O Tottenham resolveu apertar o botão do desespero. Depois de uma passagem relâmpago (e desastrosa) de Igor Tudor, o clube londrino está prestes a entregar o volante do carro para Roberto De Zerbi e não é qualquer carro: é um que já está derrapando perto do precipício.
Com apenas sete jogos restantes na Premier League, os Spurs não têm margem para erro. Não tem tempo para “processo”, “adaptação” ou qualquer palavra bonita que treinador gosta de usar em coletiva. É ganhar ou sofrer e talvez sofrer mesmo ganhando.
De Zerbi chega com uma missão clara: salvar o Tottenham. E, para isso, vai precisar mexer em algumas coisas básicas que simplesmente não funcionaram até aqui, tudo isso para manter o time londrino na primeira divisão da Inglaterra.
Tottenham e suas 6 coisas que precisa de Roberto De Zerbi
Sistema simples: nada de inventar moda
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Se tem uma lição que a passagem de Tudor deixou, é que complicar só piora. A insistência com três zagueiros virou um problema constante, com o time sendo engolido no meio-campo e parecendo perdido em campo, sem contar nas misturas de jogadores com suas posições habituais.
Quando voltou ao tradicional 4-4-2, o Tottenham ao menos mostrou sinais de vida, arrancou empate em Anfield e venceu o Atlético de Madrid. Coincidência? Nem um pouco, o problema que essa realidade não teve um desenvolvimento, porque foram goleados pelo Nottingham Forest na última partida.
De Zerbi até gosta de ideias mais elaboradas, mas aqui vai um conselho direto: esquece a prancheta cheia de setinhas mirabolantes. O momento pede arroz com feijão.
Cada um no seu quadrado (literalmente)
Outro ponto que virou piada entre torcedores foi o festival de improvisações. Jogador fora de posição virou rotina e quase nunca funcionou.
Conor Gallagher aberto na direita, João Palhinha improvisado na zaga, Archie Gray rodando mais que Uber em horário de pico… foi um caos. Claro, as lesões atrapalharam. Mas também faltou bom senso.
A boa notícia para De Zerbi é que o elenco do Tottenham começará a ganhar reforços importantes, como Destiny Udogie e Lucas Bergvall. Isso significa uma coisa: dá pra parar de inventar. Sem esquecer do nome de James Maddison, que tem ecoado nos bastidores.
E, nesse momento da temporada, isso já é meio caminho andado.
Cabeça fria (sim, isso inclui o técnico)
Se tem algo que o Tottenham não pode se dar ao luxo agora, é perder jogador por expulsão. Só que foi exatamente isso que aconteceu em momentos decisivos.
Cristian Romero e Micky van de Ven, dois pilares da defesa, deixaram o time na mão em jogos importantes. E não foram lances “duvidosos”, foram decisões ruins mesmo. O problema? De Zerbi também não é exatamente conhecido por ser tranquilo. Em sua passagem pelo Brighton, colecionou cartões como quem coleciona figurinha.
Ou seja: ele vai precisar controlar o próprio temperamento e, principalmente, o do elenco. Porque jogar “final” com um a menos é praticamente assinar a derrota.
Estilo De Zerbi… mas com moderação
A identidade de De Zerbi é clara: posse de bola, passes curtos, construção desde a defesa. Bonito de ver, quando funciona.
O problema é que esse Tottenham passou a temporada inteira jogando de outro jeito. Bola longa, jogo direto, menos construção. Mudar isso em sete jogos? Missão complicada.
Por isso, talvez o italiano precise engolir um pouco do próprio orgulho tático. Sim, trabalhar a saída de bola é importante, mas, em certos momentos, dar um chutão pra frente também resolve.
E com atacantes físicos como Dominic Solanke e Richarlison, essa alternativa pode ser mais útil do que parece.
Xavi Simons não pode ser banco. Simples assim.
Se existe uma peça capaz de mudar o jogo em um lampejo, esse cara é Xavi Simons. E, ainda assim, ele ficou fora do time em momentos importantes sob Tudor. Difícil entender.
Mesmo com menos minutos que outros jogadores, Simons lidera o time em expectativas de assistências em jogadas abertas. Traduzindo: é quem mais cria perigo.
Num time que tem um dos piores índices ofensivos da Premier League, deixar o jogador mais criativo no banco é quase um crime. Se De Zerbi quiser implementar seu estilo de jogo, o holandês precisa ser o cérebro da equipe. Sem discussão.
Se você assistiu a jogos do Tottenham nesta temporada, provavelmente viu vários laterais sendo jogados na área como se fossem escanteios. Foram 74 tentativas desse tipo na Premier League. Resultado? Nenhum gol. Zero. Nadinha.
Além de pouco produtivo, esse tipo de jogada ainda deixou o time vulnerável a contra-ataques, como aconteceu contra o Atlético de Madrid. Resumindo: insistir nisso é perda de tempo. E tempo é justamente o que o Tottenham não tem.
Sete jogos, sete finais
A situação é simples de entender e difícil de resolver: o Tottenham precisa ganhar. Agora. De Zerbi chega com ideias interessantes, mas vai precisar adaptá-las à realidade de um time pressionado, emocionalmente abalado e com pouquíssimo tempo de treino.
Se conseguir equilibrar estilo com pragmatismo, pode dar certo. Se tentar reinventar o time do zero… bom, aí o risco é grande. No fim das contas, não importa como. Pode ser com posse de bola, chutão ou gol chorado aos 48 do segundo tempo.
O Tottenham só precisa de uma coisa: sobreviver.
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