O São Paulo vive um momento delicado de transição. Após a saída repentina de Hernán Crespo, o clube apostou em Roger Machado para comandar o time em 2026. No entanto, as primeiras rodadas sob o novo treinador já geram desconforto. A torcida sente falta do estilo intenso e vertical deixado por Crespo, enquanto o futebol apresentado por Roger ainda não convence e mostra pouca conexão com a cultura histórica do clube.
Os estilos opostos: Crespo x Roger Machado
Hernán Crespo montou um São Paulo agressivo, com alta pressão na saída de bola adversária, transições rápidas e intensidade constante. Seu time era direto, vertical e perigoso nos contra-ataques. Mesmo em momentos de dificuldade, o Tricolor mantinha uma identidade clara: jogar para frente, buscar o gol e impor ritmo. Essa abordagem gerava empolgação na torcida e resultados consistentes, especialmente no Paulistão 2026, onde chegou à semifinal.
Roger Machado, por sua vez, traz uma proposta mais controlada e baseada em posse de bola. Seu estilo prioriza organização tática, construção paciente desde a defesa e um jogo mais posicional. Embora seja um treinador experiente e com bom trabalho em times menores, seu futebol costuma ser menos explosivo e mais previsível.
No São Paulo, isso tem se traduzido em jogos com menor intensidade, dificuldade para criar chances claras e uma sensação de lentidão que contrasta com o DNA tricolor.
A diferença entre os dois estilos é evidente: Crespo priorizava intensidade e verticalidade; Roger valoriza controle e paciência. A torcida, acostumada ao futebol mais agressivo do argentino, já demonstra impaciência com a nova proposta.
O papel da Data Fifa na transformação do time
A parada para a Data Fifa, que ocorre agora, será decisiva para acelerar essa mudança de identidade. Durante o período sem jogos oficiais, Roger Machado terá tempo exclusivo para trabalhar com o elenco, implementar seus conceitos táticos e ajustar o time à sua filosofia.
Sem a pressão de resultados imediatos, o treinador poderá aprofundar treinamentos de posse de bola, compactação de linhas e construção paciente, características marcantes de seu estilo. Ao mesmo tempo, elementos do futebol de Crespo, como a pressão alta agressiva e as transições rápidas, tendem a ser reduzidos ou adaptados.
A Data Fifa funciona como um “reset” tático: o time que voltar aos gramados após a parada terá, inevitavelmente, mais cara de Roger Machado e menos das características que fizeram o São Paulo competitivo sob Crespo.
Esse processo é natural em qualquer troca de treinador, mas ganha peso no caso do São Paulo pela forma abrupta como Crespo saiu. A torcida ainda não teve tempo de se acostumar com a nova proposta e já sente saudade do estilo mais intenso deixado pelo argentino.
Por que isso pode ser um problema para o São Paulo?
A mudança de identidade no meio da temporada traz riscos. O São Paulo construiu sua boa campanha recente com um futebol direto e agressivo. Perder parte dessa essência pode gerar instabilidade, queda de desempenho e frustração da torcida. Roger Machado precisa mostrar rapidamente que sua proposta pode ser tão eficiente quanto a de Crespo, mas com características próprias.
O grande desafio é encontrar um equilíbrio: manter a intensidade e a verticalidade que o torcedor tricolor valoriza, ao mesmo tempo em que implementa a organização e o controle tático que Roger prega. Se o time voltar da Data Fifa ainda mais lento e previsível, a pressão sobre o treinador e a diretoria aumentará rapidamente.
O São Paulo vive um momento de adaptação. A Data Fifa será o grande laboratório de Roger Machado, mas também o período em que a torcida vai cobrar resultados e identidade. O clube precisa equilibrar a evolução tática com a manutenção do espírito competitivo que Crespo deixou como herança.
Por enquanto, a sensação é de que o time está perdendo parte da sua essência. Resta saber se Roger conseguirá construir algo tão convincente quanto o que foi desmontado. O São Paulo pós-Data Fifa terá mais cara de Roger Machado, a dúvida é se essa nova cara será suficiente para manter o clube competitivo em 2026.
Foto: São Paulo FC



