O CEO do UFC, Dana White, está cada vez mais pressionado pelos lutadores sobre o tema remuneração. O assunto já era alvo de críticas dos atletas há anos, mas ganhou uma proporção ainda maior após a lenda Jon Jones afirmar que não participará do UFC Freedom 250, na Casa Branca, por não aceitar uma proposta considerada baixa. A discussão sobre salários no Ultimate, portanto, volta ao centro do debate e levanta questionamentos sobre o modelo de pagamento da principal organização de MMA do mundo.
Desta vez, Dana White ficou ainda mais exposto após TJ Dillashaw, ex-campeão dos galos do UFC, revelar valores considerados padrões dentro da organização. Em entrevista ao podcast JAXXON, o norte-americano afirmou que recebeu uma proposta de apenas US$ 18 mil para fazer uma luta de última hora valendo o cinturão da divisão, algo que surpreendeu fãs e especialistas.
O relato de Dillashaw refere-se ao combate contra Renan Barão, no UFC 173, realizado em maio de 2014. Na ocasião, ele conquistou o título dos galos do UFC em uma das maiores zebras da história da organização. Segundo o próprio atleta, o valor recebido estava muito abaixo da importância da luta.
“Eu estava sob contrato com o Ultimate, lutando por um título mundial por US$ 18.000”, disse Dillashaw. Ele explicou que precisou romper o contrato original para conseguir melhores condições ao longo da carreira. Ainda assim, os valores iniciais chamam atenção.
O ex-campeão detalhou o sistema de progressão salarial no UFC: atletas começam recebendo US$ 10 mil para lutar e US$ 10 mil em caso de vitória. Após três triunfos, o valor sobe para US$ 14 mil + US$ 14 mil. Com mais três vitórias, chega-se ao patamar de US$ 18 mil + US$ 18 mil — exatamente o que ele recebeu ao disputar o cinturão contra Barão.
Reclamação antiga ganha força entre lutadores do UFC
A fala de Dillashaw escancara que a reivindicação dos lutadores do UFC é antiga e, no entendimento da maioria dos atletas, pouca coisa mudou ao longo dos anos. Mesmo com o crescimento global do UFC, aumento de receitas e contratos milionários de transmissão, muitos competidores ainda consideram que a divisão de lucros é desigual.
Diversos lutadores já se manifestaram publicamente contra o modelo adotado pelo Ultimate, cobrando melhores bolsas, participação em pay-per-view e maior transparência nos contratos. A insatisfação não se limita a atletas menos conhecidos — nomes de destaque também passaram a questionar o sistema.
O caso recente de Jon Jones reforça essa insatisfação. Considerado um dos maiores nomes da história do UFC, o lutador recusou participação em um evento importante por discordar dos valores oferecidos. A atitude evidencia que o problema não afeta apenas iniciantes, mas também estrelas consolidadas.
Concorrência cresce e desafia hegemonia do UFC
Em meio a esse cenário, alguns lutadores optaram por deixar o UFC em busca de melhores oportunidades financeiras. Um dos exemplos mais emblemáticos é Francis Ngannou, ex-campeão dos pesados do UFC, que decidiu seguir carreira fora da organização e explorar novos mercados.
Com o fortalecimento de outras entidades, como a Most Valuable Promotions (MVP), criada pelo influenciador e boxeador Jake Paul, os lutadores passam a olhar o UFC com menos prestígio do que no passado. Essas novas organizações oferecem contratos mais flexíveis e, em alguns casos, remunerações mais atrativas.
Além disso, o boxe segue sendo uma alternativa relevante para atletas que buscam ganhos maiores. A possibilidade de bolsas milionárias e acordos comerciais mais vantajosos atrai cada vez mais lutadores do UFC, que enxergam no esporte uma chance de valorização financeira.
Diante desse contexto, o Ultimate enfrenta um momento delicado. A pressão por mudanças no modelo de pagamento cresce, enquanto a concorrência se fortalece. As declarações de Dillashaw apenas reforçam uma discussão que parece longe de acabar — e que pode impactar diretamente o futuro da organização.
Foto: Jasper Colt / USA TODAY NETWORK v