O começo de temporada da Ferrari animou os fãs da escuderia. Embora o SF-26 não seja a força dominante da Fórmula 1 em 2026, o carro tem valências positivas que a colocam como principal adversária da Mercedes. Porém, as Flechas de Prata iniciam o ano com certa folga em relação às demais.
Embora a diferença seja significativa em tempos de volta, principalmente na classificação, a Ferrari tem dado algum trabalho à rival, sobretudo no início das corridas. Uma disputa ferrenha entre Charles Leclerc e George Russell perdurou pelas primeiras voltas do GP da Austrália, antes de a Ferrari errar na estratégia e o monegasco perder terreno.
Lewis Hamilton, piloto da Ferrari, tem elogiado bastante a equipe desde a pré-temporada. Para ele, o pacote da escuderia já é muito bom nas curvas e “só precisamos evoluir para acompanhar eles [a Mercedes] na reta”.
A grande questão é: essa evolução ainda é possível com a temporada em andamento?
Desvantagem da Ferrari pode cair após Mônaco

Supostamente o maior trunfo da Mercedes em 2026, as taxas de compressão do motor serão medidas de forma diferente a partir de 1º de junho. Embora a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) tenha flexibilizado as regras e permitido que as taxas excedam 16:1 em até 0,7 na nova medição, a equipe alemã estaria estendendo a proporção até 18:1.
Embora o chefe de equipe Toto Wolff desconverse sobre o real impacto da nova diretiva nos motores da Mercedes, o time baseado em Brackley e suas três clientes (Alpine, McLaren e Williams) podem ser afetados negativamente. A mudança veio após forte pressão das fabricantes rivais de motores: Audi, Ferrari, Honda e RBPT-Ford.
Com o cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, que seriam respectivamente a quarta e a quinta etapas do Mundial, a Mercedes terá disputado apenas cinco provas antes de ter que se adequar aos novos critérios. A diretiva passa a ser válida a partir de 1º de junho, na semana do GP de Mônaco. Inicialmente, o prazo era 1º de agosto, mas a FIA apressou a atualização — a qual também teve direito a voto.
Caso se confirme o cenário esperado pelas equipes — de que a Mercedes estaria operando acima da compressão permitida e obtendo vantagem com isso —, a desvantagem pode cair, justamente na parte que a Ferrari tem mais desvantagem em relação à rival. Ainda assim, mesmo que isso atrapalhe as Flechas de Prata, não é improvável que sigam como a força dominante de 2026.
Um problema para além da velocidade
Além da desvantagem natural do SF-26 em relação ao W17, a Ferrari terá que lidar com outro inimigo interno: as estratégias. A saída do antigo engenheiro de corrida de Hamilton, Riccardo Adami, antecedeu os bons resultados do inglês em 2026, mas não solucionou completamente o problema de gestão de corrida que assombra a escuderia há muitas temporadas.
Em Melbourne, a Ferrari brigava pela vitória com Leclerc até que um Virtual Safety Car mudou o cenário em favor da Mercedes e de Russell. A maior parte do grid parou, incluindo o britânico e seu companheiro, Kimi Antonelli, mas Leclerc e Hamilton permaneceram na pista.
A decisão se mostrou equivocada, já que o que parecia ser um pódio duplo da Ferrari, ou até mesmo uma vitória, se converteu em dobradinha da equipe adversária e expôs que o problema na gestão estratégica ainda assombra Maranello.
Mesmo ao reduzir a vantagem da Mercedes e brigar pelas primeiras posições, a Ferrari precisa melhorar a tomada de decisões para ameaçar os favoritos ao título. Por enquanto, a equipe está satisfeita com a base que tem para trabalhar e evoluir, mas ainda distante da imponência que marcou a década de 2000.
(Foto principal: Jayce Illman / Getty Images)



