O Fluminense estava quase assumindo a vice-liderança do Brasileirão com a vitória parcial diante do Vasco em clássico válido pela 7ª rodada do Brasileirão, mas a equipe de Luís Zubeldía acabou sucumbindo nos minutos finais no Maracanã, precisando ligar um sinal amarelo principalmente às bolas paradas defensivas, um fator que não favorece situações de times que pensam em brigar pelo título. Com o placar de 3 a 2, o cruzmaltino conseguiu uma virada que ficará marcada para o resto da temporada, enquanto o Tricolor precisará mais uma vez superar seu aspecto anímico.
Fluminense controlou primeiro tempo diante do Vasco
O primeiro tempo e o início da etapa final mostraram um Fluminense mais fiel à sua identidade recente: posse qualificada, circulação por dentro e triangulações rápidas entre meio e ataque. A equipe construiu vantagem de dois gols com naturalidade, explorando especialmente o lado direito ofensivo e a mobilidade do trio formado por Canobbio, Savarino e John Kennedy.
A estrutura tricolor tinha como base um 4-3-3 com meio-campo técnico, em que Hércules e Martinelli alternavam infiltrações, enquanto Lucho Acosta flutuava entrelinhas. O segundo gol nasce justamente desse modelo: triangulação curta, quebra da última linha e finalização de média distância — um padrão recorrente de superioridade posicional.
Do outro lado, o Vasco apresentava dificuldades para pressionar alto e controlar o espaço entre linhas. Sem conseguir encaixar marcação coordenada, a equipe recuava em bloco médio/baixo e apostava em transições diretas, ainda pouco eficientes até então.
Vasco reagiu graças à bola parada
O jogo muda a partir de um elemento clássico: a bola parada. O gol de Nuno Moreira, após desatenção defensiva do Fluminense em escanteio, reabre a partida e altera completamente o cenário emocional e tático. A partir disso, o Vasco passa a adiantar linhas, com laterais mais agressivos e maior presença na área, fazendo o Tricolor perder o controle do ritmo do meio-campo.
As substituições também contribuíram para um jogo mais fragmentado, com mais faltas e menos organização coletiva, favorecendo quem melhor competisse nos duelos, cenário ideal para o Vasco para buscar a virada. Nos minutos finais, o Vasco praticamente empurrou o Fluminense para o próprio campo, explorando cruzamentos constantes (principalmente bola longa na segunda trave) e ocupação da área com mais jogadores.
O empate surge exatamente assim: bola alçada, desorganização defensiva e liberdade para finalização de Spinelli dentro da área. Já o gol da virada, marcado nos acréscimos por Thiago Mendes, simboliza o colapso estrutural do Fluminense: linhas espaçadas, pouca proteção à entrada da área e incapacidade de sustentar a pressão adversária.
O que fica para o Fluminense após a virada sofrida?
Mais do que uma simples virada, o 3 a 2 no Maracanã expõe uma diferença crucial: o Fluminense teve o controle, mas não soube sustentá-lo; o Vasco, mesmo inferior por longos períodos, soube identificar o momento do jogo e transformá-lo a seu favor. Com isso, o Tricolor perdeu a chance de aproveitar a derrota do São Paulo e chegar à vice-liderança do Brasileirão, um cenário que seria muito favorável considerando que o time de Roger Machado enfrentará o Palmeiras no fim de semana. As bolas alçadas na área viraram um problema urgente no Fluminense.
Imagem: AGIF