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Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1: Equilíbrio no pelotão intermediário pode agitar temporada 2026

Enquanto as quatro principais equipes da Fórmula 1 nos últimos anos voltam a despontar com vantagem confortável sobre as rivais, a briga pelas posições intermediárias do grid promete pegar fogo em 2026. A expectativa é de que Haas, Alpine, Racing Bulls, Audi e Williams tenham argumentos sólidos para disputar o posto de “melhor do resto” na abertura do novo regulamento, repetindo o cenário visto na temporada passada.

O campeonato anterior ficou marcado, além da disputa pelo título entre Lando Norris, Max Verstappen e Oscar Piastri, pelo equilíbrio no meio do pelotão. Apenas 22 pontos separaram a Racing Bulls, sexta colocada entre os construtores, da Sauber, penúltima na tabela e dona de um pódio com o terceiro lugar no GP da Grã-Bretanha.

A única equipe que destoou foi a Alpine, prejudicada pelo fraco A525, ainda assim capaz de proporcionar a Pierre Gasly 22 pontos e a 18ª colocação no campeonato. A marca é mais de três vezes superior à do piloto que terminou na mesma posição no ano anterior, Oliver Bearman (7). Para 2026, porém, a equipe francesa surge como candidata a força relevante no pelotão intermediário.

Parcerias técnicas elevam o patamar da Haas

Haas Fórmula 1 2026
Foto: Reprodução / Haas F1 Team

Dez anos após estrear na Fórmula 1, a Haas pode parecer a mesma equipe de meio de grid para quem observa apenas as classificações recentes. Desde 2016, o time norte-americano utiliza motores Ferrari mas, agora, contará também com uma parceria operacional com a Toyota.

O acordo, ao menos por enquanto, concentra-se na gestão do projeto, incluindo a instalação do primeiro simulador da Haas — até então a única equipe sem o equipamento — e a expansão do departamento técnico. Há rumores de que a fabricante japonesa possa ensaiar um retorno à categoria, que deixou ao fim de 2009.

A dupla formada por Bearman e Esteban Ocon percorreu 6.118 quilômetros na soma do shakedown coletivo em Barcelona e das duas semanas de testes em Sakhir, marca superada apenas pela Mercedes, com 6.202.

Um dos trunfos da Haas em 2026 pode estar nas largadas. O motor Ferrari adota um turbo menor, que gira mais rápido e exige menos tempo de preparação no procedimento de saída. Na pré-temporada, isso chamou atenção quando Lewis Hamilton avançou diversas posições em um teste de largada.

Ter bons inícios pode ser ainda mais determinante sob o novo regulamento da Fórmula 1. Alguns pilotos já alertaram para a dificuldade de ultrapassagem com a nova especificação dos carros. A real dimensão disso, porém, só será conhecida a partir da primeira etapa, o GP da Austrália, dentro de duas semanas.

Tanto os pilotos quanto o chefe de equipe Ayao Komatsu demonstraram entusiasmo e confiança nas entrevistas, um sinal positivo para quem tenta se firmar no pelotão intermediário.

Alpine-Mercedes: aposta de Briatore já dá sinais de retorno

Flavio Briatore
Foto: Peter Fox

Ao lado da Haas, a Alpine é quem encerrou a pré-temporada com mais sinais positivos no meio do grid. Em 2026, a fabricante, pertencente ao grupo Renault, deixará de produzir sua própria unidade de potência para se tornar cliente da Mercedes. A mudança chega em hora perfeita para o time de Flavio Briatore.

A decisão foi condição inegociável para o retorno do dirigente ao projeto técnico da Alpine, 16 anos após o escândalo do “Singapuragate”. A unidade de potência da Mercedes tem causado polêmica no paddock por um bom motivo: a montadora teria explorado uma brecha no regulamento relacionada às taxas de compressão, o que poderia render cerca de 0,3s por volta.

Ainda que os tempos da pré-temporada devam ser analisados com cautela, vale destacar que Alpine e Haas exibiram ritmos bastante próximos. Em quilometragem, também terminaram em patamar semelhante, com os norte-americanos somando apenas 45 quilômetros a mais que os franceses.

Gasly reconheceu que ainda há ajustes a fazer para que o time dê um salto de patamar, mas acredita que a equipe iniciará 2026 em posição bem superior àquela em que encerrou 2025. Já Franco Colapinto ressaltou a importância de, pela primeira vez, cumprir um programa completo de pré-temporada.

Williams precisa resolver sobrepeso; Racing Bulls alia confiabilidade e instabilidade

Williams Fórmula 1
Foto: Reprodução / Fórmula 1

Terceira maior equipe da Fórmula 1 em número de títulos, a Williams foi uma das que mais cedo voltou as atenções para 2026. O FW48, no entanto, nasceu com um problema que pode limitar seu desempenho: o peso.

De acordo com a imprensa especializada, o carro estaria cerca de 20 quilos acima do mínimo. O impacto estimado gira em torno de 0,7s por volta, diferença significativa ao longo de uma corrida, capaz de custar posições e pontos preciosos.

O time de Grove perdeu o shakedown de Barcelona por não concluir o carro a tempo e precisou realizar um teste privado em Silverstone para compensar. A pré-temporada só não foi rotulada como desastrosa por conta de casos ainda mais delicados, como o da Aston Martin, que chega a Melbourne cotada para ocupar o fundo do grid.

Ainda assim, não se pode descartar a Williams da disputa. Assim como a Alpine, a equipe utiliza motores Mercedes em um regulamento no qual a influência das unidades de potência parece ser ainda maior que no passado recente. No Bahrein, Alexander Albon e Carlos Sainz completaram mais voltas que as duplas de Ferrari e Red Bull, indicando ao menos um conjunto confiável.

A Racing Bulls vive situação semelhante, uma verdadeira “faca de dois gumes”. O time satélite da Red Bull incorporou parte da filosofia do carro da equipe principal, mas enfrenta dificuldades em termos de aderência e estabilidade.

A equipe que corre sob bandeira italiana foi a quinta que mais acumulou quilômetros nos testes, superando inclusive a própria Red Bull. Contudo, ainda há uma diferença de ritmo a ser descontada para as demais.

Em 2026, a Racing Bulls terá Arvid Lindblad, de apenas 18 anos, que estreia na Fórmula 1 ao lado de Liam Lawson, após breve (e apagada) experiência como companheiro de Max Verstappen na equipe principal.

Audi deve dar sequência ao progresso de Bortoleto na Fórmula 1

Gabriel Bortoleto Audi
Foto: Hamad I Mohammed/Reuters

Estreante na Fórmula 1, a Audi também tende a ocupar o pelotão intermediário. A fabricante assumiu as operações da Sauber e passa a utilizar sua própria unidade de potência em 2026. Embora a inexperiência do projeto seja um ponto de atenção, a equipe mostrou consistência nos testes e apresentou menos contratempos do que se previa.

Se os sinais iniciais se confirmarem, Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg devem viver um cenário semelhante ao de 2025. O R26 aparenta ter potencial para brigar na segunda metade do pelotão em um momento inicial, mas, com a confiabilidade dos motores ainda sendo uma incógnita, pode se beneficiar de eventuais problemas das rivais.

Nos testes, a Audi percorreu 4.942 quilômetros e registrou voltas próximas do top-10 nos tempos combinados. A tendência é de vantagem sobre Cadillac e Aston Martin ao menos no início da temporada.

(Foto principal: Reprodução / Fórmula 1)