogar todos. E estão adicionando mais torneios importantes. Isso é impossível, estamos vendo muitos jogadores se lesionando, muitos jogadores se cansando. Se não fizerem nada a respeito, veremos ainda mais casos no futuro.”

Dessa forma, é possível que Carlos passe a priorizar a participação apenas em Grand Slams. É claro, deve disputar também torneios preparatórios, mas o foco já não será estar em todas as competições possíveis. Dessa forma, também deve ficar ausente de alguns Masters 1000, especialmente quando são colados um ao outro.

As disputas no Canadá e em Cincinnati são um belo exemplo dessa situação, com uma começando no mesmo dia em que a outra termina. É impossível que os tenistas estejam preparados fisicamente para estar bem em ambos.

Carlos Alcaraz in action during a Men's Singles match on Day Four of the 2026 US Open at USTA Billie Jean King National Tennis Center on Wednesday, September 2, 2026 in Flushing, NY. (Photo by Garrett Ellwood/USTA)
Carlos Alcaraz afirmou que fará pausas maiores nas próximas temporadas. Foto: Garrett Ellwood/USTA

Carlos Alcaraz ainda é um dos menos afetados

Apesar das críticas de Carlos Alcaraz, também é preciso reconhecer que o tenista é um dos menos afetados pelo calendário. Assim como o rival Jannik Sinner e qualquer outro já bem estabelecido entre os melhores do mundo. Isso porque, financeiramente, a ausência de torneios não faz diferença para eles.

Em entrevista recente ao L’Équipe, o francês Corentin Moutet falou sobre o assunto: “Quando você não joga partidas, você não tem emprego. É por isso que a maioria dos jogadores compete mesmo com lesão. Jogar sem dor não existe. É preciso encontrar o equilíbrio certo entre o que é razoável e o que não é. É isso que estamos constantemente tentando encontrar.”

Mackenzie McDonald também deu sua opinião sobre jogar lesionado, em entrevista ao The Guardian: “Conheço vários jogadores neste momento que estão seriamente machucados. Mas sei que eles vão aparecer no US Open e entrar em quadra para garantir algum dinheiro, porque têm contas para pagar.”

E ainda prosseguiu: Querem ter um apartamento e precisam pagar sua equipe, incluindo treinador, fisioterapeuta e preparador físico. Os Grand Slam são o motor que permite a eles ganhar a vida, e precisam aproveitar isso. É a diferença entre colocar comida na mesa e conseguir viver. É isso que está em jogo para algumas pessoas.”

São esses os tenistas que acabam se prejudicando mais com o calendário. Diferente de Carlos Alcaraz, eles não possuem o privilégio de parar e descansar quando querem. A ATP, contudo, não tem se importado tanto com a situação e, nos últimos anos, o calendário tem ficado cada vez pior.

Foto: Matthew Stockman/Getty Images