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Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1: 5 lições que aprendemos com o GP da China de 2026

O GP da China do último domingo (15) foi mais uma vez dominado pela Mercedes, que desponta como força dominante no início do novo regulamento da Fórmula 1. Mas engana-se quem pensa que a prova não teve contornos marcantes: houve vitória inédita, retorno de um nome histórico ao pódio e até o vexame da atual campeã.

Confira cinco lições que tiramos da segunda etapa do Mundial:

1. Antonelli supera status de promessa

A prova em Xangai foi vencida por Kimi Antonelli, a primeira vitória da carreira do italiano de 19 anos na Fórmula 1. O fim de semana também marcou sua primeira pole position, que foi um aperitivo para o momento máximo de sua trajetória até aqui, confirmado no domingo.

O resultado pouco surpreende quem acompanhou a avassaladora trajetória do piloto nas categorias de base antes de receber o chamado da Mercedes para substituir Lewis Hamilton em 2025. Títulos de kart, Fórmulas 4 e Regional, e uma campanha regular na Fórmula 2 o alçaram ao patamar de maior promessa júnior daquele momento.

A pressão sobre seus ombros era enorme, e o início certamente não foi fácil, mas o pupilo de Toto Wolff combinou velocidade e arrojo para terminar a primeira temporada em um sólido sétimo lugar, com três pódios. Distante do companheiro George Russell, mas positivo para um estreante na Fórmula 1.

Agora, em 2026, com o melhor equipamento do grid e sem o rótulo de “calouro”, era a hora de mostrar a que veio na categoria. Foram necessárias apenas duas corridas para que Antonelli silenciasse os críticos que o chamavam de “eterna promessa”, com uma vitória inquestionável na China.

Ainda é cedo para dizer se será capaz de desafiar o favorito e atual líder do campeonato, Russell, mas o italiano já deixou um cartão de visitas convincente aos rivais. Resta saber se o triunfo foi um momento isolado ou o prenúncio de uma disputa real pelo título.

2. Não subestime um heptacampeão mundial

Outro momento marcante do GP da China foi o primeiro pódio de Hamilton pela Ferrari. O inglês chegou a Maranello em 2025 e viveu um primeiro ano difícil, que teve como ponto alto apenas uma vitória na corrida sprint — que não conta para as estatísticas oficiais — justamente em Xangai.

Muito se especulou sobre o futuro do heptacampeão após 2026, com menções até a uma possível aposentadoria da Fórmula 1. O novo regulamento, porém, parece ter dado vida nova ao britânico, com carros mais alinhados ao seu estilo de pilotagem em comparação aos da era do efeito-solo.

Embora a Ferrari não tenha o melhor equipamento do grid, o nº 44 já deixou claro que está satisfeito com o trabalho dos engenheiros e mecânicos, que construíram um carro apontado como a segunda força da temporada e com características que carregam seu “DNA”.

Na China, Hamilton protagonizou um intenso duelo de ultrapassagens com seu companheiro Charles Leclerc. A disputa valia apenas a terceira posição, mas, para o veterano, representava aliviar a pressão após uma temporada inteira longe do top-3.

O pódio pode parecer modesto diante das 105 vitórias acumuladas na carreira, mas surge como uma fagulha de esperança de que seus melhores dias na Fórmula 1 ainda não ficaram no passado. O bom início de temporada também ajuda a elevar a moral do heptacampeão para a sequência do campeonato.

3. McLaren está irreconhecível e flerta com o meio do pelotão

A corrida em Xangai começou com quatro baixas antes mesmo da largada. A dupla da McLaren, Lando Norris e Oscar Piastri, sequer deu a primeira volta do GP da China, juntando-se a Alexander Albon (Williams) e Gabriel Bortoleto (Audi), que também não largaram.

O motivo foi uma falha elétrica nas unidades de potência dos dois carros. Segundo o chefe da equipe, Andrea Stella, as questões não têm ligação direta entre si e foram apenas uma coincidência infeliz.

O que definitivamente não parece obra do acaso é o início decepcionante da equipe de Woking. Após duas etapas, o time, campeão de Fórmula 1 em 2025, já aparece a 80 pontos de distância da líder do campeonato de construtores, Mercedes.

Mesmo sendo cliente de motor dos Flechas de Prata, que têm a melhor unidade de potência da temporada até aqui, mas a McLaren ainda não conseguiu se encontrar em 2026 e parece perdida em seu próprio desenvolvimento.

Se na corrida não houve como avaliar o MCL40, as demais sessões do fim de semana evidenciaram a distância para os ponteiros. Na classificação, cerca de meio segundo separou Norris e Piastri — quinto e sexto colocados — do pole position Antonelli.

Em Melbourne, a diferença havia sido ainda maior: Piastri ficou a 0,8s e Norris a 0,9s do melhor tempo. Os números indicam que a equipe deu passos significativos para trás e parece, nesta fase inicial, ter voltado a fazer parte do meio do pelotão.

4. Novo regulamento da Fórmula 1 cala rumores de corridas chatas

Um dos maiores temores com a implementação das novas regras da Fórmula 1 era que 2026 se tornasse um ano atípico — negativamente — para a categoria. Os motores com 50% de componente elétrico levantaram preocupações de que cenas contraintuitivas se tornariam comuns, como pilotos tirando o pé do acelerador nas retas para gerenciar a bateria.

Até agora, porém, o que se viu foi uma temporada marcada por batalhas intensas e trocas constantes de posição. A artificialidade existe, mas em escala bem menor do que muitos imaginavam.

Isso não significa que o novo regulamento não precise de ajustes — inclusive por questões de segurança. As largadas ainda são um ponto sensível em 2026, e a perda abrupta de velocidade no fim das retas quando a bateria se esgota segue gerando debate.

Ainda assim, as corridas têm sido disputadas. Os próprios pilotos chegaram a teorizar que os novos carros dificultariam ultrapassagens, mas o que se viu até agora foi justamente o contrário.

As batalhas entre Hamilton e Leclerc na China se somam ao duelo do monegasco com Russell em Melbourne, que estiveram entre os pontos altos das duas provas iniciais.

5. Bearman, melhor do “resto”, consolida força da Haas

Uma das gratas surpresas da temporada de 2026 é a ascensão da Haas. Antiga equipe caçula da Fórmula 1 até a chegada da Cadillac, o time americano já havia chamado atenção na pré-temporada como destaque entre as equipes do meio do pelotão.

Após duas corridas, Oliver Bearman vem confirmando que a expectativa não era apenas fogo de palha. O britânico, integrante da Academia da Ferrari, ocupa a quinta posição no Mundial de Pilotos com 17 pontos, à frente inclusive dos três postulantes ao título na temporada anterior — Norris, Max Verstappen e Piastri.

A equipe se apoia em parcerias técnicas com montadoras, como Ferrari e Toyota, e começa a se aproximar cada vez mais da parte superior do pelotão. As cores da fabricante de carros japonesa se fazem mais presentes que nunca na lataria do VF-26 e apontam para um interesse crescente na Fórmula 1 (de onde saiu em 2010).

O próximo passo para consolidar esse crescimento talvez seja alcançar o tão sonhado primeiro pódio da história da escuderia, algo que ainda não aconteceu após dez temporadas na categoria.

Embora o outro carro da Haas, pilotado por Esteban Ocon, não tenha tido o mesmo início positivo, o quinto lugar de Bearman na China foi suficiente para colocar o time americano na quarta posição do Mundial de Construtores.

(Foto principal: Kym Illman via Getty Images)