Para quem acompanha a carreira de Eberechi Eze desde os tempos anteriores ao Arsenal, ver o camisa 10 decidindo jogo grande no fim da temporada já não é surpresa. O que talvez ainda choque é a frequência com que isso acontece justamente contra o Tottenham. Parece que, quando o calendário entra na reta final, ele cresce ainda mais.
No Tottenham Hotspur Stadium, em mais um capítulo quente do clássico do norte de Londres, Eze voltou a ser protagonista. Dois gols, muita personalidade e aquela comemoração cheia de atitude diante da torcida rival. Não foi apenas mais uma boa atuação. Teve clima de afirmação pessoal.
Desde que recusou o Tottenham para assinar com o Arsenal em um acordo de 60 milhões de libras, Eze parece jogar esses confrontos com algo extra. Já tinha feito um hat-trick no 4 a 1 em novembro e agora repetiu a dose com mais dois gols. Para os torcedores dos Spurs, virou praticamente um pesadelo recorrente.
Eze cresce quando o campeonato esquenta
Os números ajudam a explicar por que Eze é tão decisivo nesse período do ano. Em seis temporadas na Premier League, ele marcou 40 gols. Desses, 19 saíram a partir da 30ª rodada. Ou seja, quando o campeonato começa a apertar e cada ponto vale ouro, ele costuma aparecer.
Na temporada passada, foi dele o gol do título do Crystal Palace na final da FA Cup contra o Manchester City. Agora, no Arsenal, repete o roteiro de decidir quando o peso é maior. E curiosamente, nesta liga, todos os seus gols foram contra dois clubes: Tottenham e Crystal Palace, seu ex-time.
Com os cinco gols marcados contra o Tottenham nesta edição da Premier League, Eze entrou para uma lista pesada. Apenas Robert Pires e Emmanuel Adebayor têm mais gols pelo Arsenal contra os Spurs na competição. É um dado que ajuda a entender por que ele já caiu nas graças da torcida.
Mesmo com poucos minutos, ele responde em campo
Nem tudo, porém, foi fácil para Eze nesta temporada. Ele teve dificuldades para conquistar espaço no time titular de Mikel Arteta. Desde dezembro, foram poucas oportunidades como titular na Premier League. A concorrência é pesada, principalmente com Martin Odegaard sendo peça-chave no meio e Leandro Trossard vivendo boa fase.
Arteta chegou a testá-lo pela esquerda, mas uma falha de marcação no jogo contra o Aston Villa, quando Matty Cash marcou, pesou contra ele. Depois disso, passou algumas partidas no banco. No empate em 2 a 2 com o Wolves, por exemplo, viu Bukayo Saka começar como número 10 enquanto ele aguardava sua chance.
O próprio Arteta admitiu que Eze ficou chateado por não ter começado aquele jogo. Disse que o jogador queria provar algo. E parece que conseguiu. Contra o Tottenham, jogou com fome de bola, buscando espaço, chamando responsabilidade e sendo decisivo.
Gyokeres também brilha e reforça força ofensiva
Se Eze teve noite especial, Viktor Gyokeres também aproveitou o clássico para mostrar que está crescendo no momento certo. O atacante sueco marcou duas vezes e foi peça fundamental na construção do terceiro gol do Arsenal. Sua confiança parece ter aumentado a cada toque na bola.
Desde o início de 2026, nenhum jogador da Premier League marcou mais gols em todas as competições do que Gyokeres. São oito neste ano, dentro de um total de 15 pelo clube. Depois de algumas críticas no começo da temporada, ele começa a justificar o investimento feito pelo Arsenal.
Arteta elogiou bastante o desempenho do centroavante, dizendo que foi sua atuação mais completa justamente quando o time mais precisava. Em jogos grandes, contra rivais diretos, é que jogadores de alto nível precisam aparecer. E foi exatamente isso que aconteceu.
Dupla decisiva na hora certa da temporada
Com a vitória, o Arsenal abriu cinco pontos de vantagem sobre o Manchester City, ainda que tenha um jogo a mais. O confronto direto no Etihad Stadium, em abril, promete ser decisivo. E se Eze e Gyokeres mantiverem esse nível, os Gunners chegam muito fortes.
Eze, além de tudo, tinha outro motivo para querer brilhar. Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra, estava presente no Tottenham Hotspur Stadium. Em ano de Copa do Mundo, cada atuação pesa. Com poucos minutos recentes, ele precisava mandar um recado. E mandou da melhor forma possível: com gols.
No fim, ficou a sensação de que Eze realmente tinha algo a provar. Provou para o treinador, para a torcida, para quem duvidou do seu espaço no time e, principalmente, para o rival que tentou contratá-lo no passado. Contra o Tottenham, ele não apenas joga. Ele decide. E, na reta final da temporada, isso pode ser determinante para o sonho do Arsenal.

