A superluta entre Ronda Rousey e Gina Carano — agora oficialmente marcada para 16 de maio de 2026, no Intuit Dome em Los Angeles — finalmente vai acontecer depois de anos de especulação, marcos históricos e também desencontros entre atletas, organizações e fãs. O que parecia um duelo inevitável no auge das carreiras de duas das pioneiras do MMA feminino demorou mais de uma década para se concretizar — e não por falta de desejo entre as lutadoras, mas por uma série de fatores que vão desde decisões estratégicas do showbusiness até questões de promoção e timing.
O que ficou para trás: contextos e recuos
Ronda Rousey, ex-campeã peso-galo feminino do UFC, é uma das lutadoras mais influentes da história das artes marciais mistas. Sua ascensão no UFC ajudou a consolidar a presença feminina no esporte, transformando o octógono em uma plataforma global para atletas mulheres. Já Gina Carano, que brilhou no começo dos anos 2000, foi chamada de “cara do MMA feminino” por sua capacidade de atrair público e visibilidade — ainda que não tivesse trajetória competitiva dentro do UFC.
Mesmo com o potencial óbvio de um confronto entre as duas, a luta nunca foi marcada na época de maior relevância de ambas. Em parte, isso se deveu a diferenças de trajetória nas carreiras: Carano deixou de competir em 2009 após a derrota para Cris Cyborg e embarcou numa carreira de atriz; Rousey, por sua vez, dominou o UFC até 2016, quando sofreu duas derrotas consecutivas e se afastou das lutas. As janelas de tempo em que as duas estiveram ativas, em níveis competitivos e com agendas comparáveis, simplesmente não se cruzaram de forma ideal.
Dana White e a oportunidade perdida
Outro elemento central na demora da luta foi a relação com o presidente do UFC, Dana White. Em entrevistas recentes, Ronda Rousey revelou que ela mesma entrou em contato com White para tentar viabilizar o combate no UFC, acreditando que seria o lugar natural para essa superluta acontecer. Segundo Rousey, White e a organização não demonstraram interesse em promover o duelo naquele momento, o que acabou frustrando os planos de marcar a luta sob a bandeira do Ultimate.
Essa rejeição não só adiou o confronto, mas acabou levando Rousey e Carano a procurarem alternativas fora do UFC. O resultado foi um acordo com a Most Valuable Promotions (MVP) de Jake Paul, com transmissão pela Netflix — um modelo totalmente diferente do que o UFC costuma operar, mas que finalmente ofereceu um caminho para que o duelo acontecesse.
Carano e Rousey: timing, legado e reinvenção
Outro fator que pesou para a demora foi o momento pessoal e profissional de cada uma. Após sua derrota em 2009, Carano mudou de carreira e passou anos fora dos ringues, voltando a considerar MMA apenas muito tempo depois. Ronda Rousey, por sua vez, oscilou entre momentos no WWE, vida pessoal e reflexão sobre sua carreira depois da aposentadoria em 2016.
Essa convergência tardia de motivação e condição física só ocorreu anos depois, quando ambas sentiram que havia um propósito maior em realizar a luta — não apenas financeiro, mas também simbólico. Rousey inclusive disse que reacendeu seu desejo de lutar após ver Carano em um momento vulnerável, o que a inspirou a buscar essa luta não apenas para o público, mas como algo significativo para ambas.
Reflexos e expectativas
A concretização da superluta entre Ronda Rousey e Gina Carano em 2026 é histórica por vários motivos. Primeiro, porque representa o encontro de duas gerações que ajudaram a moldar o MMA feminino. Segundo, porque o duelo não acontece sob o guarda-chuva do UFC, o que reflete mudanças no ecossistema do esporte e no modelo de promoção de eventos de grande público. E terceiro, porque a própria trajetória de ambas indica que as circunstâncias ideais raramente coincidem no MMA, onde negócios, imagem pública e timing esportivo muitas vezes ditam o que é ou não possível.
Foto: Divulgação/UFC