Gabriel Bortoleto em ação com a Audi na pré-temporada da Fórmula 1
Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1: como Bortoleto está lidando com o novo carro da Audi no Bahrein?

Gabriel Bortoleto, nesta quinta-feira (12), foi um dos pilotos a participar do segundo e penúltimo dia de testes de pré-temporada da Fórmula 1 2026, no Bahrein. Em busca da adaptação ao novo carro da Audi, o brasileiro tem vivido momentos bons e outros complicados com o R26. Entre voltas consistentes e pequenas escapadas, Bortoleto começa a entender os limites do projeto alemão em meio a uma das maiores mudanças de regulamento da história recente da categoria.

A transição para a nova geração de carros tem exigido paciência e capacidade de leitura técnica. A Fórmula 1 inicia em 2026 um ciclo marcado por carros menores, com aerodinâmica reformulada e sistemas híbridos ainda mais complexos. Para Bortoleto, que encara sua segunda temporada completa como titular da Audi, o desafio não é apenas extrair velocidade, mas compreender como o conjunto reage em diferentes fases da volta.

Primeiro dia: foco nas sensações

Na quarta-feira (11), Bortoleto iniciou oficialmente seu programa mais extenso de testes com o novo carro. O brasileiro completou 49 voltas no circuito do Bahrein e encerrou a sessão com o 15º melhor tempo. Em uma fase em que as equipes priorizam quilometragem, coleta de dados e simulações de corrida, a posição na tabela pouco representa.

Bortoleto deixou claro que o objetivo era validar sistemas e acumular informações. Segundo ele, “tudo funcionou”, avaliação importante em um momento de estreia de novo regulamento. Ainda assim, Bortoleto ponderou que há muito caminho pela frente até que o carro atinja o nível ideal de competitividade e equilíbrio.

A Audi, que aposta em um projeto próprio para marcar sua entrada definitiva na categoria, concentra esforços na confiabilidade e na integração entre chassi e unidade de potência. Nesse cenário, Bortoleto atua quase como um engenheiro adicional dentro do cockpit, relatando vibrações, respostas de freio, comportamento de traseira e estabilidade em curvas de média e alta velocidade.

O 15º lugar, portanto, não causou alarde interno. Em testes, diferenças de combustível, mapas de motor e programas aerodinâmicos tornam a comparação direta praticamente inviável. O que importou para Bortoleto foi sentir que a base do carro é consistente e que o R26 responde às mudanças de acerto feitas na garagem.

Dificuldades de Bortoleto no 2º dia

Já nesta quinta-feira, o cenário foi mais movimentado. Bortoleto admitiu que os carros atuais, menores, híbridos e com aerodinâmica diferente, são mais ariscos. A nova filosofia reduz área de superfície e altera o fluxo de ar, o que deixa o comportamento menos previsível em determinadas situações.

O brasileiro revelou ter dado algumas escapadas ao longo do dia, consequência natural de quem está explorando limites. Apesar disso, Bortoleto registrou o sexto melhor tempo da sessão, mostrando que o potencial de desempenho existe quando a volta encaixa.

Ainda sem emitir um veredito definitivo sobre o novo carro da Audi, Bortoleto reconheceu que tanto ele quanto seus concorrentes enfrentam dificuldades semelhantes. “Foi uma bagunça”, declarou o jovem piloto, ao comentar especialmente os procedimentos ligados ao novo sistema híbrido.

Os novos sistemas de gerenciamento de bateria exigem que a energia seja carregada por até dez segundos, processo que altera completamente a dinâmica de largada e de retomada de velocidade. Para os pilotos, sincronizar o carregamento com o momento exato em que as luzes se apagam tornou-se um desafio adicional.

“A coisa dos 10 segundos e depois de 5 segundos eu já perdi a conta. Aí o motor acelera, marcha engatada e desengatada. Tem que soltar a embreagem. É uma bagunça. Era muito mais fácil no ano passado”, explicou Bortoleto, evidenciando o nível de complexidade envolvido.

A fala resume o sentimento do paddock. A nova geração de carros demanda coordenação precisa entre eletrônica, motor a combustão e entrega de potência elétrica. Qualquer erro de sincronização pode custar posições valiosas já na largada. Para Bortoleto, que ainda constrói intimidade com os engenheiros da Audi, cada saída à pista é um exercício de aprendizado acelerado.

Se por um lado as escapadas mostram que o limite ainda está sendo descoberto, o sexto tempo indica que Bortoleto consegue extrair performance quando tudo se alinha. O equilíbrio entre ousadia e cautela será determinante nas próximas semanas.

Com a primeira prova da temporada marcada para 8 de março, na Austrália, o calendário não oferece muito tempo para ajustes. Bortoleto terá que se adaptar o mais rápido possível às novas exigências técnicas e ao comportamento do R26. Em um campeonato que promete equilíbrio e imprevisibilidade, a capacidade de aprendizado rápido pode ser o diferencial do brasileiro em sua jornada na Fórmula 1.