Automobilismo Fórmula 1

Piastri critica regulamento de 2026 e alerta para riscos nas largadas da Fórmula 1

Oscar Piastri se juntou ao time de pilotos que reclamaram do regulamento de 2026 da Fórmula 1. Na contramão dos elogios feitos por seu companheiro Lando Norris, o australiano expressou preocupação em relação às largadas e ultrapassagens, tendo como foco o novo motor e a substituição do sistema DRS.

Enquanto pilotos como Max Verstappen e Lewis Hamilton concentraram suas críticas na perda da diversão em pilotar e do “pure racing”, Piastri enfatizou que os problemas podem ser também uma questão de segurança. Nos testes do Bahrein, alguns carros ficaram parados em uma simulação de largada.

Embora o piloto da McLaren tenha admitido que, na ocasião, a falha foi de comunicação e não técnica, ele ressalta que a complexificação pode ter impactos no começo das corridas. A remoção do MGU-H, que eliminava o ‘turbo lag’ (tempo de latência entre o acelerador e a resposta do turbo), tornou mais demorada a preparação para a largada, o que pode causar acidentes sérios caso algum piloto leve mais tempo para deixar o grid.

“As largadas precisam ser discutidas, porque, como todos vimos, agora é um processo bem complicado fazer uma largada segura, quanto mais competitiva. Então é algo que vamos discutir até Melbourne, com certeza”, afirmou Piastri.

Ele comparou o problema às corridas de Fórmula 2, onde são recorrentes os problemas de largada em que pilotos caem no chamado ‘anti-stall’ e ficam parados no meio da pista. Há não muito tempo, acidentes perigosos foram causados na categoria de base da F1 em decorrência disso, como quando Théo Pourchaire não conseguiu largar e foi atingido em cheio pelo brasileiro Enzo Fittipaldi (sobrinho de Emerson). Este último sofreu lesões que incluíram um calcanhar fraturado e um corte na sobrancelha.

Enzo Fittipaldi e Theo Pourchaire
Foto: Dan Mullan/Getty Images

Ultrapassagens preocupam Piastri

A partir desta temporada, o DRS — presente na F1 desde 2011 como artifício para auxiliar ultrapassagens — foi substituído por um sistema de aerodinâmica ativa que engloba asa traseira e dianteira. Agora, os carros contarão com dois modos, o Corner Mode (curvas), no qual as asas permanecem fechadas em posição normal, e Straight Mode (retas), similar ao DRS, mas com reclinação também das aletas dianteiras. Diferentemente do antigo sistema, os pilotos não precisam estar a uma distância predeterminada do carro à frente para usar o artifício, mas só poderão ser usados em áreas específicas por razões de segurança.

O propósito dos novos modos de aerodinâmica não é exatamente auxiliar as ultrapassagens, mas reduzir o consumo de energia. Para as disputas, os pilotos contarão com o modo de ultrapassagem, similar ao Push to Pass utilizado em categorias como Stock Car e Fórmula Indy. Ao estar 1s atrás do carro à frente, o modo pode ser ativado, o que libera 0,5MJ (megajoule) de energia extra, produzindo um ganho similar ao do DRS.

Para Piastri, o problema central é que os pilotos precisarão coletar a energia extra para usá-la, algo que considerou “não tão simples” graças a algumas das regras atuais. Além disso, a necessidade de administrar a energia irá obrigar os pilotos a tirarem o pé do acelerador nas retas, algo contra-instintivo para o esporte. Mas o australiano preferiu esperar para ver o impacto real das mudanças: “as ultrapassagens sempre serão difíceis de avaliar até termos uma corrida”.

Oscar Piastri
Foto: Kym Illman/Getty Images

Relação de forças sem mudanças drásticas

Até agora, as previsões sugerem que Mercedes e Red Bull são as favoritas a liderar o pelotão em 2026, com a Ferrari considerada uma outsider na briga pelo título. A McLaren tem sido uma das grandes incógnitas da pré-temporada, alternando bons resultados com sinais de preocupação.

Piastri endossa os indícios positivos sobre as três adversárias e projeta que as quatro equipes principais seguirão as mesmas, embora admita que é incerto onde o time “Papaya” estará se posiciona na briga.

Fora do ‘big-4’, a equipe que mais chamou a atenção nos testes do Bahrein e pode surpreender é a Haas, de Esteban Ocon e Oliver Bearman. O time americano, que agora conta com uma parceria técnica com a Toyota (embora siga usando motores Ferrari) figurou de forma consistente entre os dez primeiros. Entretanto, dificilmente se espera que a Haas tenha fôlego para bater de frente com Mercedes, Ferrari, Red Bull e McLaren.