O Arsenal confirmou a contratação de Bruno Guimarães, ex-capitão do Newcastle, por £75 milhões. O meio-campista brasileiro chega aos Gunners depois de comunicar à diretoria do clube que gostaria de se transferir para Londres caso surgisse uma proposta adequada.
Aos 28 anos, Bruno Guimarães é considerado um dos meio-campistas mais completos da Premier League. O brasileiro consegue contribuir tanto defensivamente, com força física e capacidade de recuperar a bola, quanto no ataque, participando da criação de jogadas e chegando à área para marcar gols.
Agora, Bruno passa a fazer parte de um meio-campo que já conta com nomes como Declan Rice, Martin Zubimendi, Martin Odegaard, Mikel Merino e Myles Lewis-Skelly. Com tantas opções, a principal questão é entender como o novo reforço será utilizado pelo técnico Mikel Arteta.
Volante ou meio-campista?
Bruno Guimarães tem capacidade para atuar como um volante mais recuado ou como um meio-campista mais avançado, na função de camisa 8. O próprio jogador já explicou que prefere atuar mais à frente, embora esteja disposto a exercer diferentes funções.
Em entrevista à Sky Sports, em 2022, quando atuava como volante no Newcastle, Bruno afirmou que sua posição favorita era a de número 8. Na ocasião, porém, ele reconheceu que sua função como camisa 6 era exatamente aquilo que o time precisava.
O brasileiro explicou que também gostava de participar da saída de bola, encontrar os pontas e os atacantes e ajudar o time na construção das jogadas. Para Bruno, o mais importante era estar em campo e contribuir para que o Newcastle conquistasse os resultados.
Depois, o meio-campista passou a atuar na posição de sua preferência no Newcastle, principalmente após Sandro Tonali assumir a função de número 6. Essa capacidade de jogar em diferentes posições certamente agrada Mikel Arteta, que costuma valorizar jogadores capazes de desempenhar mais de uma função.
Os números também mostram essa versatilidade. Bruno passou boa parte de seus minutos no Newcastle como o jogador mais recuado do meio-campo, mas também atuou como camisa 8 pelo lado direito e pelo lado esquerdo.
Essa flexibilidade pode ser uma das principais armas do brasileiro no Arsenal. O clube também já deixou claro que pretende aproveitar justamente essa característica do novo reforço.
O diretor esportivo Andrea Berta afirmou que Bruno foi contratado para ajudar o elenco a desenvolver seu estilo de jogo e, ao mesmo tempo, aumentar a competição interna no meio-campo.
“Bruno pode jogar como meio-campista defensivo e como jogador box-to-box. Ele combina qualidade com quantidade e tem produzido gols e assistências para sua equipe todos os anos”, afirmou Berta.

As opções para Arteta
O próprio Bruno Guimarães define seu estilo como o de um “guerreiro”, mas faz questão de destacar que também possui qualidade técnica para jogar com a bola.
Mesmo quando atuava como camisa 6 no Newcastle, o brasileiro recebia liberdade para avançar e participar das ações ofensivas. Em uma das funções utilizadas por Eddie Howe, Bruno podia deixar sua posição mais recuada para ajudar os jogadores de ataque.
A capacidade ofensiva do brasileiro ficou evidente nos números. Mesmo atuando como volante, Bruno terminou uma de suas temporadas no Newcastle com quatro gols e cinco assistências na Premier League. Na campanha seguinte, foram sete gols e oito assistências.
Ao todo, o meio-campista participou de 30 gols e deu 25 assistências em 153 partidas pela Premier League com a camisa do Newcastle. Os números ajudam a explicar por que o Arsenal decidiu investir £75 milhões em sua contratação.
O Arsenal também possui laterais que conseguem entrar por dentro do campo e criar espaço para Bruno avançar a partir de uma posição mais recuada. Outra possibilidade seria utilizar o brasileiro em um duplo pivô, ao lado de Declan Rice.
Rice passou boa parte da última temporada como o camisa 8 pelo lado esquerdo, enquanto Zubimendi atuava como número 6. No fim da campanha, porém, o inglês passou a jogar mais recuado, ao lado direito de um duplo pivô com Myles Lewis-Skelly.
A parceria entre Rice e Lewis-Skelly funcionou bem. Assim como Bruno, o inglês possui energia para percorrer o campo de uma área à outra, mas também apresenta disciplina tática e inteligência para ocupar os espaços corretamente.

