A passagem de Endrick pelo futebol francês começou de forma impactante e barulhenta. Em apenas cinco partidas com a camisa do Lione, o atacante brasileiro já soma cinco gols e uma assistência, números que o colocaram rapidamente como protagonista da equipe. Emprestado pelo Real Madrid, o jovem deixou para trás um período apagado na Espanha e passou a ser peça central no time comandado por Paulo Fonseca, reacendendo o entusiasmo da torcida no Groupama Stadium.
A mudança de cenário é evidente. Em Madrid, Endrick era mais uma promessa em meio a um elenco estrelado, com poucas chances reais de mostrar seu futebol. Já na França, ganhou minutos, confiança e responsabilidade. O resultado foi imediato: atuações decisivas, presença constante na área e uma maturidade que surpreende para um jogador nascido em 2006.
Essa fase positiva também tem ligação direta com o futuro da Seleção Brasileira. A decisão de sair temporariamente do Real Madrid foi estratégica e contou com a influência de Carlo Ancelotti, que conhece bem o potencial do atacante. A ideia foi clara: buscar um ambiente onde Endrick pudesse jogar com regularidade e se colocar de vez na briga por uma vaga nos próximos Mundiais.
Aa invisibilidade em Madrid ao protagonismo em Lyon
Antes de chegar ao Lione, Endrick vivia dias discretos no Estadio Santiago Bernabéu. Sob o comando de Xabi Alonso, o brasileiro praticamente não entrou em campo. Foram poucos minutos em La Liga, contra o Valencia, e uma participação mínima na Champions League diante do Manchester City, no Etihad Stadium. Muito pouco para um jogador que chegou ao clube cercado de expectativa.
Parte disso se explica pela forte concorrência no Real Madrid e também por um problema físico enfrentado durante a pré-temporada, que atrasou sua adaptação. Em um clube que exige resultados imediatos, Endrick acabou ficando em segundo plano, sem espaço para errar ou evoluir com calma.
No futebol francês, o cenário mudou completamente. Paulo Fonseca apostou no brasileiro desde o início e foi recompensado. Endrick marcou três gols em uma única partida contra o Metz, além de balançar as redes diante de Lille e Stade Lavallois, pela Copa da França. Em pouco tempo, virou manchete nos principais jornais esportivos do país.
O segredo fora de campo e o staff de Endrick
O bom momento de Endrick não se explica apenas pelo que acontece dentro das quatro linhas. Fora de campo, o atacante montou uma estrutura digna de jogador consagrado. Segundo informações do El Chiringuito TV, o brasileiro conta com um staff de sete profissionais dedicados exclusivamente à sua carreira.
O principal nome é o do preparador físico Guido Spirandelli. Argentino, ele trabalhou por quatro anos no Real Madrid e deixou o clube espanhol para focar totalmente na preparação de Endrick. Spirandelli já atuou diretamente com atletas como Jude Bellingham e tem sido peça-chave no ganho físico e na explosão do jovem atacante.
Além disso, Endrick conta com um chef pessoal responsável por toda a sua alimentação, cuidando de cada detalhe nutricional. Fora do campo, a imagem também é tratada como prioridade. Um fotógrafo profissional e dois responsáveis pela comunicação cuidam da exposição do jogador, da relação com a imprensa e da presença nas redes sociais.
Contrato milionário e empréstimo estratégico
O Real Madrid sempre tratou Endrick como um projeto de longo prazo. O clube investiu cerca de 50 milhões de euros para tirá-lo do Palmeiras em 2024 e firmou contrato até junho de 2030. Mesmo com pouca idade, o brasileiro já recebe um salário elevado, pouco acima de 4 milhões de euros líquidos por temporada.
No acordo de empréstimo com o Lione, ficou definido que o clube francês arcará com cerca de 50% do salário até o fim da temporada. O empréstimo é seco, sem qualquer opção de compra ou cláusula futura. A ideia do Real Madrid é clara: permitir que Endrick ganhe experiência, confiança e protagonismo para depois reintegrá-lo ao elenco.
A diretoria merengue acredita que essa passagem pela Ligue 1 será fundamental para acelerar o processo de amadurecimento do atacante, tanto física quanto mentalmente.
A Juventus avaliou, mas decidiu não avançar
Antes de fechar com o Lione, Endrick também esteve no radar da Juventus. O estafe do jogador ofereceu seu nome ao clube italiano ainda em novembro, em um momento de insatisfação com o rendimento de Jonathan David e Lois Openda, contratados na temporada anterior.
Apesar de Jonathan David ter melhorado seu desempenho nos meses seguintes, com seis gols e quatro assistências desde o fim de novembro entre Serie A e Champions League, a Juventus seguia atenta ao mercado. Nomes como Jean-Philippe Mateta, Youssef En-Nesyri e Randal Kolo Muani chegaram a ser discutidos internamente.
No fim das contas, a Juventus optou por não avançar por Endrick. O clube entendeu que um empréstimo sem opção de compra não fazia sentido esportivo nem financeiro, já que acabaria apenas valorizando um ativo do Real Madrid sem possibilidade de retorno futuro.
Um passo calculado rumo ao topo
A escolha pelo Lione se mostrou acertada. Endrick encontrou um ambiente mais leve, um treinador que confia em seu talento e um campeonato que permite maior margem de crescimento. Em pouco tempo, voltou a ser decisivo e a chamar atenção do futebol europeu.
Se mantiver esse nível, o brasileiro retorna ao Real Madrid mais preparado e fortalecido, além de se recolocar com força nos planos da Seleção Brasileira. Em Lyon, Endrick deixou de ser promessa silenciosa para voltar a ser tratado como aquilo que sempre foi: um talento raro em plena ascensão.