As declarações feitas por Zak Brown reforçam o discurso de confiança que a McLaren vem adotando desde o início da temporada 2026 da Fórmula 1. O dirigente afirmou que acredita que a equipe voltará a vencer em breve e que ainda espera disputar o campeonato de pilotos e construtores, defendendo os títulos conquistados recentemente.
No entanto, quando se analisa o desempenho nas primeiras corridas do ano, o cenário é muito menos animador do que as palavras do CEO sugerem. A realidade mostra uma equipe distante do ritmo das principais rivais e com dificuldades que tornam pouco provável uma verdadeira disputa pelo campeonato.
Desde a pré-temporada, Zak Brown vinha adotando um tom moderadamente otimista. Ele reconhecia que a McLaren não começaria o ano como favorita, mas acreditava que o time estaria entre os mais competitivos e poderia evoluir ao longo do campeonato.
Em entrevistas antes da abertura da temporada, chegou a colocar a Mercedes como principal candidata ao título, ao lado da Ferrari, indicando que a equipe de Woking ainda teria trabalho a fazer para alcançar esse nível. Mesmo assim, a expectativa interna era de que a diferença não seria grande e que o desenvolvimento durante o ano poderia colocar a McLaren novamente na briga.
O problema é que a temporada começou de forma muito pior do que qualquer projeção. Nos primeiros GPs, a McLaren enfrentou falhas mecânicas, problemas de confiabilidade e falta de ritmo, ficando longe das primeiras posições na Austrália.
Na China, os dois carros sequer conseguiram largar por problemas técnicos, algo totalmente impensável para uma equipe que vinha de título recente. Além da questão da confiabilidade, o desempenho em classificação e corrida também ficou abaixo do esperado, com a equipe lutando apenas por pontos, enquanto Mercedes e Ferrari disputam vitórias.
Outro ponto preocupante é a diferença de desempenho. Integrantes da própria equipe admitiram que o carro atual está até um segundo por volta mais lento que o da Mercedes em determinadas pistas, um déficit enorme para os padrões atuais da Fórmula 1.
Quando a diferença chega a esse nível, não se trata apenas de ajustes finos ou atualizações aerodinâmicas, mas sim de um projeto que nasceu atrás dos concorrentes. E recuperar um atraso estrutural desse tamanho ao longo da temporada é extremamente difícil, principalmente numa era em que o limite orçamentário reduz a capacidade de desenvolvimento agressivo.

A distância para Ferrari e Mercedes torna o discurso de Zak Brown pouco realista
O fator que mais enfraquece o otimismo de Zak Brown é o nível atual das principais rivais. A Mercedes começou a temporada muito forte, confirmando o bom desempenho visto nos testes, enquanto a Ferrari mostra um carro equilibrado e constante, capaz de brigar por vitórias em praticamente todas as corridas.
Quando duas equipes iniciam o campeonato nesse nível, qualquer concorrente que comece atrás precisa de uma reação quase perfeita para voltar à disputa, algo que a McLaren não demonstra ter condições de fazer neste momento.
Historicamente, a equipe de Woking já mostrou capacidade de evolução durante a temporada, especialmente nos últimos anos, quando conseguiu transformar carros medianos em máquinas competitivas após grandes pacotes de atualização.
Porém, em 2026 a situação parece diferente. O problema não está apenas em pequenos detalhes, mas na base do projeto, que não conseguiu acompanhar o salto técnico das rivais. Além disso, a dependência da unidade de potência da Mercedes, que também apresentou falhas nas primeiras etapas, complicou ainda mais o início do campeonato.
O discurso de Zak Brown, portanto, parece mais político do que técnico. Como CEO, ele precisa manter a confiança de patrocinadores, funcionários e torcedores, e admitir publicamente que o título está fora de alcance logo no começo do ano não seria positivo para a imagem da equipe. Ainda assim, suas próprias declarações ao longo das últimas semanas mostram que ele sabe que a McLaren não começou a temporada no nível esperado.
Ser pessimista quanto às chances de título não significa descartar totalmente uma reação, mas sim reconhecer que, nas condições atuais, a McLaren está mais próxima de lutar por pódios ocasionais do que por um campeonato. O calendário ainda é longo, e atualizações podem melhorar o desempenho, porém a diferença acumulada nas primeiras corridas já coloca a equipe em desvantagem significativa na tabela.
Se a McLaren conseguir voltar à briga pelo título em 2026, como afirmou Zak Brown, será uma das maiores recuperações da história recente da Fórmula 1. No momento, porém, tudo indica que a temporada deve ser de reconstrução, enquanto Mercedes e Ferrari parecem muito mais preparadas para disputar o campeonato até o final.
(Imagem de capa: Joe Portlock/Getty Images)