Na noite deste sábado (28), o Grêmio Novorizontino recebeu o Corinthians no Estádio Jorge de Biasi para o duelo válido pelas semifinais do Campeonato Paulista de 2026. Em jogo único, o time com a melhor campanha da fase inicial da competição tinha a dura missão de superar a equipe de Dorival Júnior, que apesar de não encarar a melhor fase, era favorita para a classificação.
Porém, com um plano tático muito bem definido por Enderson Moreira, o Tigre do Vale conseguiu se defender muito bem e fez os ajustes necessários no intervalo para chegar ao gol com Mayk na segunda etapa e voltar à final da competição estadual depois de 36 anos. O “matador de gigantes”, que além do Timão, também goleou o Palmeiras na primeira fase e eliminou o Santos nas quartas, aguarda o vencedor de São Paulo e Palmeiras neste domingo (29). Em caso de vitória no tempo normal com três gols de diferença por parte do time alviverde, o Novorizontino jogará o segundo jogo fora de casa – em qualquer outra situação, o mando é do Tigre.
Mudança na formação do Corinthians e Novorizontino com dificuldade no início
Depois de ter dificuldades em encontrar um padrão de jogo sem Yuri Alberto, e principalmente que envolvesse Memphis Depay de maneira positiva no ataque, Dorival Júnior optou por mudar a formação para o duelo, deixando o holandês como referência única no campo ofensivo e um meio-campo composto por cinco atletas, com os alas atuando de maneira mais aguda na equipe. Já o Grêmio Novorizontino de Enderson Moreira foi à campo repetindo a escalação que eliminou o Santos nas quartas de final, apenas com a entrada de Vinícius Paiva no lugar de Christian Ortiz na ponta esquerda.
Nos primeiros minutos, o Corinthians teve boas escapadas quando a bola passava pelos pés de André ou Allan, que conseguiam progredir ou encontrar um passe em progressão, mas quando a bola chegava no último terço, Garro, que era quem jogava mais avançado no quinteto do meio-campo, tinha dificuldade em segurar a bola. A equipe mandante tentava emplacar uma pressão alta na saída do Timão, mesmo que rápida e que não comprometesse a formação dos blocos mais defensivos.
O Novorizontino teve pouquíssima posse de bola, mas levava perigo quando atacava: com Rômulo atuando centralizado como pivô, Robson flutuava pelos lados para dar amplitude e esperar a chegada dos alas. O objetivo era tentar “tirar” um dos zagueiros da área e criar espaços para Rômulo ou o ala/ponta oposto finalizar.
Corinthians cresce, mas não finaliza – Enderson “arruma a casinha” no intervalo
Com o passar dos minutos, o Corinthians conseguiu encontrar caminhos para chegar ao ataque, principalmente quando a bola passava pelos pés de André, pela esquerda. Por outro lado, o Novorizontino decaiu muito de produção – a equipe tentava a todo custo ligações diretas em direção a Vinícius Paiva e Robson – Léo Naldi e Oyama, volantes com boa qualidade no passe, apareceram muito pouco, deixando o jogo do time mandante muito previsível, ainda mais quando Raniele, que atuava como um volante “caindo” para atuar com terceiro zagueiro, tinha liberdade para sair da área e interceptar passes.
Apesar do Timão ter aumentado o domínio e a pressão na reta final da primeira etapa, o jogo foi para o intervalo com o placar sem gols.

Na volta do vestiário, o Grêmio Novorizontino demonstrou mais competitividade, liberando mais os jogadores da frente para pressionar a saída da bola alvinegra, mesmo que a forma de criação de jogadas fosse a mesma. Castrillón, que entrou no lugar do ponta direita Matheus Bianchi, foi essencial para a intensidade da pressão do Tigre. Por um lado, o Corinthians deixou de ter a facilidade em triangular pelos lados e chegar ao ataque rapidamente, mas passou a ter mais espaço para aproveitar ligações diretas e encontrar algum meio-campista atacando o espaço ao lado de Depay.
Tigre vence embate tático e chega ao gol com elemento surpresa
Apesar da baixa participação de Oyama e Naldi na fase ofensiva, os dois foram muito bem na marcação – individualmente em Allan e na linha de passe de André – muitas vezes deixando até mesmo Rodrigo Garro livre. O objetivo não era fazer com que o Corinthians forçasse a bola no argentino, mas sim que tentassem o jogo pelo lado. Os laterais Mayk e Alvariño subiram a marcação e forçaram Bidu e Matheuzinho a tentar a ligação direta mais do que o necessário. Em um duelo que taticamente era interessante, o ritmo foi bastante impactado pela quantidade altíssima de faltas por parte de ambas as equipes.
O embate era bastante “truncado”, e aos 30 minutos, o Novorizontino abriu o placar em uma jogada que parecia até mesmo “despretensiosa”, mas que ocorreu graças à mudança tática da equipe da casa no intervalo. Robson, novamente caindo pelos lados, fez um cruzamento pela direita e Mayk, vencendo André na velocidade, apareceu infiltrando no segundo poste para finalizar livre de marcação. Surgindo justamente como o elemento surpresa, o lateral-esquerdo atuou de maneira muito mais avançada durante toda a segunda etapa e a mudança no posicionamento foi recompensada.
Se o Corinthians já encontrava certa tensão em conseguir se estabelecer em campo, o gol sofrido praticamente desestruturou totalmente a equipe de Dorival Júnior, ainda mais após as entradas de Pedro Raul e Dieguinho, nos lugares de Bidon e Garro. O Timão tentou ir pro “abafa”, mas talvez por cansaço, ou por pura desorganização tática, a equipe realizou uma pressão bastante apática, sem causar dificuldades para o Novorizontino. Apesar das estatísticas mais favoráveis ao time visitante, o Tigre do Vale conseguiu segurar o resultado e conquistar a vitória técnica e tática, chegando à finalíssima do Campeonato Paulista.
Resultado: Grêmio Novorizontino 1 – 0 Corinthians
Foto principal: Agência Paulistão