A passagem de Roger Machado pelo São Paulo chegou ao fim após a eliminação para o Juventude na Copa do Brasil. A derrota por 3 a 1 fora de casa acabou sendo o ponto final de um trabalho que nunca conseguiu convencer completamente torcida, diretoria e ambiente interno.
Contratado após a saída de Hernán Crespo, Roger já iniciou sua trajetória pressionado. Grande parte da torcida nunca entendeu totalmente os motivos da demissão do treinador argentino, o que aumentou ainda mais a cobrança sobre o novo comandante.
Ao todo, Roger deixa o São Paulo com 17 jogos, sete vitórias, quatro empates e seis derrotas, acumulando 49% de aproveitamento.
Confira 5 motivos para a demissão de Roger Machado do São Paulo
1. Roger Machado chegou cercado por desconfiança

O primeiro problema do trabalho começou antes mesmo da estreia. A saída de Hernán Crespo gerou bastante questionamento entre os torcedores, principalmente porque muitos entendiam que o argentino ainda tinha respaldo dentro do clube e havia deixado uma base de jogo consolidada.
Isso fez Roger assumir um ambiente naturalmente desconfiado. Em vez de iniciar um novo ciclo com apoio total, o treinador precisou lidar desde o primeiro dia com pressão contaste da torcida que não teve explicações convincente da diretoria sobre a demissão de Hernán Crespo.
As duas primeiras partidas até trouxeram resultados positivos, com vitórias sobre a Chapecoense no Morumbi e contra o Red Bull Bragantino fora de casa. Porém, mesmo nesses jogos, a sensação era de que o time ainda reproduzia muito mais ideias deixadas por Crespo do que mudanças implementadas por Roger.
2. Aproveitamento abaixo do esperado aumentou pressão

Os números do treinador também nunca conseguiram gerar tranquilidade.
Em 17 partidas, Roger acumulou sete vitórias, quatro empates e seis derrotas, com apenas 49% de aproveitamento. Para um clube do tamanho do São Paulo, disputando várias competições simultaneamente, o desempenho passou longe de empolgar.
Além dos resultados medianos, o time raramente conseguiu criar sequência positiva longa. Após o bom início, o São Paulo acumulou três partidas sem vencer, perdendo para o Atlético Mg e Palmeiras, além de empatar contra o Internacional.
A irregularidade acabou impedindo qualquer sensação de estabilidade dentro do trabalho.
3. Pouca evolução coletiva e falta de identidade

Talvez a principal crítica ao trabalho tenha sido a dificuldade de enxergar evolução clara no modelo de jogo da equipe.
O único momento em que realmente pareceu existir uma mudança mais evidente aconteceu na vitória por 4 a 1 sobre o Cruzeiro no Morumbi. Naquela partida, o São Paulo apresentou intensidade maior, ocupação ofensiva mais agressiva e melhor dinâmica coletiva.
Mas o desempenho acabou parecendo apenas um ponto fora da curva.
Depois disso, o time voltou rapidamente a apresentar problemas ofensivos, pouca criatividade e dificuldades para controlar partidas. Isso ficou ainda mais evidente em jogos da Sul-Americana contra equipes consideradas inferiores tecnicamente, como Boston River e O’Higgins
Mesmo diante de adversários frágeis, o São Paulo não demonstrava criatividade ofensiva e evolução no trabalho de Roger Machado.
4. Derrota no clássico contra o Corinthians aumentou desgaste

Outro ponto importante para o enfraquecimento do trabalho foi o clássico contra o Corinthians.
A derrota por 3 a 2 gerou críticas fortes principalmente pela atuação ofensiva do São Paulo. Apesar de marcar duas vezes, o time praticamente não conseguiu criar oportunidades claras de forma organizada.
Os dois gols surgiram muito mais por falhas do Corinthians do que por mérito ofensivo do São Paulo. Um aconteceu após erro de Raniele na saída de bola, enquanto o outro foi um gol contra de Matheusinho.
Enquanto isso, o Corinthians criou muito mais durante a partida e passou a sensação de que poderia ter construído um placar ainda maior. O clássico aumentou a percepção de que o São Paulo tinha enorme dificuldade para produzir ofensivamente em jogos importantes.
5. Eliminação para o Juventude encerrou o ciclo

A eliminação para o Juventude na Copa do Brasil acabou sendo o golpe definitivo.
No jogo de ida, no Morumbi, o São Paulo já havia deixado sinais preocupantes. Mesmo jogando em casa e com um jogador a mais durante boa parte da partida, a equipe criou pouco e saiu com vantagem considerada pequena diante do contexto do jogo.
A sensação era de que o confronto seguia completamente aberto.
Na partida decisiva, o Juventude venceu por 3 a 1 e eliminou o São Paulo. O desempenho voltou a expor praticamente todos os problemas vistos durante a passagem de Roger: baixa criatividade ofensiva, pouca intensidade, dificuldades defensivas e ausência de uma identidade coletiva sólida.
Mais do que a eliminação em si, o que pesou foi a sensação de que o time nunca evoluiu após o ponto fora da curva contra o Cruzeiro.
Com isso, a diretoria optou por encerrar um trabalho que, desde o início, nunca conseguiu gerar plena confiança dentro do São Paulo.