Bruno pode mudar o meio-campo
Uma possível dupla entre Bruno Guimarães e Declan Rice daria a Arteta a possibilidade de colocar Martin Odegaard ou Eberechi Eze como um camisa 10 mais tradicional.
Caso Rice não esteja disponível ou precise ser poupado, Arteta também poderia utilizar os dois como camisas 8, deixando Bruno na função de número 6.
Por outro lado, se o treinador quiser priorizar força física e segurança no meio-campo, existe a possibilidade de utilizar Zubimendi ao lado de Rice e Bruno.
Um trio formado por Bruno Guimarães, Martin Zubimendi e Declan Rice talvez não seja a alternativa mais ofensiva, mas daria ao Arsenal enorme força nos duelos físicos pelo centro do campo.
Além disso, Bruno possui características semelhantes às de Martin Odegaard quando o assunto é passe e criação. Na última temporada, o brasileiro registrou praticamente o mesmo número de passes que quebraram linhas por 90 minutos que o capitão do Arsenal.
Bruno teve média de 8,6 passes desse tipo por 90 minutos, número superior aos registrados por Rice e Zubimendi. Ele também apresentou uma porcentagem semelhante de passes para frente em comparação com Odegaard e foi mais eficiente nesse quesito.
Esses números mostram que o brasileiro não chega ao Arsenal apenas para fortalecer o setor defensivamente. Sua capacidade de encontrar espaços e quebrar linhas também pode oferecer uma alternativa criativa ao time de Arteta.

Quem pode perder espaço?
A chegada de Bruno Guimarães naturalmente gera questionamentos sobre o espaço de outros meio-campistas do Arsenal. Ainda assim, é fácil entender por que o clube decidiu investir em um jogador de sua qualidade.
Na última temporada, a distribuição dos minutos no meio-campo ficou muito concentrada em Declan Rice e Martin Zubimendi. Os dois ultrapassaram 4.000 minutos cada e poderiam se beneficiar de uma carga de jogos menor.
Parte dessa dependência aconteceu por causa das lesões. Martin Odegaard e Mikel Merino passaram períodos importantes afastados, assim como Kai Havertz, que também pode atuar no meio-campo.
Ao mesmo tempo, Mikel Arteta demonstrou pouca confiança em algumas alternativas, como Christian Norgaard, que posteriormente deixou o Arsenal para se transferir ao Everton.
A saída de Norgaard abriu espaço no elenco para a chegada de Bruno Guimarães. Ainda assim, o Arsenal pode precisar fazer novos ajustes para reduzir o número de jogadores disponíveis no setor.
Ethan Nwaneri e Fabio Vieira, por exemplo, retornaram de empréstimos após passagens por Marseille e Hamburg, respectivamente.

Outro jogador que pode sentir o impacto da contratação é Myles Lewis-Skelly. O jovem terminou a última temporada como titular no meio-campo, inclusive à frente de Zubimendi em determinados momentos, mas agora terá mais concorrência.
Por outro lado, o Arsenal disputou 63 partidas na última temporada e novamente terá objetivos em diferentes competições. A necessidade de rotação, além do risco de lesões e suspensões, deve garantir oportunidades para Lewis-Skelly também no meio-campo.
Mesmo assim, existe uma realidade que não pode ser ignorada: Bruno Guimarães não chega ao Arsenal para ser apenas uma opção de elenco.
O brasileiro foi contratado por £75 milhões e chega depois de se consolidar como um dos principais meio-campistas da Premier League. Sua versatilidade permite que Mikel Arteta encontre diferentes combinações para o setor, mas a chegada de Bruno também aumenta significativamente a disputa por espaço no meio-campo dos Gunners.
Foto: X/Arsenal


