A Ferrari chamou a atenção na segunda bateria de testes de pré-temporada da Fórmula 1 ao apresentar uma asa traseira capaz de rotacionar cerca de 270°. A solução gerou questionamentos imediatos sobre sua legalidade e eficiência, sobretudo diante do rigor aerodinâmico que marcou o último regulamento.
O recurso não era conhecido até a sessão matutina desta quinta-feira (19/02), penúltimo dia de atividades antes da abertura do campeonato. A transmissão oficial então destacou a câmera onboard do carro de Lewis Hamilton, que revelou o flape traseiro girando radicalmente e em sentido inverso ao que podia ser visto pela manhã. Na sessão vespertina, a escuderia voltou a utilizar a configuração convencional, o que dá indícios de que o dispositivo ainda está em fase de desenvolvimento.
Quais os ganhos potenciais da Ferrari com o mecanismo?

Se no passado a abertura da asa traseira estava restrita às zonas de DRS como artifício para auxiliar ultrapassagens, o conceito foi completamente reformulado para 2026. Com a eliminação do DRS, o chamado “modo reta” passa a integrar o conjunto de aerodinâmica ativa dos carros, que flexiona simultaneamente as asas traseira e dianteira.
A mudança elimina a necessidade de estar há 1 segundo do carro à frente para usá-lo. Agora, a ferramenta será voltada principalmente à redução do arrasto e à eficiência energética, um dos pilares centrais da nova geração da categoria, agora menos dependente da aerodinâmica. No caso da inovação da Ferrari, a asa gira 180° para além dos 90° da posição horizontal habitual, aumentando significativamente a abertura por onde passa o ar.
Uma asa com maior amplitude de abertura oferece ganhos significativos. Além de favorecer velocidades finais superiores nas retas, o recurso contribui diretamente para a economia de energia, que será responsável por cerca de 50% da potência dos motores. Isso diminui a necessidade do “lift and coast” (quando o piloto tira o pé do acelerador antes do ponto ideal de frenagem para economizar), o que, no curso de uma corrida, pode representar segundos ou até posições importantes.
Embora não seja apontada como dona do carro mais rápido até o momento, a Ferrari demonstra ter uma unidade de potência confiável. Aliada à nova solução aerodinâmica, a equipe pode ter encontrado um diferencial estratégico importante. Resta saber se o recurso será incorporado definitivamente ao pacote da temporada ou não.
FIA dá aval técnico para a solução da Ferrari
Como o objetivo do novo regulamento é justamente reduzir o arrasto e melhorar a eficiência energética, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) optou por flexibilizar as restrições relativas à abertura da asa traseira que marcaram a última era.
Segundo o diretor técnico da entidade, Nikolas Tombazis, a intenção é ampliar a liberdade de desenvolvimento das equipes dentro dos novos parâmetros. No entendimento da federação, a solução apresentada pela Ferrari está dentro da legalidade e pode ser utilizada em condições de corrida.
Por enquanto, as rivais não se manifestaram sobre o tema. O foco principal permanece nas discussões envolvendo as taxas de compressão do motor da Mercedes, questão que será submetida à votação e que pode resultar em mudanças nas regras ainda durante a temporada.
Abertura da asa não é a única novidade da escuderia

A Ferrari também apresentou, na quarta-feira (18/02), uma pequena asa posicionada próxima ao exaustor. O componente remete às antigas beam-wings — estruturas instaladas abaixo da asa traseira principal e banidas pelo regulamento atual —, embora em dimensões significativamente menores.
Veículos especializados apontam que a equipe italiana estaria explorando brechas relacionadas aos suportes estruturais da asa traseira, o que tornaria a solução compatível com as regras e, portanto, a escuderia estaria agindo dentro da legalidade.
Caso o ganho aerodinâmico se confirme relevante, é provável que as rivais avaliem replicar o conceito. No entanto, toda a arquitetura traseira do carro foi projetada para integrar esse elemento adicional, o que significa que eventuais tentativas de cópia exigiriam uma reformulação relevante do pacote aerodinâmico.
(Foto principal: Race Pictures)


