O ex-técnico do Estudiantes e recém-contratado do Atlético-MG, Eduardo Dominguez, já começou a adaptar sua filosofia de jogo ao time mineiro. Estando há aproximadamente 1 mês no comando técnico, Eduardo Dominguez já se mostrou um técnico diferente de Sampaoli e terá mais suporte e tranquilidade pra implementar seu estilo de jogo.
O perfil vencedor de Dominguez: títulos, finais e gestão de grupo
Eduardo Dominguez chega ao Galo com um currículo invejável na América do Sul. Em quase três anos no Estudiantes (de 2023 a fevereiro de 2026), ele disputou sete finais e conquistou cinco títulos: Copa Argentina, Copa da Liga, Trofeo de Campeones (duas vezes) e o Clausura 2025, quebrando um jejum de 14 anos sem título argentino do clube.
No total, foram 159 jogos oficiais pelo Estudiantes: 72 vitórias, 47 empates e 40 derrotas, tendo um aproveitamento de 55,3%. Ele deixou o time com a essência recuperada: competitivo, intenso e difícil de ser batido, especialmente em jogos grandes.
Contra o maior rival, Gimnasia, foram oito jogos com três vitórias, quatro empates e apenas uma derrota.
Antes disso, já havia conquistado a Copa da Liga com o Colón em 2021 (primeiro título da história do clube) e chegou à final da Sul-Americana pelo Huracán em 2015. Aos 47 anos, Dominguez é visto na Argentina como um treinador que senta “na mesa dos grandes”, capaz de reorganizar elencos e extrair o máximo de grupos com limitações técnicas.
Diferente de Sampaoli, que priorizava posse alta e jogo posicional muitas vezes lento, Eduardo Dominguez valoriza intensidade, linhas compactas e pressão alta. Ele não nega a importância da defesa: “a defesa é um bom ataque”, mas rejeita o rótulo de retranqueiro.
Seu modelo busca equilíbrio: pressão organizada na saída de bola adversária, transições rápidas e verticalidade no ataque.
O que o Galo pode esperar: intensidade e gestão diferente
Dominguez já deixou claro que não vai mudar drasticamente a base tática do Atlético. Ele costuma utilizar o 4-2-3-1 como formação principal, mas também obteve sucesso com o 4-3-3 e o falso 9. A grande diferença em relação a Sampaoli deve estar na execução: maior verticalidade nas trocas de passe, compactação defensiva e gestão emocional do grupo.
No Estudiantes, ele montou um time homogêneo e mentalmente forte, com pilares como Santiago Ascacíbar, José Sosa, Gastón Benedetti e Guido Carrillo, todos com mais de 100 jogos sob seu comando. Essa capacidade de gestão de vestiário é um dos pontos mais elogiados e pode ser fundamental no Atlético, clube que viveu turbulência interna nos últimos meses.
Aos poucos, Eduardo Dominguez vem testando suas ideias no Galo. A pressão alta e as linhas compactas já aparecem em treinos e em alguns momentos de jogos. Ele busca um time que não “mude de atitude” após abrir o placar, como criticou Ceni recentemente em outro clube, e que mantenha intensidade constante.
Chance real de Eduardo Dominguez reinventar o Galo
Com apoio da diretoria e tempo para trabalhar (diferente da pressão imediata que Sampaoli enfrentou), Eduardo Dominguez tem condições de implementar o estilo que o consagrou: um Atlético intenso, competitivo e equilibrado, capaz de brigar por títulos nacionais e sul-americanos.
A torcida atleticana, insatisfeita com o futebol apresentado nos últimos meses, vê com bons olhos a chegada de um treinador que valoriza defesa sólida sem abrir mão de agressividade. Se conseguir transferir para o Galo o mesmo DNA que levou o Estudiantes de volta ao topo na Argentina, Dominguez pode iniciar uma nova era vitoriosa no clube.
O desafio é grande, mas o histórico fala por si. Aos 47 anos, o argentino tem a chance de provar que não é apenas mais um técnico estrangeiro de passagem: ele pode ser o nome capaz de reinventar o Atlético-MG com o estilo que já o consagrou na América do Sul.
Foto: Atlético-MG



