Max Verstappen voltou a criticar duramente o desempenho da Red Bull após ser eliminado ainda no Q2 do GP do Japão da Fórmula 1. O tetracampeão atribuiu a queda precoce aos problemas crônicos de dirigibilidade do RB22, repetindo avaliações já feitas nas primeiras etapas da temporada.
A classificação em Suzuka escancarou mais uma vez as dificuldades enfrentadas por Verstappen em 2026. Sem conseguir extrair desempenho do RB22, o holandês acabou eliminado no Q2 após perder sua posição no top-10 nos instantes finais da sessão.
Eliminado por novato, Verstappen reafirma críticas à Red Bull

O responsável direto pela queda de Verstappen foi o novato Arvid Lindblad, da Racing Bulls, que empurrou o piloto da equipe mãe para fora da zona de classificação ao Q3. O resultado reforçou um cenário amago e raro na carreira recente do tetracampeão, que inicia 2026 longe da disputa pelas primeiras posições já no sábado.
A eliminação precoce não foi um episódio isolado, mas sim a continuidade de um início de temporada irregular, no qual Verstappen tem figurado no meio do pelotão e distante das equipes líderes.
Na Austrália, uma forte batida logo no Q1 tirou o holandês da disputa precocemente e o fez largar do fundo do grid. Na segunda prova, em Xangai, Verstappen foi apenas oitavo na classificação da sprint e nono no treino que decidiu o grid da corrida de domingo.
As declarações após a sessão no Japão seguiram a mesma linha adotada pelo piloto semanas antes, ainda nas etapas iniciais do campeonato. Na ocasião, Verstappen já havia classificado o RB22 como “inguiável”, apontando falta de previsibilidade e dificuldade de controle como principais problemas.
Em Suzuka, o diagnóstico se repetiu quase sem alterações. O holandês destacou problemas de equilíbrio, com alternância entre subesterço e sobresterço, além da incapacidade do carro de responder adequadamente em curvas de alta velocidade, que é uma característica particularmente crítica em um circuito técnico como Suzuka.
Mesmo com mudanças no acerto e a utilização de um pacote aerodinâmico diferente, o comportamento do carro permaneceu inconsistente. A sensação descrita pelo piloto é de um modelo que não permite confiança para atacar voltas rápidas, transformando cada tentativa em um exercício de contenção de danos.
A repetição do discurso ao longo das etapas indica que as limitações do RB22 não são pontuais ou específicas de um circuito, mas estruturais, algo que compromete o teto de desempenho da equipe e de seu principal piloto.
Hadjar supera tetracampeão pela primeira vez em condições normais
Outro elemento que reforça o momento delicado da Red Bull é a comparação interna. Se nas primeiras corridas o recém-chegado Isack Hadjar já demonstrava proximidade a Verstappen em ritmo, Suzuka marcou um passo além.
Pela primeira vez em condições normais de classificação — sem incidentes ou fatores externos decisivos — o francês conseguiu superar o companheiro de equipe em desempenho direto. Enquanto Verstappen se debatia com o carro, que claramente não atende ao estilo de sua criteriosa pilotagem, seu parceiro parece estar lidando de forma mais eficaz com o carro.
Embora Hadjar também enfrente limitações com o RB22, sua evolução em voltas rápidas contrasta com a incapacidade do companheiro de encontrar consistência. O cenário amplia a pressão interna e reforça a leitura de que o carro reduziu significativamente a margem que Verstappen tradicionalmente mantinha dentro da equipe e da própria categoria.
A combinação entre um equipamento imprevisível e a crescente competitividade interna desenha um início de temporada incomum para o tetracampeão, cada vez mais distante do protagonismo habitual na Fórmula 1 e que precisará de muito trabalho, tanto de sua parte como da Red Bull, para sequer conseguir ir ao pódio em 2026.
(Foto principal: Reprodução / Fórmula 1)

