Depois da derrota na final da Recopa Sul-Americana, Filipe Luís vive o clima mais tenso no comando do Flamengo. O time chegou ao segundo vice na temporada e as críticas recaem sobre o técnico, principalmente por escolhas nas escalações e também no comportamento dentro e fora de campo. Diante disso, o que causa mais incômodo nos torcedores é a montagem dos onze iniciais, mais especificamente no meio campo.
Entre Jorginho, Arrascaeta, De la Cruz, Carrascal, Paquetá, Pulgar e Evertton Araújo, todos eles estão inseridos em um rodízio de jogos — não por questão física, mas pela incerteza da proposta de Filipe Luís. Em cada jogo, uma escalação diferente, o que gera desconfortos nos atletas e na torcida. A pergunta que se levanta é: neste momento, quem deveria o titular?
O ‘muito’ é ‘pouco’

Desde que a temporada foi iniciada, o time teve desfalques, mas nunca deixou de mostrar de apertos no âmbito da criatividade e do preparo físico. Indubitavelmente, é um elenco forte e recheado de opções. No entanto, esse parece ser o problema de Filipe Luís: não saber o que fazer ou o que propor. Esse dilema deu ao Flamengo um clima caótico, trazendo à tona os “fantasmas” de 2023 — quando o clube viveu mais frustrações em seus objetivos.
Até poderíamos abrir um debate para o setor de defesa ou ataque, mas é evidente que o mais crítico é o meio campo. Com a adesão de Paquetá, o time ganhou em renome, status e qualidade técnica. Mas, até agora, o cria do Ninho não conseguiu render o esperado, tampouco saber em qual posição vai jogar.
No ano passado, a titularidade pertencia ao ‘tripé’ Pulgar, Jorginho e Arrascaeta — o camisa 10 fazia movimentações em progressão para ficar próximo da área, mas nunca deixou de ser um pilar de criação do meio campo. Além disso, Carrascal, outro meio campista, ganhou também seu lugar no onze inicial, mas jogando de ponta e dividindo o posto de ‘cabeça-pensante’ com Arrasca. Na reserva, ficariam outros como Evertton Araújo, Allan (deixou o clube este ano), De la Cruz e Saúl (atualmente machucado).
Em 2026, com a chegada de Paquetá, denota-se uma obrigatoriedade em escalar o novo camisa 20 — por ser uma contratação de peso. Só que esse “fardo”, Filipe Luís claramente não consegue carregar. Sendo assim, o que poderia ser feito?
Contusões acontecem e a parte física pede cada vez mais atenção. Paquetá chegou com status de “titular” em um meio campo que parecia estar consolidado. Porém, diante da crise e da ineficiência do time em criar jogadas, o técnico terá que escolher entre uma opção e outra para ter algo pragmático em seu sistema. No entanto, isso não necessariamente envolve a relegação do camisa 20 a posto de reserva.
Assim, o que o Flamengo tem, neste exato momento, são muitas alternativas que pouco fazem para que o time funcione.
Os dogmas do Flamengo

O excesso de caminhos para seguir só deu ao Flamengo um único: a perdição. O pecado de quem quer muito é a ganância e o rubro-negro está pagando por tudo isso. Na criatividade, dispõe de Arrascaeta, Paquetá e Carrascal; na articulação Jorginho, De la Cruz e Saúl (em condições saudáveis); no combate, Pulgar e Evertton Araújo. Há de se fazer escolhas em cada um desses quesitos para, ao menos, simplificar o que quer. Em outras palavras, quando um joga, o outro terá que ser colocado na reserva — independentemente da sua qualidade ou potencial.
No momento, o que mais preocupa é o físico. Portanto, as escolhas deveriam ser pautadas para que ninguém se machuque — algo que, por exemplo, Jorginho já experimentou na temporada, ficando quase 1 mês sem jogar.
A cada partida é um desafio diferente e as “invenções” não ajudam — principalmente ao colocar Paquetá na ponta. O mais ideal é pensar que a simplicidade e a objetividade darão ao clube uma luz no fim do túnel. O tempo para dar uma resposta ao torcedor já esgotou, igualmente com a paciência.
Temporada pela frente
Com o vice na Recopa, o segundo castigo foi aplicado e o abalo psicológico é notório nos atletas do Flamengo. Os dados estão na mesa e o momento pede assertividade e praticidade nas decisões.
O Fla volta a campo na próxima segunda-feira (02), para enfrentar o Madureira pelo jogo da volta da semifinal do Campeonato Carioca. O jogo será realizado no Maracanã, às 21h (horário de Brasília). O time tem a vantagem de três gols no agregado por ter vencido a ida por 3 a 0.
Créditos da foto de capa: Mauro Pimentel/AFP