O Arsenal está cada vez mais próximo de encerrar um jejum de 22 anos sem título da Premier League. Mas, se depender da opinião de rivais e críticos, dificilmente levantará a taça como unanimidade. A vitória por 1 a 0 sobre o Brighton & Hove Albion, no Amex Stadium, ampliou a vantagem na liderança, porém reacendeu o debate sobre a forma como o time de Mikel Arteta tem conquistado seus pontos.
Em um jogo tenso, truncado e com pouquíssimas chances claras, o Arsenal fez o suficiente. Um gol cedo, muita aplicação defensiva e uma dose generosa de pragmatismo bastaram para garantir três pontos que podem ser decisivos na corrida pelo título.
Se o futebol apresentado não encantou, a frieza competitiva impressionou. E, na reta final do campeonato, talvez isso seja o que realmente importa.
Vitória magra, liderança do Arsenal ampliada
O único gol da partida saiu logo aos nove minutos. Bukayo Saka finalizou, a bola desviou em Carlos Baleba e enganou o goleiro Bart Verbruggen. Foi um lance simples, até fortuito, mas suficiente para definir uma noite inteira.
Depois disso, o Arsenal praticamente abriu mão da iniciativa ofensiva. O número de oportunidades criadas foi mínimo. A equipe terminou o primeiro tempo com estatísticas ofensivas quase inexistentes e, durante boa parte da etapa final, limitou-se a defender.
Ainda assim, venceu. Foi a décima vitória por apenas um gol de diferença na temporada, um retrato fiel da campanha: eficiência acima de espetáculo.
Críticas e provocações
O técnico do Brighton, Fabian Hurzeler, não escondeu sua insatisfação. Antes mesmo da partida, já havia alertado sobre o que considerava exageros do Arsenal na administração do tempo. Após o apito final, reforçou o discurso.
Segundo ele, apenas um time tentou jogar futebol. A declaração inflamou o ambiente e reforçou a narrativa de que o Arsenal estaria recorrendo a “artifícios” para segurar resultados.
Arteta respondeu de forma direta. Disse amar a forma como sua equipe compete e minimizou as críticas externas. Para o treinador espanhol, o que importa é cuidar do próprio “jardim” — e o jardim dos Gunners está florescendo no momento certo.
Defesa sólida e mentalidade fria
Se o ataque pouco produziu, a defesa compensou. Sem William Saliba, o sistema defensivo teve em Gabriel um pilar absoluto. O zagueiro brasileiro liderou a retaguarda com firmeza, cortando investidas e organizando a linha defensiva sob pressão constante.
O Brighton pressionou, criou volume e levou perigo em alguns momentos, especialmente com Georginio Rutter. Mas encontrou um bloqueio disciplinado e concentrado.
Houve tensão até os minutos finais. David Raya caiu após uma defesa importante, gerando revolta nas arquibancadas. Já nos acréscimos, Saka permaneceu no chão em lance que resultou em empurrões e discussão com Joel Veltman. O clima foi quente do início ao fim.
Vilões ou campeões?
O Arsenal parece confortável no papel de antagonista. Não encanta, mas compete. Não domina amplamente, mas sabe sofrer. Em uma temporada marcada pelo equilíbrio, talvez essa frieza seja o diferencial.
Com sete pontos de vantagem e o Manchester City ainda perseguindo com um jogo a menos, cada vitória ganha peso extra. E esta, mesmo sem brilho, teve gosto de capítulo decisivo.
A Premier League não é concurso de popularidade. É disputa por troféu. E, gostem ou não os críticos, o Arsenal está na frente quando a linha de chegada começa a se aproximar.
Se o título vier, noites como esta em Brighton serão lembradas não pela beleza, mas pela importância. E talvez seja exatamente assim que campeonatos são conquistados.