A demissão de Vojvoda do Santos, após a derrota por 2 a 1 para o Internacional, na Vila Belmiro, pelo Brasileirão é consequência direta de um processo que se construiu ao longo de meses. Não se trata de uma decisão impulsiva, embora covarde por ter sido feita via departamento de comunicação, mas foi até tardia pelo um acúmulo de problemas que nunca foram corrigidos.
Desde que assumiu o clube no final de agosto de 2025, Vojvoda comandou o Santos em 32 partidas, com 10 vitórias, 11 empates e 11 derrotas, alcançando um aproveitamento de 41,6%. O número traduz bem o que foi o time: irregular, pouco confiável e, principalmente, sem evolução.
O início do Brasileirão 2026 reforça esse cenário. O Santos possui a segunda pior defesa do campeonato, com 13 gols sofridos, um reflexo direto das dificuldades estruturais que acompanharam o trabalho desde o início.
A seguir, os 6 principais motivos da demissão de Vojvoda.
Falta de padrão tático e erros defensivos recorrentes
O maior problema do Santos de Vojvoda foi a ausência de identidade. Após sete meses, o time ainda não tinha um modelo de jogo claro, o que já seria grave por si só. Mas o ponto mais crítico foi que os problemas defensivos nunca foram corrigidos.
A equipe apresentava os mesmos erros repetidamente: dificuldade na recomposição, espaços entre linhas, falhas na proteção à zaga e fragilidade em transições defensivas. Era um time que se desorganizava com facilidade e não conseguia se proteger.
Isso não é um detalhe, é estrutura. E quando esse tipo de problema persiste ao longo de mais de 30 jogos, ele deixa de ser circunstancial e passa a ser responsabilidade direta do treinador.
Falta de definição de time titular
Outro fator que pesou contra Vojvoda foi a incapacidade de consolidar uma base. O Santos mudou demais ao longo das partidas e nunca conseguiu criar um time titular claro.
Essa rotatividade constante prejudicou o entrosamento e impediu o desenvolvimento de automatismos. O time parecia sempre estar começando do zero, sem continuidade.
Em um calendário como o brasileiro, onde o tempo de treino é escasso, repetir escalação é essencial para construir desempenho. E isso não aconteceu.
Meio de campo dominado ao longo de todo o trabalho
Se existe um padrão claro no Santos de Vojvoda, é a dificuldade de competir no meio de campo.
A equipe foi dominada nesse setor em grande parte dos jogos. Não conseguia controlar o ritmo, perdia duelos e tinha dificuldades para construir jogadas. Isso gerava um efeito em cadeia: a defesa ficava exposta e o ataque pouco produzia.
Contra o Internacional, esse cenário se repetiu. O Santos não conseguiu sustentar o jogo em nenhum momento, confirmando um problema que já vinha sendo recorrente.
Substituições sem lógica e pouca leitura de jogo
A condução das partidas também foi um ponto fraco. As substituições feitas por Vojvoda frequentemente não dialogavam com o que o jogo pedia.
Em vez de corrigir problemas, muitas mudanças desorganizavam ainda mais o time. Além disso, havia demora para reagir em momentos decisivos.
Esse tipo de decisão pesa diretamente no resultado. No futebol atual, o treinador precisa intervir com precisão — e isso não aconteceu de forma consistente.
Insistência em Zé Ivaldo e João Schmidt
A insistência em jogadores como Zé Ivaldo e João Schmidt, mesmo com atuações abaixo, também contribuiu para o desgaste do trabalho.
Ambos seguiram recebendo minutos com frequência, o que impactou o rendimento coletivo e aumentou a pressão externa. A manutenção desses nomes reforçou a sensação de que faltava ajuste e leitura mais precisa do elenco.
Além disso, afetou diretamente setores importantes do time, principalmente na saída de bola e na proteção defensiva, áreas onde o Santos já apresentava dificuldades.
Resultados ruins, fragilidade defensiva e ausência de evolução
O fator final é a soma de tudo: desempenho e resultado.
Os números de Vojvoda no Santos mostram um time que não conseguiu se impor. O aproveitamento de 41,6%, somado à sequência de jogos irregulares e à fragilidade defensiva — evidenciada pelos 13 gols sofridos no Brasileirão — tornaram a permanência insustentável.
Mais do que perder, o problema foi não evoluir. O time repetia erros, não apresentava crescimento e não dava sinais de que poderia mudar o cenário.
A derrota para o Internacional como síntese
O jogo na Vila Belmiro foi o resumo do trabalho de Vojvoda. Mesmo em casa, o Santos apresentou desorganização, sofreu defensivamente, foi dominado no meio e não conseguiu controlar a partida.
Os três gols sofridos reforçam exatamente o principal problema do time: a falta de consistência.
Uma queda construída ao longo do tempo
A demissão de Vojvoda não foi uma reação imediata. Foi construída ao longo de 32 jogos.
Faltou identidade, faltou ajuste, faltou evolução. Houve insistências equivocadas, decisões questionáveis e um desempenho que nunca se estabilizou.
No futebol, a regra é simples: não basta ter tempo, é preciso transformar esse tempo em resultado e desempenho.
E no Santos, Vojvoda não conseguiu fazer isso.
Creditos Foto: Ricardo Moreira/Getty Images


