O Cruzeiro certamente esteve bem convicto quando tomou a decisão de demitir o técnico Tite, com a previsão de Artur Jorge chegar nos próximos dias para comandar um dos elencos de maior potencial do futebol brasileiro. No entanto, a derrota para o Athletico-PR por 2 a 1 no Brasileirão mostrou que Leonardo Jardim já havia cumprido um difícil papel de potencializar um elenco que não é dos melhores do futebol brasileiro, mostrando que o treinador precisará mais uma vez lidar com muitas dificuldades caso queira retornar ao mais alto escalão do futebol brasileiro
Cruzeiro viu seus problemas serem expostos pelo Furacão
Desde o início, o Athletico apostou em um modelo agressivo, com pressão alta coordenada e forte ataque aos corredores laterais. A equipe se organizou em um 4-3-3 dinâmico, com pontas bem abertos para gerar amplitude, mio-campo móvel, alternando entre apoio e infiltração, além de laterais participativos, criando superioridade pelos lados. A pressão sobre a saída do Cruzeiro foi determinante, pois ao forçar erros na primeira fase de construção, o time paranaense conseguiu recuperar bolas em zonas perigosas e transformar essas ações em finalizações rápidas.
A equipe mineira iniciou com proposta de maior posse, estruturada em um 4-2-3-1, buscando saída curta com os zagueiros, volantes oferecendo linhas de passe e meias ocupando entrelinhas. Porém, esse plano foi constantemente desestabilizado pela pressão do Athletico. Sem tempo para pensar, o Cruzeiro alternou entre erros técnicos e bolas longas, perdendo sua principal característica: o controle do ritmo. Além disso, quando perdia a bola, a recomposição defensiva era lenta, cenário explorado com frequência pelo adversário.
O jogo teve como principal marca as transições, e nesse aspecto o Athletico foi superior. A equipe conseguiu ser melhor, atacando rapidamente os espaços nas costas da defesa, criando situações de superioridade numérica e mantendo agressividade mesmo após abrir o placar. Depois de ter aberto o placar, o Furacão chegou ao segundo gol graças à recuperação no meio, aceleração imediata e infiltração em velocidade, pegando o sistema defensivo do Cruzeiro desorganizado.
Mesmo com dificuldades, o Cruzeiro conseguiu diminuir o placar ao aproveitar uma jogada mais trabalhada, explorando o lado oposto da defesa e encontrando espaço na área. Após o gol, a equipe cresceu no jogo e passou a ter mais presença ofensiva, especialmente com avaço dos laterais e maior ocupação da grande área. Ainda assim, a Raposa esbarrou em um Athletico mais compacto na reta final. Os comandados de Odair Hellman recuaram suas linhas, organizando-se em bloco médio/baixo e priorizando a proteção da área.
Artur Jorge deve reassistir à Athletico x Cruzeiro
Na Arena da Baixada, o Athletico mostrou um futebol direto e intenso, transformando pressão em vantagem e controlando o jogo nos momentos decisivos. A equipe foi mais eficiente ao explorar os espaços e demonstrou maturidade ao administrar o resultado. O interino Wesley Carvalho até tentou impor seu estilo, mas foi engolido pela intensidade adversária, um cenário que evidencia a necessidade de ajustes, especialmente quando enfrenta equipes que pressionam alto e aceleram o jogo. Caso realmente feche a contratação, um jogo para Artur Jorge assistir e reassistir mais de uma vez antes de iniciar seu trabalho.
Imagem: AGIF