Os amantes do MMA foram surpreendidos com o anúncio da luta entre Ronda Rousey e Gina Carano, marcada para 16 de maio, em Los Angeles. Além do retorno de duas lendas do esporte feminino, o público se espantou pelo fato de o evento não ser do UFC. O confronto será transmitido pela Netflix e é promovido pela Most Valuable Promotions (MVP), empresa de Jake Paul. De imediato, a notícia movimentou as redes sociais e reacendeu debates sobre o poder do Ultimate no mercado global de artes marciais mistas.
Em entrevista à ESPN, Ronda Rousey revelou que chegou a oferecer a luta para Dana White, mas o CEO do UFC recusou a proposta. “Entrei em contato com Dana e perguntei se ele estaria interessado, mas não deu certo com o UFC. Mas isso nos trouxe até aqui hoje”, disse a ex-campeã dos galos no Ultimate.
Até o momento, Dana White não explicou o motivo de não aceitar receber uma luta entre Ronda Rousey e Gina Carano. O fato de as duas atletas estarem aposentadas há mais de uma década pode ter pesado, sem dúvida. Ainda assim, às vésperas do UFC Casa Branca, um encontro entre duas gigantes do MMA feminino certamente atrairia muita atenção para a organização.
Ronda Rousey x Gina Carano fora do UFC é algo positivo
A decisão de realizar Ronda Rousey x Gina Carano fora do UFC pode representar algo maior do que um simples evento isolado. Dana White vem sendo criticado, principalmente nos últimos meses, por não ser um grande promotor de eventos como já ocorreu no passado. O dirigente que antes transformava rivalidades em fenômenos culturais parece hoje confiar excessivamente na força da marca UFC para sustentar qualquer card.
Parte da razão pela qual ele conseguiu agir dessa maneira praticamente sem consequências é simples: não existem outras organizações que rivalizem com o UFC a ponto de fazê-lo pagar por essa acomodação. O monopólio de atenção no MMA permitiu que decisões conservadoras não fossem duramente punidas pelo mercado.
É nesse ponto que a movimentação da MVP se torna relevante. O acordo da Most Valuable Promotions com Ronda Rousey e Gina Carano tem potencial para gerar grande impacto. Ao fechar com a Netflix, a luta extrapola o público tradicional do MMA e alcança espectadores que talvez nunca tenham comprado um pay-per-view do UFC. Ronda Rousey, por si só, já é um nome capaz de romper bolhas. Ronda Rousey foi campeã, estrela midiática e pioneira do protagonismo feminino na organização de Dana White. Sua volta ao MMA, agora fora do UFC, carrega simbolismo.
O barulho em torno de Ronda Rousey x Gina Carano pode estimular Jake Paul a investir em outros grandes eventos, apostando em narrativas fortes e distribuição massiva. É cedo para dizer que Jake Paul vai mudar o MMA. Porém, se ele conseguir incomodar o UFC e forçar Dana White a retomar uma postura mais agressiva na promoção de superlutas, quem ganhará é o esporte. A simples existência de concorrência real já tende a elevar o nível do produto oferecido ao público.
Duas pioneiras frente a frente
A relevância do confronto também passa pelas trajetórias das atletas. Gina Carano foi uma das primeiras grandes estrelas do MMA feminino, ainda nos tempos de Strikeforce. Carismática e agressiva, ajudou a popularizar a modalidade quando o espaço para mulheres era reduzido. Sua derrota para Cris Cyborg marcou o fim de sua carreira no esporte, mas abriu caminho para uma transição bem-sucedida para o cinema e a televisão.
Ronda Rousey, por sua vez, levou o MMA feminino a outro patamar. Medalhista olímpica no judô, Ronda Rousey chegou ao UFC cercada de expectativa e rapidamente se tornou campeã dos galos. Com finalizações rápidas e personalidade forte, Ronda Rousey foi peça-chave para consolidar as mulheres no card principal da organização. Sua sequência de defesas de cinturão e o impacto cultural de suas lutas transformaram a atleta em um fenômeno global.
Após derrotas marcantes para Holly Holm e Amanda Nunes, Ronda Rousey deixou o MMA e migrou para a WWE, onde também conquistou destaque. Ainda assim, o nome Ronda Rousey nunca deixou de ser associado às artes marciais mistas. O retorno de Ronda Rousey contra Gina Carano resgata uma rivalidade que simboliza diferentes fases do MMA feminino: a era das pioneiras midiáticas e a consolidação esportiva no UFC.
Ronda Rousey x Gina Carano, portanto, não é apenas uma luta nostálgica. É um teste para o mercado. Se o evento prosperar fora do UFC, provará que há espaço para iniciativas paralelas de grande porte. Para os fãs, isso significa mais opções, mais disputas por atenção e, possivelmente, mais grandes confrontos. No fim das contas, independentemente de quem vença no dia 16 de maio, o maior beneficiado pode ser o próprio MMA.
Foto: Divulgação/Netflix