Renato Moicano não costuma fugir de desafios, pelo contrário, construiu a carreira justamente encarando quem muitos evitam, já teve Islam Makhachev, José Aldo, Benoit Saint-Denis e entre outros inúmeros nomes pela frente. Mas, desta vez, o cenário é diferente. Mais do que um confronto comum dentro do UFC, a luta contra Chris Duncan carrega um peso especial: o brasileiro sente que precisa vencer, tem a necessidade disso.
E não é exagero.
Aos 36 anos, Moicano chega para o duelo deste sábado pressionado por duas derrotas consecutivas. Em um esporte onde o timing é tudo, especialmente na divisão dos leves, perder sequência pode significar muito mais do que uma queda no ranking, pode representar o início do fim no alto nível, principalmente nesta enorme tentativa de Dana White renovar as categorias
Pressão real e assumida por Moicano
Diferente de muitos atletas que tentam minimizar o momento, Moicano foi direto ao ponto. Em entrevista recente, deixou claro que o sentimento é de urgência, ainda mais depois de ter sido derrotado por Beneil Dariush, que hoje, virou saco de pancada de Deus e o mundo na divisão.
“Não é bom perder. É horrível. Mas vencer é muito bom. Eu quero sentir isso de novo”, disse o brasileiro.
A fala resume bem o momento. Não é só sobre dinheiro, bônus ou destaque, é sobre recuperar confiança, status e, principalmente, aquela sensação que todo lutador persegue: a vitória.
Claro, o incentivo financeiro existe. Um bônus de performance pode render até US$ 100 mil, mas, nas palavras do próprio Moicano, isso fica em segundo plano.
“Vai ser bom, claro. Mas eu sinto que preciso vencer. Estou focado na vitória”, completou.
Um adversário que não facilita nada
Se a situação já não era simples, o adversário também não ajuda. Chris Duncan vive um momento positivo dentro do UFC. Em ascensão na divisão dos leves, o escocês chega embalado e com confiança para mostrar que ainda pode ir mais longe na organização.
E tem um detalhe interessante nessa história: os dois já treinaram juntos no passado. Mas, segundo Moicano, isso pouco influencia.
“Faz muito tempo. Ele melhorou bastante, principalmente no grappling. Não estou desrespeitando, sei que vai ser uma luta difícil”, afirmou.
Estilo vs momento: o clássico do MMA
Dentro do octógono, o duelo promete ser interessante por um motivo claro: estilos que podem se anular ou se potencializar. Moicano sempre foi conhecido pelo jiu-jitsu afiado e pela capacidade de controlar adversários no chão. Já Duncan tem mostrado evolução justamente nessa área, além de trazer agressividade na trocação.
É aquele tipo de confronto onde um detalhe pode mudar tudo, mas também, acaba sendo uma situação mais complicada para Renato Money Moicano que tem a necessidade de conquistar a vitória, a pressão está em cima dele, principalmente pelo fato de não ter sido o adversário que queria. O interesse principal era Brian Ortega, por conta de uma derrota sofrida pelo brasileiro no passado.
Agora, simplesmente viu Chris Duncan em alta cair no seu colo, porém, anda com o retrospecto positivo nos treinos com o adversário para sair com a vitória neste próximo fim de semana. E tem mais: Moicano tem histórico de “quebrar hype”. Ao longo da carreira, já frustrou expectativas de lutadores em ascensão, exatamente o papel que Duncan tenta assumir agora.
Já tentaram fazer o velho de escada no passado, mas não deu certo, vamos ver como se desencadeará desta vez.
O fator idade e experiência
Aos 36 anos, Moicano já não é mais promessa. É realidade consolidada, mas também um veterano em um esporte que cobra caro com o tempo, valendo ressaltar a derrota para Dariush em que o brasileiro simplesmente morreu no gás.
Por outro lado, essa experiência pode ser um diferencial. Ele já esteve em grandes lutas, já enfrentou pressão, já venceu e já perdeu em alto nível. Sabe o que está em jogo e, mais importante, sabe como lidar com isso.
A questão é: o corpo e o ritmo ainda acompanham? Estamos falando de um embate de cinco rounds, contra um profissional que chegará com a corda toda. Diferente da última luta, Renato Moicano deixou claro que está mais focado, e até deixou a criação de conteúdo um pouco de lado, para não ver a sua história no UFC receber mais um alerta de perigo.
Para o brasileiro, é uma chance de provar que ainda pertence à elite. De mostrar que as derrotas recentes foram tropeços, não uma tendência. Para Chris Duncan, é a oportunidade perfeita de dar um salto na carreira, vencendo um nome experiente e respeitado.
Ou seja: clássico choque de gerações, com interesses completamente diferentes.
E se Renato Moicano vencer?
O Brasil todo pede pela vitória de Renato Moicano, muito por conta de ser um personagem interessantíssima do UFC e da internet, mas também, pela sua qualidade bizarra nas entrevistas pós-luta. Depois de algumas lives em seu canal no YouTube, o brasileiro já falou sobre seu interesse de lutar contra Paddy Pimblett, que vem de derrota para Justin Gaethje depis de terem disputado pelo cinturão interino dos leves.
Outro nome e um pouco mais provável é Dan Hooker, que anda sendo utilizado de saco de pancadas, já tomou do Arman Tsarukyan e de Saint-Denis nas últimas duas oportunidades. Já se alfinetaram nas redes sociais, e o que pode ser um combustível interessante para Dana White colocar para jogo esse duelo. E também, teria um salto maior e mais arriscado também.
Recentemente, Max Holloway foi derrotado por Charles Oliveira pelo cinturão BMF, e isso depois do norte-americano ter sido engolido no grappling pelo brasileiro, num total domínio de cinco rounds a zero. A ideia de Renato Moicano seria chamá-lo para uma luta, mas prometendo cair na porrada, sem levar para o chão, mas na hora do vamos ver, fazer o mesmo que o problema da divisão fez. Simplesmente uma armadilha para um dos principais boxeadores do evento.
Foto: UFC