Fernando Alonso Aston Martin
Automobilismo Fórmula 1

Alonso relata piora nas vibrações da Aston Martin e pausa após Suzuka pode ser salvação

A Aston Martin segue incapaz de terminar uma corrida de Fórmula 1 em 2026. Fernando Alonso abandonou o GP da China deste domingo (15) após apenas 32 voltas e confirmou que os problemas foram, novamente, as vibrações do AMR26. O espanhol teve que soltar o volante nas retas para aliviar as dores nas mãos.

A situação do time de Silverstone pode ganhar algum respiro nas próximas semanas. Após o GP do Japão, a Fórmula 1 terá uma pausa de mais de um mês em decorrência do cancelamento das etapas de Sakhir e Jedá, o que pode oferecer tempo valioso para que a equipe e a Honda tentem resolver a falha crônica do conjunto.

Em Xangai, nem Alonso nem Lance Stroll conseguiram levar o carro até o fim da prova. A dupla já havia abandonado na Austrália e, assim, completou o segundo fim de semana consecutivo finalizar. Para o bicampeão mundial, as oscilações do chassi estavam ainda piores do que em qualquer outra etapa da temporada.

Alonso teve que reduzir ritmo durante a prova

Fernando Alonso Aston Martin
Foto: Reprodução / Cidadania Italiana

Segundo Alonso, as vibrações passaram a afetar diretamente sua sensibilidade nas mãos e nos pés a partir da volta 20. O piloto do carro nº 14 contou que precisou reduzir as rotações do problemático motor Honda em alguns momentos para preservar sua integridade física.

As estimativas de Adrian Newey, chefe da Aston Martin, sobre o máximo de voltas que os pilotos conseguiriam completar antes que o desconforto se tornasse insustentável foram superadas em cerca de dez voltas. A boa largada também apareceu como um dos poucos sinais positivos do fim de semana. Ainda assim, Alonso afirmou que o problema parecia mais grave do que nas corridas anteriores.

“Algumas das medidas que tomamos foram artificiais. Apenas baixar o RPM do motor e coisas assim, para que tudo vibre menos. Mas, na corrida, obviamente, você ainda precisa subir o giro em algumas situações — quando tenta uma ultrapassagem, quando precisa recarregar [a bateria], ou algo do tipo”, explicou.

O abandono aconteceu quando o veterano de 44 anos já estava uma volta atrás dos rivais, cenário que não justificava continuar forçando o equipamento sem perspectiva de resultado. Na Austrália, Alonso havia abandonado ainda mais cedo, no giro 21 — 12 voltas antes do que conseguiu completar na China.

Aston Martin terá mês de alívio e trabalho árduo ao mesmo tempo

Se o momento é de extrema decepção para o time britânico, uma alteração no calendário pode oferecer um fôlego inesperado. Os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita foram cancelados em decorrência dos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã, o que resultará em uma pausa de 35 dias após a etapa japonesa.

O alívio por não precisar expor pilotos e carros a uma corrida em condições quase inviáveis não deve ser confundido com relaxamento. A equipe terá um período intenso de trabalho para tentar garantir que os problemas estejam resolvidos — ou ao menos reduzidos — até o GP de Miami, quando a Fórmula 1 retornará.

A expectativa inicial da Honda era tornar a unidade de potência competitiva e confiável até Suzuka. Entretanto, com apenas duas semanas até a etapa e considerando o nível das vibrações apresentado até aqui, esse prazo parece cada vez menos realista.

A Aston Martin é uma das duas equipes que ainda não somaram pontos em 2026, ao lado da estreante Cadillac. Embora o time americano tenha, de longe, o pior ritmo do grid em seu primeiro ano na categoria, ele supera a rival britânica em confiabilidade e ocupa a 10ª posição no Mundial de Construtores, enquanto a equipe de Alonso e Stroll aparece na lanterna da tabela.

(Foto principal: Race Pictures)