O presidente do UFC, Dana White, voltou a ser criticado por lutadores da organização, que reclamam da baixa remuneração. As queixas não são por acaso. Recentemente, a Zuffa Boxing, nova produtora de eventos liderada pelo empresário, acertou uma contratação bombástica que sacudiu os bastidores do MMA.
Segundo informações da imprensa internacional, o pugilista britânico Conor Benn receberá da Zuffa Boxing o valor de 15 milhões de dólares (cerca de R$ 77,3 milhões na cotação atual) por uma luta. A empresa de Dana White, vale pontuar, tem parceria com o governo da Arábia Saudita, que vem investindo pesado em grandes eventos esportivos.
O acordo fez com que algumas estrelas do Ultimate Fighting Championship se revoltassem. O tema da remuneração no UFC é antigo e recorrente. Mesmo com o novo acordo de transmissão com a Paramount Global, grandes figuras do octógono seguem afirmando que recebem menos do que deveriam.
A cifra destinada a Conor Benn escancarou uma ferida que já estava aberta. E, mais uma vez, Dana White se viu no centro da polêmica.
Sean O’Malley questiona Dana White disparidade
Entre as vozes mais contundentes está a de Sean O’Malley, ex-campeão do peso-galo do UFC. O norte-americano não escondeu a surpresa — e a indignação — ao comentar os valores envolvidos na negociação da Zuffa Boxing.
“Para mim, é muito difícil de acreditar. Eu nem sei quem é Conor Benn. Ele supostamente é um nome bem grande no boxe, mas eu nunca ouvi falar dele. Se eles realmente estão pagando a ele 15 milhões de dólares… Sim, é loucura quanto trabalho você coloca no UFC para construir esse nome, criar esse personagem, ser essa estrela, e eu não estou ganhando 15 milhões de dólares por luta”, disparou O’Malley.
A declaração evidencia um sentimento comum entre atletas do plantel: a percepção de que o esforço para se tornar campeão e estrela no UFC não é recompensado na mesma proporção financeira que em outras modalidades.
Dana White, historicamente, defende o modelo de negócios do UFC. O dirigente argumenta que a organização oferece visibilidade global e estrutura incomparável. Ainda assim, a fala de O’Malley reforça a sensação de disparidade.
A contratação milionária pela Zuffa Boxing ampliou essa comparação direta. Para muitos lutadores, ficou difícil entender por que há tanto dinheiro disponível no boxe, sob gestão de Dana White, e não no próprio UFC.
Michael Page também dispara contra Dana White
Outro nome que se manifestou foi Michael Page. O britânico, conhecido pelo estilo irreverente, foi direto ao abordar a diferença de tratamento financeiro.
Em entrevista recente, Page criticou a postura de Dana White e questionou a lógica de mercado aplicada dentro do UFC. Segundo ele, os atletas são peças centrais do espetáculo, mas não recebem fatia equivalente ao sucesso que ajudam a construir.
Page destacou que os lutadores colocam a saúde em risco constantemente e que o retorno financeiro deveria refletir esse sacrifício. Ele também indicou que vê com estranheza os valores oferecidos em outros projetos ligados a Dana White enquanto muitos nomes do elenco principal negociam bolsas consideradas modestas.
A fala do britânico se soma a uma longa lista de críticas feitas ao longo dos anos. O debate sobre divisão de receitas no UFC não é novo, mas ganha força sempre que surgem comparações com o boxe.
Dana White, por sua vez, mantém o discurso de que o modelo do UFC é sustentável e que os atletas têm liberdade para buscar outras oportunidades se desejarem.
Possíveis impactos no futuro do UFC
A nova controvérsia pode ter efeitos práticos. Nos bastidores, cresce a discussão sobre a possibilidade de estrelas do MMA deixarem o UFC em busca de melhores contratos em outras organizações ou até migrarem para o boxe.
O histórico mostra que esse movimento não é impossível. Atletas consolidados já testaram o mercado em eventos alternativos ou superlutas específicas. Com a entrada da Zuffa Boxing no cenário, abre-se um precedente delicado.
Se Dana White paga cifras milionárias no boxe, a pressão para reajustar os contratos no UFC tende a aumentar. Caso contrário, a insatisfação pode se transformar em negociações mais duras ou até rompimentos.
Dana White construiu o UFC como a principal vitrine do MMA mundial. No entanto, a questão salarial segue como um ponto sensível. A contratação de Conor Benn reacendeu o debate de forma intensa.
E, mais uma vez, Dana White se vê diante do desafio de equilibrar expansão de negócios, parcerias internacionais e a satisfação das próprias estrelas que ajudaram a transformar o UFC em potência global.
Foto: Jasper Colt / USA TODAY NETWORK